Painel Temático Ilustrado: Lenda das Amazonas

Painel Temático Ilustrado com o tema da “Lenda das Amazonas”

Em exposição permanente, no Bristol Manaus Airport Hotel.

O painel ilustrado pela artista visual Lu Paternostro, mostra a lenda das amazonas, mulheres fortes, guerreiras, de uma tribo onde só existiam mulheres. Na hora de seu acasalamento, com índios de outra tribo, elas davam a eles os Muiraquitãs, sapinhos mágicos, que os encantava para sempre.
Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Para o painel temático ilustrado de 5,5×1,5m, localizado no quinta pavimento do Bristol Manaus Airport Hotel, minha ideia era dar muita presença à Natureza exuberante da Mata Amazônica, dissolvendo a noção estrutural da realidade, dando à imagem uma aura onírica, onde peixes, flores, muiraquitãs, personagens, pássaros e outros elementos “flutuam”  pela composição, fundindo-se. Nada é imóvel. Podemos ver tudo em transformação.  A própria Amazonas está em transformação.

A Amazonas da direita representa o aspecto guerreiro dessas personagens cheias de mitos. Tem como ato primordial o ataque, o ataque pela defesa. Está sempre a postos, em guarda, atenta ao que pode vir.

No centro, a mesma Amazonas agora está no seu momento de cópula, semi mergulhada no lago mágico, dando à luz, através de suas mãos, e pela força realizadora da Natureza, os Muiraquitãs, amuletos que ajudam os índios guerreiro em suas lutas. Os amuletos representam o poder divino.

Embora guerreiras, são carinhosas e devotadas a este ritual anual de perpetuação de sua raça e tornam-se mulheres amantes, verdadeiras e carinhosas com seus companheiros. Dão a eles os Muiraquitãs e recebem suas futuras filhas.

Depois disso, o ciclo recomeça.

A Lenda das Amazonas

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Não se sabe ao certo se as Amazonas, mulheres guerreiras que abdicavam de um seio para melhor manusear o arco e a flecha, existiram.  Muito menos aqui no Brasil. Mas o fato é que desde a antiguidade elas habitam o imaginário humano e sua lenda se tornou popular dando nome ao Estado do Amazônas.

Segundo Luís da Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Frei Gaspar de Carvajal se deparou com estas destemidas guerreiras no dia 24 de Junho de 1541, na foz do Rio Jamundá, dia de São João. Descreveu: “A estas nós as vimos, que andavam combatendo diante de todos os índios com capitãs, e lutavam tão corajosamente que os índios não ousavam mostrar as espáduas, e ao que fugia diante de nós, o matavam a pauladas… Estas mulheres são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muito membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios. E em verdade houve uma destas mulheres que meteu um palmo de flesha por um dos bergantins, e as outras um pouco menos, de modo que os nossos bergantins pareciam porco espinho”. (Descobrimento do Rio das Amazonas. São Paulo, 1941)

Acreditava-se que estas guerreiras viviam em uma aldeia onde haviam somente mulheres. Eram conhecidas pelos índios como Icamiabas, ou mulheres sem maridos e viviam no interior da região do Rio Nhamundá, conhecida por País das Pedras Verdes. Desta região originavam-se os Muiraquitãs.

Os Muiraquitãs eram objetos sagrados, pequenas esculturas de animais, feitos em pedras verdes. O formato mais comum é o do sapo.

Anualmente as Amazonas celebravam a lembrança de suas vitórias sobre os homens. No dia da festa, iam aos bandos à margem do lago encantado Yaci uarua, ou espelho da Lua. Nesta noite acasalam-se com os índios de uma tribo vizinha, os Guacaris.

À meia noite, quando a Lua refletia sua brilhante luz sobre o lago, as amazonas mergulhavam em suas águas, como que numa purificação simbólica.

