Curadoria Doméstica: Um processo de self-encontro

Curadoria Doméstica

Acontece do encontro entre nós e o lugar onde habitamos…

Receber do destino

Um local para explorar em minha mente

E se deparar com o vazio

Fora e dentro…

As paredes são opressoras.

Elas me chamam, gritam mesmo, de verdade.

Me deixam meio doida:

“Aonde eu estou que não me encontro agora…. Agora ou será que era sempre assim?

Cadê eu???

… há tanto tempo.

Agora o chamado me faz ver que não encontro mais o meu reflexo.

Estou eu no vazio de mim e de meu espaço.

Começa o desafio de me encontrar.

Agora, no espaço onde eu vivo.

Lu Paternostro

#lupaternostro #curadoriadomestica #mundosintrincados #euamocriar #weareconected #self

Reflexão sobre um lugar

Um lugar implica em vivência, pois ele só é um lugar… porque existe uma consciência que o chama, ou o reconhece, assim.

Quando construímos um lugar, construímos um local que reflete uma vivência.

Os locais em que vivemos serão melhores se seguirem uma congruência, um sentido, um porquê.

Parei e olhe em volta.

Quem é o meu espaço?

“Quem é o meu espaço? Que pergunta mais idiota já que o espaço não é ninguém”!

Seja como e o que ele for a pergunta passa a ser: este espaço tem sentido para mim?

Se sim, ótimo. Aquieto sentindo o harmônico dele para saber quem é ele em mim.

Se não, ótimo. Aquieto sentindo o harmônico que pode ressoar dentro de mim a fim de encontrá-lo.

Sentimos aqui, no peito.

Lu Paternostro

#lupaternostro #curadoriadomestica #mundosintrincados #euamocriar #weareconected

Quando percebi que estava oca

Reflexões sobre a curadoria doméstica I

No caminho do conhecimento de mim mesma, projetando-me no espaço de minha casa, podendo eu acontecer lá, de forma (até) livre, me vi completamente amarrada. Estática. Paralisada.

Diante de uma parede, braaaaanca, me vi de costas, de olhos vendados, ainda.

De fato não há nenhuma conexão entre mim e este espaço.

Um abismo real existe – eu não sei quem sou para encarar essa parede de frente.

Agora….Imagina encarar 4 nichos!

Os Nichos são aqueles infinitos em que nos encontramos….

Para mim são invasivos: Formam mais formas que eles próprios.

Eles são estáticos, convictos disso, mudos, cheios de presença no seu eterno vazio. Abertos e limitados. Suas bocas são eternamente abertas. E me chamam…

Pronto, mais uma vez o sempre insuportável vazio – o nicho vazio é meu coração. Oco. Sem ele. O nicho ou o coração?

Ambos….

Olho em volta e vejo as cabeças das pessoas andando, paradas, mortas, falando. São ocas, ocas.

Delas saem sonhos permitidos. Apenas os permitidos.

De volta ao nicho…

La estou eu de frente para eles, sem olhar muito tempo para eles… Perturbam….

“Meu Deus” o que eu coloco nesse monte de buraco aqui?

“Coloca o que tem a ver com vc, que vc usa, usa os nichos para você colocar o que vai usar”, disse meu amável grilo falante. Entendi que seriam as coisas que fazem parte de minha vida neste momento, nada meio decorativo. Será que nichos úteis teriam mais a ver comigo?

Bem, vamos lá, levada por mãos de anjo, eles forma para o primeiro nicho. Estranho….

Dois fones de ouvidos que conforme vão sendo usados, mudam de posição e formam imagens que passam a acontecer dentro do nicho. Os nichos tornam-se molduras.

A luz, a posição que o universo contribui para ficar, tudo vai acontecendo dentro daquele nicho. Eu vou lá e fotografo.

O nicho vai se revelando como algo mais amigável, possível….

Mas tenho mais 3 pela frente…

Passa-se um boooooom tempo, nichos brancos, paredes brancas… sombras… tudo lá.

E cadê…… eu??? Cadê eu?????

Silêncio…. uma respiração…. ainda não há ninguém lá.