Ao emergirem, traziam do fundo das águas o barro verde com o qual moldavam os Muiraquitãs que logo secavam em contato com o ar. Estes pequenos talismãs mágicos eram dados de presente para seus amados guerreiros, enrolados em tranças de cabelos das amazonas. Eles os carregavam como amuletos ou os vestiam em colares. Eles os protegem dos malefícios, assegurando felicidade em suas batalhas.

Dos filhos nascidos dessa união, as meninas permaneciam na tribo das amazonas e os meninos ou eram mortos ou, talvez, entregues aos pais.

 

Painel Temático Ilustrado: Lenda do Guaraná

Painel Temático Ilustrado com o tema da “Lenda do Guaraná”

Em exposição permanente, no Bristol Manaus Airport Hotel.

O painel ilustrado pela artista visual Lu Paternostro, mostra a história do nascimento da fruta do guaraná, que nasce da união das lágrimas sentidas de uma mãe que perde seu filhinho e a poderosa força de renascimento do Deus Tupã.
Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Para o painel temático ilustrado de 5,5×1,5 mlocalizado no quinto pavimento do Bristol Manaus Airport Hotel, escolhi a Lenda do Guaraná pelas suas belas imagens e  infinitas possibilidades gráficas encontradas, principalmente em suas sementes, o elemento central da lenda.

No centro coloquei o momento mágico da transformação da poderosa Natureza, onde a dor da mãe clama aos céus uma mudança da realidade, para trazer de volta seu filho. Tupã, o deus dos índios, através de suas mãos, transforma os olhos do pequeno ser em uma planta fantástica que traz força e poder para os seres humanos.

As flores para mim são como materializações de mensagens divinas. Através de suas formas variadas, elas nos remetem diretamente à inteligência e à capacidade de criação pelo grande poder que nos criou, nos deu consciência. Aqui as flores são a representação do amor da mãe, fertilizado pela força divina do deus Tupã, que tudo transforma. Brotam, mas voam, por serem voláteis, espirituais.

A forma da planta do guaraná, da semente, é de incrível beleza e parece de fato grandes olhos vivos e conscientes, que nos observam. Por isso a inseri na composição toda, levando sua combinação de cores vibrantes e alegres para o ambiente, apesar de se tratar de uma lenda profundamente triste.

Ela é um símbolo de consciência do eterno olhar, atento, do pequeno indiozinho.

A Lenda do Guaraná

Interpretação de Lu Paternostro

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A lenda conta que um casal de índios da cidade de Maués, deu à luz um lindo menino.

Era um menino que cresceu e se tornou muito bom, inteligente. Também era bonito e alegre. Todos gostavam muito dele e o admiravam.

Por ser assim tão empático, Jurupari, o deus da escuridão e do mal, tinha muita raiva dele e resolveu acabar com sua vida. Transformou-se numa enorme cobra misteriosa e o aguardou, sobre uma árvore frutífera.

Quando, como sempre, o indiozinho alegre foi colher alguns frutos desta árvore, a cobra avançou sobre ele e o mordeu fatalmente.

O indiozinho caiu ao chão sem vida.

Sua mãe, que por ali passava, se deparou com seu filhinho caído e correu em sua direção. Seu corpo inerte não respirava mais. Estava morto o amor de sua vida!

Correu para sua aldeia com o corpo inanimado de seu filho no colo. Todos, mas todos mesmo, choraram, pois o menino índio era muito querido e levava luz e alegria ao coração de quem com ele conversasse ou o visse brincar.

Neste momento de muita comoção e lamentos, trovões ecoaram violentamente em todas as direções no céu. Sua mãe olhou para cima e gritou: “Tupã, por favor, tenha pena de nós! Traga meu filhinho de volta! ”. E num momento, em sua mente, uma voz disse de forma calma e amável: “Mãe, plante os olhos de seu filhinho e eu o tornarei eterno! ”.

A mãe o fez e de onde ela plantou os olhos mágicos do curumim, milagrosamente nasceu uma planta com flores lindas, formada pelas cores laranja avermelhado, preto e branco. Era a fruta do Guaraná, que traz vigor e alegria para quem a consome.