A estante de livrinhos e as duas biblias

Achei duas bíblias antigas, uma de uma pessoa e a outra de outra pessoa. Ambas, não sei se  mortas ou não, colocaram suas mãos-crianças sobre as suas páginas…. duas ou mais crianças, porque é antiga, passando eras, por mãos de crianças. Agora está aqui comigo. Por que??? Pérai, uma delas é muito estranha. Acho que terei de perdoá-la.

Coloquei no nicho, lá em cima, do ultimo nicho, o maior nicho, o mais longe de mim. Tá láááááááááááá.

Mais um tempo. Nichos vazios e uma dívida incrível com o universo que me criou. Peço para sonhar com uma dica. “Vai, poder! Você que tudo criou, sabe! Me dá uma dica!”

Que porta eu abro????

Percebo que minhas resistências estão se rompendo, aquela coisa gosmenta que me dizia “protetora”, sua voz esta sumindo, dissolvendo estranhamente. Quase não há mais essa voz dentro de mim. E tudo está acontecendo imensamente rápido, como se estivesse passando para um outro universo de possibilidades. Hoje tenho uma sensação de limpeza interior, uma leveza incrível, mesmo com o desrespeito que vivo na “casa sagrada do trabalho”.

Sinto que o perdão que saí por ai exercitando, está me deixando leve.

Sinto que o movimento que eu faço é de avanço e percebo que soltar-se é saber ir num vento que te chama, que você nunca foi, com gratidão e amor!

Mas e a estante com os livrinhos?

Como ela é estranha, fake, mas é amável. Ela está inconsciente de tudo isso e parou para ler seus pequenos livrinhos de trás para frente, de frente pra trás, abstraindo suas letras em formas e mais formas. Aí ficou, presa em seu tempo que não sei bem qual é! Ela, para mim, hoje, é uma feia incógnita, mas uma linda lembrança que também deve ser perdoada.

Coloquei-a no terceiro nicho, o menorzinho. Mas, tudo ficou estranho!

Um movimento estranho do meu lado…. Um mal estar: Quando a coloquei lá, me senti envergonhada, presa na minha carne.

Prevendo algo de fora, já falei pra mim:

“Por que fez isso?” Uma voz me disse imperiosa. “Isso está horrível, não combina com blablablablablablablablablablablabla”, não ouvi mais nada, pois me perdi na sensação.

Me senti mal e culpada!

Deixei tudo lá e mais uma vez, fui embora.

Tudo se fechou novamente.

Os nichos, quietos.

Eu, oca.

Mas a coisa ainda não acabou…

E o segundo nicho…

Lu Paternostro

#lupaternostro #curadoriadomestica #mundosintrincados #euamocriar #weareconected #pretoebranco #nicho

“Temas e Formas Inspirados na Amazônia”

Temas e Formas Inspirados na Amazônia

Ilustrações temáticas inspiradas em temas e formas da Amazônia, de Lu Paternostro.
A fauna, a flora e as manifestações da cultura brasileira são alvo do meus design há um bom tempo.  Para mim estas expressões são obras da inteligência divina, com seus traços, cores e ritmos dos quais me aposso para saber mais sobre ela. O desenho tornou-se um canal para adquirir este conhecimento.
Tanto que, depois de criar cinco painéis temáticos ilustrados sobre lendas e outros temas da Amazônia para um hotel em Manaus, como um exercício, resolvi “re-olhar” cada detalhes destes desenhos. Passeando pelas formas, pude perceber novas composições, composições estas que se revelaram apenas após um simples ato de mudar a forma de olhar.
Resolvi fazer isso explorando novos enquadramentos dentro de algo que é “conhecido”, que “existe”, e que passa a ser visto de novo, tornando-se novo.
Esta série de imagens é uma parte dessas explorações.
Espero que curta!

A Orquídea e o Galo da Serra

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

O Galo-da-Serra tem uma cor estonteantemente vibrante e por isso é considerada uma das mais belas aves do continente americano. Raramente encontrado e de hábito solitário, tem maior presença nas serras fronteiriças do norte do Brasil, desde o Amapá até a região do alto Rio Negro. Seu nome científico, Rupicola rupicola, significa ave que habita as rochas. 