Guaraná tem olhos de verdade?

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Maués é uma cidade do Estado do Amazonas, conhecida como a “Terra do Guaraná”. Além de possuir uma riqueza natural com suas paisagens e as praias de rio, Maués é conhecida nacionalmente por possuir uma das maiores expectativas de vida do país.

Conhecida também como uaraná, guanazeiro, guaranauva, guaranaína; guarana (inglês), guaraná (espanhol), guaranà (italiano), guaranastrauch (alemão), o guaraná (Paullinia cupana Kunth) é uma planta com propriedades medicinais diversas: adstringente, afrodisíaca, diurética, estimulante físico, psíquico e do sistema nervoso, retardador da fadiga, revigorante, tônica, vasodilatadora, dentre inúmeros outros benefícios.

Suas sementes assemelham-se a diversos olhinhos. Consome-se as suas sementes, após torradas e moídas. É da planta do guaraná que vem o refrigerante Guaraná, conhecido e apreciado no mundo todo.

Painel Temático Ilustrado: A Lenda da Iara

Painel Temático Ilustrado com o tema da “Lenda da Iara”

Em exposição permanente, no Bristol Manaus Airport Hotel.

O painel ilustrado pela artista visual Lu Paternostro, mostra a Iara, a sereia brasileira, uma linda mulher, que vive nas águas dos rios. Seu canto e sedução atrai os homens para a profundeza das águas, transformando-os em loucos.
Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Para o painel temático ilustrado de 5,5×1,5 m, localizado no terceiro pavimento do Bristol Airport Manaus Hotel, escolhi a Lenda da Iara, mãe d´àgua, a sereia, por representar o poder feminino da transformação da natureza.

Na Região Norte, em particular, a permanente interação dos caboclos com os rios e igarapés, deu origem a várias lendas que evidenciam elementos representativos da vida e da morte.

Há várias versões, mas, em todas elas, a personagem é representada por uma belíssima mulher que seduz os homens, levando-os, com seu encantamento, para o fundo do rio.

No painel a Iara é onipresente. O índio ao centro, está no momento da sua captura, o momento máximo da lenda, onde a história do guerreiro assume um outro destino: caminha inerte para os seios de Iara. Ela é presente, poderosa. Entre os dois o encantamento acontece em ondas transparentes, que partem do seu olhar, de sua boca. Mas ninguém vê porque ela está de costas.

A presença da mata e as flores que coloco em cena, representam o poder sedutor das mulheres, onde os homens caminham, inebriados pelo encantamento feminino, sentindo em si, uma energia viva, em movimento constante. O fundo do rio se mescla de forma surrealista com o cenário da mata amazônica. Parece que as personagens se encontram num cenário que existe somente no fundo das águas.

O homem que mergulha está sem ação, no momento do feitiço das sereias, certas de seu sucesso. Ele está desarmado, solto, livre, “voando” nas águas do rio e alegre, indo para as profundezas. O chamado do amor é inequívoco, mas mortal. As ondas representam o movimento das águas, dos quadris sedutores, do poder divino da fecundação feminina, esbanjando vida nas plantas, animais e no movimento de tudo.

A Lenda da Iara

Interpretação de Lu Paternostro

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Deitada sobre a areia branca do igarapé, braço de rio sinuoso que adentra as selvas amazônicas, está uma mulher, de lindos cabelos longos, profusos, negros, tão negros como seus olhos.

Canta e brinca, esquecida de si mesma, com os pequeninos peixes que dançam pra lá e pra cá, passando pelo seu corpo parcialmente mergulhado nas águas calmas de uma tarde amazônica.

Flores rosas da floresta a envolvem formando uma rica moldura. Seu rosto é de uma beleza estonteante, seus lábios rosados sorriem de forma provocadora.  Seus olhos têm o lampejo de uma faca hiper afiada.

Canta, canta sempre.

Um índio jovem, forte, muito admirado na sua tribo, por sua precisão em manusear a zarabatana, o arco e a flecha, brilhante por sua sensibilidade e inteligência, sendo respeitado até pelos mais velhos, passava pelos igarapés com sua canoa, quando ouve o canto formidável dessa figura sobrenatural. Prevenido e sabido, foge longe, pois se lembra dos conselhos de sua mãe: “Seu canto e sua imagem são de uma beleza infinita, porém é a morte presente. Ela é a Iara”.

Vai para longe, mas seu coração, que não tem razão, bate forte, como se uma saudade apaixonada o tomasse de repente e o fizesse embevecer-se da lembrança da mais profunda sensação de amor.

Uma noite, navegando em sua canoa, o bravo índio é surpreendido por um cardume de peixes que o desloca para outro lugar, fazendo-o perder-se nos igarapés. Sua coragem não o abandona e o faz manejar seu remo com força, muitas vezes apoiando-se nos troncos, impelindo assim sua embarcação, avançando a floresta, tentando chegar em lugar conhecido e seguro.

Porém, sem que ele esperasse, um canto maravilhoso e hipnotizante o surpreende e de dentro do rio, surge uma bela mulher, com a metade do corpo em forma de peixe, que sorri para ele. Sua beleza o ofusca e o encanta, fazendo disparar seu coração. Sua força o abandona fazendo-o  largar seu remo. Esquece de sua casa, de sua mãe, de si e deixa-se enredar pelos pensamentos mais fogosos que já pode ter em sua vida. Uma fonte de irresistível prazer o domina e ele desmaia, deixando sua embarcação à deriva, deslizando ao sabor da correnteza das águas agora possuídas por Iara.

Acordou muito tarde. Uma enorme angustia o tomava. Sua vida como era o oprimia, sua família agora era sua prisão. Sua mente não saia das águas do rio, onde havia a presença daquela personagem tão calorosa e apaixonante.

Ficava até altas horas da noite pescando, afastou-se de seus amigos e tornou-se um homem triste. Passaram-se dias. Sua mãe o percebeu assim e perguntou o que havia acontecido, pois não parecia mais aquele homem cheio de alegria, coragem e vigor.

Ele, então, contou para sua mãe que havia encontrado uma mulher muito linda, como nunca havia visto nas índias de sua tribo, e que se sentia fortemente atraído, apaixonado, louco de vontade de pular em seus braços, beijá-la, eternamente abraça-la, deixar-se levar por ela.

Sua mãe, experiente e muito sábia, o alertou:

“Filho, foge dessa mulher, pela força da Natureza que nos cria e protege! O que você viu é a Iara e ela vai te matar. Foge como um louco de seus encantos. Iara é a morte!

Um dia, ao anoitecer, ouve novamente o canto mágico, agora se queixando de sua frieza e indiferença. Seu coração explode de tanto entusiasmo e alegria. Fica entre este sentimento de doação plena e os avisos de sua sábia mãe, mas não consegue se conter e se deixa levar, pulando nas águas do igarapé atrás de sua amada.

Depois de uns dois dias, pescadores viram uma canoa passar sem ninguém a conduzindo.

Levantaram-se, olharam estranhados, procurando algo e viram no seu interior um corpo inerte. Era o corpo do forte e destemido índio que se rendeu a uma ilusão, deixou que sua mente e seu coração fossem abduzidos por um sentimento forte mas fugaz, que diante daquele canto e beleza, despojou-se de todo o seu saber e inteligência, para se deixar levar pela obstinação dessa paixão.

Estava morto um promissor guerreiro, com um beijo da Iara dado em sua boca agora sem vida, comida pelas impiedosas piranhas do Rio Amazonas.

Iara continua lá, nas margens dos igarapés, cantando.

As pessoas que moram na região nunca ficam perto dos igarapés a noite ou à tardinha. Para se protegerem, passam alho cru em todo o seu corpo.