As orquídeas são, em cada flor, uma verdadeira obra prima da natureza. Aqui, baseando-me na estrutura de algumas espécies, acabei criando a minha própria orquídea.

O Coco do Babaçu

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

O coco do babaçu é a fruta de uma palmeira. O coco é uma espécie de caixa, que acomoda três a cinco amêndoas, de alto valor nutritivo e comercial.  Quando do coco é cortado transversalmente, podemos encontrar este desenho acima, cujos buracos representam os locais onde as castanhas ficam. Desenhei um monte de cocos para conhecer melhor suas curvas. Esta composição acima é feita com o desenho que abstrai do coco do babaçu e, neste desenho, é parte da vestimenta de uma índia que compõe o painel temático ilustrado  “Lenda do Boto Cor de Rosa”, que vc pode acessar aqui.

A Helicônia

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

O que sempre me chamou a atenção quando via as helicônias pelas ruas, eram a distribuição das suas cores em suas formas curvas. Quando resolvi explorar suas formas desenhando, vi que existiam tipos diferentes de composição, tipos diferentes de frutos.  Já imaginou que ela é um tipo de bananeira e aquilo que pende colorido é um cacho de um tipo de banana? Ela também é conhecida como bananeira do mato! Eu não tinha percebido todo esse nunce, até ter a oportunidade de desenhá-las. E vi suas formas tomarem novo corpo na composição. Você pode vê-la no painel temático ilustrado “Uma Homenagem a Manaus”.

O Boto Cor de Rosa

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

O doce e fofo boto cor de rosa! Um cetáceo, que vive nas águas doces, nos rios amazônicos, com cores que vão de um cinza arroseado até um rosa claro. É o personagem principal de uma lenda bastante curiosa, a “Lenda do Boto Cor de Rosa”, um mito que se confunde com a realidade para as pessoas que vivem na região do Amazonas.

E para quem o conhece sabe: ele ri de verdade e parece que gosta das pessoas. Mas das pessoas que gostam deles, pois são hiper sensíveis e agem como cachorrinhos do rio. Se um dia nadar com eles, jamais bata em sua cabeça, pois ela é super frágil e molinha. Acaricie seu corpo, seu bico longo. Ele adora e retribui com risadinhas! Implemente maravilhoso!

As Piranhas

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

Represento aqui um bicho danado de esperto, que age em grupo, as piranhas.

Uma piranha sozinha tem uma boca pequena e cheia de dentinhos que já arranca um pedacinho de quem entra em confronto com ela. Imagina milhares, todas dando uma mordidinha em você ao mesmo tempo! Aonde tem piranha, não devemos entrar, nadar!

Representei a piranha, mas dei cores a ela, pois elas são muito descoloridas! Você pode vê-las em mais quantidade nos painéis temáticos ilustrados “A Lenda de Iara” e “A Lenda das Amazonas”

Boi Vermelho

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

Sempre gostei dos dois bois da festa da cidade de Parintins, o Boi Garantido e o Boi Caprichoso. Localizada no Estado do Amazonas, no local foi se desenvolvendo um movimento incrível em volta da disputa entre os dois bois, o vermelho e o azul, um com um coração na testa e o outro com uma estrela. São lindos!

Vindos da manifestação genuína do povo do local, um folguedo divertido que o povo das pequenas cidades brincavam, acabou tomando corpo e se tornando um grande festival anual que acontece no mês de junho, e atrai pessoas de todo o Brasil, e até de outros países, tornando-se como o Carnaval do Rio de Janeiro e São Paulo: mais show, grandiosidade, disputa e menos brincadeira, alegria e leveza. Aqui desenho o boi porque gosto muito deles e o considero um ícone local.