Iara, a sereia brasileira

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A Iara é uma entidade mítica, metade peixe metade mulher, que seduz os que navegam pelos rios e pescadores, fazendo-os saltar para dentro das águas, morrendo pelo seu amor impossível.

Conhecida como Mãe D´Água ou Cobra D´Água, sua lenda é contada de várias formas e representada uma hora como uma linda mulher de longos cabelos loiros e olhos verdes ou azuis, outras com cabelos e olhos negros.

A figura da mulher peixe ou sereia está presente na história da humanidade. Na antiguidade, se apresentava metade pássaro, com o busto e o rosto de mulher. Com o passar do tempo, sua forma sofreu uma transformação e a metade pássaro foi substituída por uma cauda de peixe. Estava sempre associada à morte e ao culto aos mortos, aparecendo em diversos túmulos na Europa.

Aqui no Brasil, passou a ser registrada sua presença nas lendas do povo, depois da vinda dos colonizadores portugueses que trouxeram sua cultura incluindo suas lendas, superstições e mitos, miscigenando sua cultura com índios e negros, criando um sincretismo diverso e de uma riqueza sem igual, bem típicas de nossa raça. Utilizavam seu mito para falar ao sue povo sobre os perigos dos igarapés. Talvez por isso sua aparência europeia, loira, de olhos verdes ou azuis em algumas versões da lenda.

Para os índios, a Iara significa “Senhora das Águas” ou “Ninfa das Águas” e também é chamada de Uyára, representando uma figura de que pode ser tanto feminina quanto masculina – pode-se fazer um paralelo da Lenda de Iara com a Lenda do Boto.

Para os escravos negros, a Kianda seria a sereia africana, Oxum (Osum, Oshum), orixá feminino das águas doces e dos rios e Iemanjá, que os afro-descendentes reverenciam como a divina Mãe D´água, Rainha do Mar, Sereia, Aiuca, deusa das águas, sereia do mar. Segundo Câmara Cascudo (1972), Iemanjá personaliza a água salgada e tem na concha do mar o seu fetiche, protegendo quem vive nele. Assim como a Iara, ela possui muitos amantes e os carrega para o fundo do mar.

Painel Temático Ilustrado: A Lenda da Vitória Régia

Painel Temático Ilustrado com o tema da “Lenda da Vitória Régia”

Em exposição permanente, no Bristol Manaus Airport Hotel.

O painel ilustrado pela artista visual Lu Paternostro, apresenta a lenda da Vitória Régia, uma planta aquática de enormes folhas, fruto da transformação de uma indiazinha que amava a lua, e que morreu por ela, transformando-se na bela planta aquática.
Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Sobre o painel:

Este painel temático ilustrado de 5,5×1,5m, localizado no segundo pavimento do Bristol Manaus Airport Hotel, apresenta a transformação do amor de uma índia numa das mais belas plantas aquáticas do mundo, a Vitória Régia.

O pássaro, presente na cena das meninas que se banham à luz da Lua, é um prenúncio do que está para acontecer; representa a vontade da alma em se ver livre, desencarnada e voar. Sua simbologia está associada à imortalidade.

No centro do painel ocorre o momento da transformação, a hora em que a índia, em seu arroubo apaixonado, se irrompe em direção ao seu amado que, parece, a convida para seu último voo. Pisa nas águas para morrer. Insiro as flores como representação do divino, símbolo da beleza feminina, representando a abnegação passiva e a humildade. São brancas. Representam a inocência.

Morre e se transforma, para sempre, na Vitória Régia, uma planta que vive nas águas, dotada de grandes folhas redondas. Refletem sempre a lua, em sua plenitude.

A nova flor, símbolo do resultado bem-sucedido e do essencial, assume a posição central, a do coração da Lua, lugar de honra, dado apenas àquelas que provam um amor e uma submissão tão violentos. Morre mulher, renasce planta, continuando assim o ciclo de morte e vida eternos, agora, no ser a própria planta.

A Lenda da Vitória Régia

Interpretação de Lu Paternostro

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A lenda da vitória régia, uma enorme planta aquática que existe na Amazônia, é contata há milênios por pajés e velhas índias sábias. Contam eles, sempre reunidos a noite, à luz de uma acolhedora fogueira, que às margens do Rio Amazonas, as jovens índias de sua tribo se reuniam, adorando a Lua.

Acreditavam que sua força luminosa vinha de um jovem e bonito guerreiro, Jacy, que, em noite clara, escolhia uma delas para se tornar uma estrela no céu, vivendo eternamente ao seu lado.  Tanto isso acontecia que muitos pajés sabiam os nomes de muitas das estrelas que brilhavam sobre sua tribo.

Naiá, uma índia destemida, que nesta tribo vivia, amava muito a Lua. Amava seus raios fortes e sonhava todas as noites em ser escolhida por ela. Tentava tocar em seus raios com suas mãos e cantava para a Lua todas as noites.

Tentou por diversas vezes alcança-la subindo em árvores, caminhando até o topo das montanhas altas, mas ela parecia cada vez mais longínqua e silenciosa. Meses se passaram, mas Naiá nunca desistia de sonhar.

Um dia, sempre cantando, Naiá foi banhar-se num lago claro que refletia Jacy como um grande espelho, uma presença suntuosa e convidativa. Parecia que a olhava sorrindo, generosa, amiga. Pensou ser o guerreiro que estava lá para ficar com ela enquanto se banhava. Naiá amava tanto a Lua, que foi seguindo pelo lago em direção à ela, a fim de abraça-la, e mergulhou até sumir para sempre, em suas águas.

Os indígenas da tribo tentaram chamá-la, mas ela não os ouviu. Ficaram desolado olhando o que acabara de acontecer, como que paralisados.

Depois de um tempo, surgiu das águas uma luz misteriosa, bem na superfície do lago. Essa luz foi se transformando em uma bela folha redonda, tornando-se enorme, grandiosamente verde. Depois de um breve tempo, surgiu uma flor, que começou por uma pequena pétala que crescia, cresciam outras pétalas, formando uma linda estrela branca que perfumou todo o ambiente com seu perfume: era uma flor que só nascia a noite.

A Lua, Jacy, havia transformado a jovem índia numa das mais belas plantas que vivem no Rio Amazonas, a Vitória Régia, ou Uapé.

E sempre nas noites claras, quando a Lua ilumina as águas dos lagos, rios e igarapés, Uapé abre suas brancas pétalas, em sua plenitude máxima, perfumando todo o ambiente, demonstrando todo o carinho pelo seu amado Jacy.

Naiá se transformou, definitivamente, na gigante e bela flor das águas amazônicas, permanecendo, ao longo dos tempos, como a rainha das plantas aquáticas, refletindo para sempre a Lua em suas folhas.

E a Vitória Régia, existe mesmo? 

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A lenda conta a história do surgimento de uma das mais belas plantas aquáticas do mundo, a Vitória Régia. Pertence à família das Nynphaeceae. Os indígenas chamam-na de Uapé, Iapucacaa, Aguapé-assú, Jaçanã, ou Nampé.

Suas folhas são grandes, circulares e chegam a atingir uma área de três metros quadrados. São capazes de suportar as garças e outros pássaros que pousam em suas folhas verdes.

As flores da Vitória Régia são brancas ou rosadas, formadas por inúmeras pétalas. Abrem durante a noite e exalam um delicado e suave perfume. Podem tornar-se flores grandes, com até 30 cm de diâmetro. No seu centro existe uma capsula lotada de sementes que vão se depositando no fundo das águas, a cada mês de agosto que vão se enterrando cada vez mais com a presença dos raios solares, endurecendo-se. Os índios se alimentam dessas sementes e as aves ajudam a dissipá-las na natureza, plantando a vitória Régia por todas as partes que passam.