NOTA: Recomendo que conheça o desenhos dos bois, que são muito bonitos, grandes, simpáticos, pomposos, mas não se atreva a desenhá-los do jeito que são mostrados em fotos do festival, na web, pois o pessoal da organização pode processá-lo por você se beneficiar de uma imagem que tem dono, ou seja, o seu dono são os patrocinadores. O fato é que tudo é bem complexo e se precisar, fale comigo. Se quiser conhecer sobre os bois, pesquise na internet, mas se quiser desenhá-los, crie os seus próprios bois, uma boa oportunidade, pois se desenhar o boi da festa, você poderá sofrer um processo. Nuca desenhe algo semelhante aos bois do festival de Parintins. Esta imagem, “Os Bois Azul e Vermelho”, é de minha autoria e me deu alguns problemas.

A Fruta do Guaraná

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

Quando conheci a fruta do guaraná, a achei muito curiosa: vermelha por fora, comportando uma bola branca, que tem “olho” preto! Ai pesquisando descobri que ela veio de uma linda, uma linda e triste lenda, que conta como ela foi criada, “A Lenda do Guaraná”, que representei nesse painel temático ilustrado. Sua forma possibilita milhares de outras formas, que se juntam, de mesclam. Parecem que tocam uma musica própria, pois para mim elas emitem sons!

São as maravilhas que o grande poder cria e nos dá para explorá-las com nossos olhos, mãos, sentimentos.

As Palafitas

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

As palafitas são casas que são construídas sobre longas estacas, para sobrevivem sem serem alagadas, quando as águas dos rios sobrem muito. Encontramos este tipo de construção em regiões onde há muitas chuvas também.

As palafitas são feitas de madeira, são cinzas ou marrons acinzentadas. Aqui a fiz com suas janelas cheias de cor e flores! veja mais no painei temático ilustrado “Uma homenagem a Manaus”

As Penas da Tanga Indígena

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

O Olho do Tucano

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

As Contas de Iara

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

O Sapo entre Flores

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Proibida reprodução sem autorização da artista. 

*Lu Paternostro é artista plástica e designer multimeios. Na arte, é criadora dos “Mundos Intrincados – Texturas que contam Histórias, histórias que contam desenhos”. Como designer, direcionou suas pesquisas para as formas, cores e temas gerados pela manifestação genuína  das expressões, mundos e olhares advindos da cultura popular do Brasil. Publicitária por profissão, área que se ampliou demais com seus multicanais, promove a geração contínua de conteúdos texturais e imagéticos para agregação de valor às marcas de seus clientes. Para ela a comunicação acontece na diversidade, nas possibilidades dos multimeios e na interação com seu interlocutor, emocionando e tocando seus os olhos com as formas e cores para, assim, deixar seu oração mais colorido e cheio de alegria.

Obra “Espermas”. Técnica mista sobre painel

Obra “Espermas”, de Lu Paternostro

Pintura sobre painel. Técnica mista. 1 x 1 m. 2013.

Você pode ver mais detalhes da obra no link:http://lupaternostro.com/blog/obra-espermas/ e para saber mais sobre mim, entre no meu site: www.lupaternostro.com. Abraço!

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Técnica mista sobre painel. 1 x 1 m.

Da fonte.
Vem os que desabrocham.
Vem os que morrem secos.
Estes vão embora. Assobiando. Ocos.
Somem.

Da fonte.
Vem…

Os psicoducteos…..

______

Detalhes:

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Lu Paternostro | Arte, design e multimeios
#lupaternostro
#euamocriar
#mundosintrincados

Painel Temático Ilustrado: Lenda das Amazonas

Painel Temático Ilustrado: “Lenda das Amazonas”

O painel ilustrado pela artista plástica e designer Lu Paternostro, mostra a lenda das amazonas, mulheres fortes, guerreiras, de uma tribo onde só existiam mulheres. Na hora de seu acasalamento, com índios de outra tribo, elas davam a eles os Muiraquitãs, sapinhos mágicos, que os encantava para sempre.

Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Sobre o painel

Para o painel temático ilustrado de 5,5×1,5 m, localizado no quinto pavimento do hotel, minha ideia era dar muita presença à Natureza exuberante da Mata Amazônica, dissolvendo a noção estrutural da realidade, dando à imagem uma aura onírica, onde peixes, flores, muiraquitãs, personagens, pássaros e outros elementos “flutuam”  pela composição, fundindo-se. Nada é imóvel. Podemos ver tudo em transformação.  A própria Amazonas está em transformação.