Além de sua beleza e perfume, a Vitória Régia possui uma raiz em forma de um tubérculo, parecido com o inhame, que os nativos agregam em sua alimentação. Eles a chamam de “forno-d’água”, por sua semelhança com um tacho de torrar farinha. Desses tubérculos, os indígenas extraem um sumo, uma tintura preta, que a usam para pintar os seus cabelos.

E sempre nas noites claras, quando a Lua ilumina as águas dos lagos, rios e igarapés, Uapé abre suas brancas pétalas, em sua plenitude máxima, perfumando todo o ambiente, demonstrando todo o carinho pelo seu amado Jacy.

Naiá se transformou, definitivamente, na gigante e bela flor das águas amazônicas, permanecendo, ao longo dos tempos, como a rainha das plantas aquáticas, refletindo para sempre a Lua em suas folhas.

 

Painel Temático Ilustrado: A Lenda do Boto

Painel Temático Ilustrado com o tema da “A Lenda do Boto”

Em exposição permanente, no Bristol Manaus Airport Hotel.

O painel ilustrado pela artista visual Lu Paternostro, representa a lenda do Boto Cor de Rosa, personagem fantástico que se transforma num homem sabiamente sedutor, e encanta as mulheres solitárias, que sonham a noite na beira dos rios.
Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Sobre o painel:

Este painel temático ilustrado de 5,5×1,5m, localizado no primeiro pavimento do Bristol Manaus Airport Hotel, representa os três momentos que levam ao ato da cópula, objetivo máximo do Boto quando sai da água e se transforma num homem sedutor, que conhece muito bem os sentimentos mais íntimos das mulheres e sabe como conduzi-las.

Emolduradas por lírios cor de rosa, uma flor que representa o amor em seus vários aspectos, folhas de seringueira e plantas de várias espécies, lírios da paz. Apresento, em todas as cenas o estado receptivo da índia, que se deixa levar por um encanto. Tudo começa com a índia contemplando, em silêncio e solitude, a Lua e suas lembranças mais longínquas. Percebe uma “presença” no brilho da Lua, nas águas do rio. Mas permanece quieta.

A água, na base da composição, simboliza a força de regeneração e purificação física, psíquica e espiritual, ligada ao feminino, á profundeza, ao mesmo tempo que é o ambiente onde vive o boto, totalmente ligado a ela, inserido nela. Também está associada à vida, à umidade da fertilidade, características intrínsecas da Mata Amazônica.  O encontro com o Boto renova sua alma feminina, desgastada pela rotina.

Na lenda, quando o homem boto aparece para as mulheres, aparece como homem, de repente, mas sempre próximo das águas dos rios. No caso desta composição, optei por fazer com que a índia se aproxime do animal, num contato com o ser profundo, uma relação de carinho com ele. Diferentes dos outros botos, ele olha fundo nos olhos dela e está envolto numa aura mágica. A índia percebe que é um boto diferente e se permite aproximar dele.

De repente ele mergulha e, logo depois, aparece como um homem que a leva para onde quiser. Embora nunca o tenha visto, ou já, ela segue seu destino. Sabe bem o que vai dar, pois conhece aqueles olhos.

A Lenda do Boto

Interpretação de Lu Paternostro

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O boto é um animal encantado, que vive no universo fantástico dos sonhos e da imaginação humana. Mas dizem as lendas, que em certas noites, muito tarde mesmo, rondando as beiras dos rios, eles se transformam num homem muito bonito, todo vestido de branco, elegante, muito galante e que adora seduzir as mulheres jovens, cheias de vontades, amores e desejos ocultos. Leva um chapéu na cabeça e não o tiram jamais.

Ele aparece nos rios onde as mulheres solitárias ficam perdidas em pensamentos e sonhos ou apenas se banham, divertindo-se, nas noites claras. O boto-homem se aproxima e as envolve com toda sua sedução, prometendo a elas amor eterno.