A Amazonas da direita representa o aspecto guerreiro dessas personagens cheias de mitos. Tem como ato primordial o ataque, o ataque pela defesa. Está sempre a postos, em guarda, atenta ao que pode vir.

No centro, a mesma Amazonas agora está no seu momento de cópula, semi mergulhada no lago mágico, dando à luz, através de suas mãos, e pela força realizadora da Natureza, os Muiraquitãs, amuletos que ajudam os índios guerreiro em suas lutas. Os amuletos representam o poder divino.

Embora guerreiras, são carinhosas e devotadas a este ritual anual de perpetuação de sua raça e tornam-se mulheres amantes, verdadeiras e carinhosas com seus companheiros. Dão a eles os Muiraquitãs e recebem suas futuras filhas.

Depois disso, o ciclo recomeça.

A Lenda das Amazonas

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Não se sabe ao certo se as Amazonas, mulheres guerreiras que abdicavam de um seio para melhor manusear o arco e a flecha, existiram.  Muito menos aqui no Brasil. Mas o fato é que desde a antiguidade elas habitam o imaginário humano e sua lenda se tornou popular dando nome ao Estado do Amazônas.

Segundo Luís da Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Frei Gaspar de Carvajal se deparou com estas destemidas guerreiras no dia 24 de Junho de 1541, na foz do Rio Jamundá, dia de São João. Descreveu: “A estas nós as vimos, que andavam combatendo diante de todos os índios com capitãs, e lutavam tão corajosamente que os índios não ousavam mostrar as espáduas, e ao que fugia diante de nós, o matavam a pauladas… Estas mulheres são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muito membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios. E em verdade houve uma destas mulheres que meteu um palmo de flesha por um dos bergantins, e as outras um pouco menos, de modo que os nossos bergantins pareciam porco espinho”. (Descobrimento do Rio das Amazonas. São Paulo, 1941)

Acreditava-se que estas guerreiras viviam em uma aldeia onde haviam somente mulheres. Eram conhecidas pelos índios como Icamiabas, ou mulheres sem maridos e viviam no interior da região do Rio Nhamundá, conhecida por País das Pedras Verdes. Desta região originavam-se os Muiraquitãs.

Os Muiraquitãs eram objetos sagrados, pequenas esculturas de animais, feitos em pedras verdes. O formato mais comum é o do sapo.

Anualmente as Amazonas celebravam a lembrança de suas vitórias sobre os homens. No dia da festa, iam aos bandos à margem do lago encantado Yaci uarua, ou espelho da Lua. Nesta noite acasalam-se com os índios de uma tribo vizinha, os Guacaris.

À meia noite, quando a Lua refletia sua brilhante luz sobre o lago, as amazonas mergulhavam em suas águas, como que numa purificação simbólica.

Ao emergirem, traziam do fundo das águas o barro verde com o qual moldavam os Muiraquitãs que logo secavam em contato com o ar. Estes pequenos talismãs mágicos eram dados de presente para seus amados guerreiros, enrolados em tranças de cabelos das amazonas. Eles os carregavam como amuletos ou os vestiam em colares. Eles os protegem dos malefícios, assegurando felicidade em suas batalhas.

Dos filhos nascidos dessa união, as meninas permaneciam na tribo das amazonas e os meninos ou eram mortos ou, talvez, entregues aos pais.


*Lu Paternostro é artista plástica e designer multimeios. Na arte, é criadora dos “Mundos Intrincados – Texturas que contam Histórias, histórias que contam desenhos”. Como designer, direcionou suas pesquisas para as formas, cores e temas gerados pela manifestação genuína  das expressões, mundos e olhares advindos da cultura popular do Brasil. Publicitária por profissão, área que se ampliou demais com seus multicanais, promove a geração contínua de conteúdos texturais e imagéticos para agregação de valor às marcas de seus clientes. Para ela a comunicação acontece na diversidade, nas possibilidades dos multimeios e na interação com seu interlocutor, emocionando e tocando seus os olhos com as formas e cores para, assim, deixar seu oração mais colorido e cheio de alegria.