Embevecidas de seus encantos, as jovens de deixam levar pela doçura de sua voz, palavras e acolhimento, doando-se a um momento de extremo prazer. Depois de tudo, ele some, deixando-as ávidas por um novo encontro, seus corações apertados com a lembrança quente do momento.

As vezes ele aparecem nas festas, chamando a atenção de todos pela sua beleza e altivez. Gostam de beber, dançar e seduzir as mulheres mais belas, charmosas e alegram-se a noite toda. Depois, mais uma vez, somem nos rios.

Nunca tiram o chapéu, porque ele tampa o orifício da cabeça do boto, aquele orifício por onde o boto respira e que tem um forte odor de peixe. Os homens dos povoados ficam cabreiros quando um homem com estas características aparece nas festas e pedem, imediatamente, para que ele retire o chapéu para verem se trata de um homem-boto.

As vítimas de seu encanto, depois de um tempo, aparecem grávidas, e concebem crianças sem pai. Juram veementemente que seus filhos são filhos de boto. Na região, toda criança que não sabe quem é seu pai, é considerada filho de boto.

E o boto, quem é?

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O boto é um cetáceo delfinídeo, um mamífero que vive nas águas doces, o golfinho do Amazonas, também chamado de boto vermelho, boto branco, piraia-guará ou pira-iauara, peixe-cachorro, Inia geoffrensis, Blainville. Foi estudado apenas em 1790, por Alexandre Rodrigues Ferreira, descobridor cientifico do cetáceo.

Nenhum animal do Amazonas foi sujeito a tantas fábulas como o boto.

Desde a antiguidade são considerados símbolos de fetiches, associados a Vênus ou Afrodite, deusa do amor,  a Apolo, deusa da beleza. Na igreja católica, onde é considerado um símbolo da eucaristia. O boto-tucuxi, segundo a crendice regional do Amazonas, “tem a virtude de amparar o naufrago, empurrando-o para a terra”, salvando-o do infortúnio.

Para Câmara Cascudo, em seu “Dicionário de Folclore”, o boto seria a personificação de Uauiará ou Uiara, o Senhor das Águas, um personagem típico de várias lendas do Pará, estado da Região Norte do Brasil, cujo animal em que ele se transformava era um boto. Uiara era um deus indígena, grande amante das índias, que ora as surpreendia no rio, nas festas, nas noites de lua cheia, fazendo a mor com elas, dando filhos a elas.

Nas estórias fantásticas assimiladas pelos índios, vindas dos europeus, os botos estão associados ao poder de sedução das mulheres, gozando de uma capacidade incrível de sentir o que elas desejam, e dar a elas um prazer fora do comum e de gerar filhos nela; quando uma mulher pari um filho que não tem pai, é considerado filho de boto. Dizem as lendas locais que o olho do boto seco é um amuleto de grande eficácia amorosa e que não há mulher que resista ao olho de boto preparado pelos pajés da região. Porém, há um respeito muito grande por esses seres, pois acreditam que possuam um poder divino.

O boto pode ser associado como a variante masculina da lenda da Iara (Mãe D´Água), também fantástica e sedutora. Câmara Cascudo, no mesmo livro citado acima, conta que o boto tinha o hábito de assumir a forma de uma bela mulher, com os cabelos até os joelhos e saindo a noite, atraia os homens até os rios. Se algum deles a seguia até a praia, ela segurava a vitima pela cintura e as mergulhava nas ondas soltando um grito de triunfo.

O fato é que o boto amazônico ou “noto-namorador” é cercado de crendices e lendas fantásticas, tema de crônicas brasileiras e europeias desde o século XVIII.

Painel Temático Ilustrado: O Grande Pássaro

Painel Temático Ilustrado
“O Grande Pássaro”

Neste grande painel a artista representa o movimento continuo de integração da natureza amazônica, que se move em constante transformação. O pássaro voa na busca do espírito livre.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Exposição permanente da artista visual no Bristol Manaus Airport Hotel. 

Em breve! Aguarde! 🙂

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