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Painel Temático Ilustrado com o tema da “Lenda da Vitória Régia”

Em exposição permanente, no Bristol Manaus Airport Hotel.

O painel ilustrado pela artista visual Lu Paternostro, apresenta a lenda da Vitória Régia, uma planta aquática de enormes folhas, fruto da transformação de uma indiazinha que amava a lua, e que morreu por ela, transformando-se na bela planta aquática.
Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Sobre o painel:

Este painel temático ilustrado de 5,5×1,5m, localizado no segundo pavimento do Bristol Manaus Airport Hotel, apresenta a transformação do amor de uma índia numa das mais belas plantas aquáticas do mundo, a Vitória Régia.

O pássaro, presente na cena das meninas que se banham à luz da Lua, é um prenúncio do que está para acontecer; representa a vontade da alma em se ver livre, desencarnada e voar. Sua simbologia está associada à imortalidade.

No centro do painel ocorre o momento da transformação, a hora em que a índia, em seu arroubo apaixonado, se irrompe em direção ao seu amado que, parece, a convida para seu último voo. Pisa nas águas para morrer. Insiro as flores como representação do divino, símbolo da beleza feminina, representando a abnegação passiva e a humildade. São brancas. Representam a inocência.

Morre e se transforma, para sempre, na Vitória Régia, uma planta que vive nas águas, dotada de grandes folhas redondas. Refletem sempre a lua, em sua plenitude.

A nova flor, símbolo do resultado bem-sucedido e do essencial, assume a posição central, a do coração da Lua, lugar de honra, dado apenas àquelas que provam um amor e uma submissão tão violentos. Morre mulher, renasce planta, continuando assim o ciclo de morte e vida eternos, agora, no ser a própria planta.

A Lenda da Vitória Régia

Interpretação de Lu Paternostro

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A lenda da vitória régia, uma enorme planta aquática que existe na Amazônia, é contata há milênios por pajés e velhas índias sábias. Contam eles, sempre reunidos a noite, à luz de uma acolhedora fogueira, que às margens do Rio Amazonas, as jovens índias de sua tribo se reuniam, adorando a Lua.

Acreditavam que sua força luminosa vinha de um jovem e bonito guerreiro, Jacy, que, em noite clara, escolhia uma delas para se tornar uma estrela no céu, vivendo eternamente ao seu lado.  Tanto isso acontecia que muitos pajés sabiam os nomes de muitas das estrelas que brilhavam sobre sua tribo.

Naiá, uma índia destemida, que nesta tribo vivia, amava muito a Lua. Amava seus raios fortes e sonhava todas as noites em ser escolhida por ela. Tentava tocar em seus raios com suas mãos e cantava para a Lua todas as noites.

Tentou por diversas vezes alcança-la subindo em árvores, caminhando até o topo das montanhas altas, mas ela parecia cada vez mais longínqua e silenciosa. Meses se passaram, mas Naiá nunca desistia de sonhar.

Um dia, sempre cantando, Naiá foi banhar-se num lago claro que refletia Jacy como um grande espelho, uma presença suntuosa e convidativa. Parecia que a olhava sorrindo, generosa, amiga. Pensou ser o guerreiro que estava lá para ficar com ela enquanto se banhava. Naiá amava tanto a Lua, que foi seguindo pelo lago em direção à ela, a fim de abraça-la, e mergulhou até sumir para sempre, em suas águas.

Os indígenas da tribo tentaram chamá-la, mas ela não os ouviu. Ficaram desolado olhando o que acabara de acontecer, como que paralisados.

Depois de um tempo, surgiu das águas uma luz misteriosa, bem na superfície do lago. Essa luz foi se transformando em uma bela folha redonda, tornando-se enorme, grandiosamente verde. Depois de um breve tempo, surgiu uma flor, que começou por uma pequena pétala que crescia, cresciam outras pétalas, formando uma linda estrela branca que perfumou todo o ambiente com seu perfume: era uma flor que só nascia a noite.

A Lua, Jacy, havia transformado a jovem índia numa das mais belas plantas que vivem no Rio Amazonas, a Vitória Régia, ou Uapé.

E sempre nas noites claras, quando a Lua ilumina as águas dos lagos, rios e igarapés, Uapé abre suas brancas pétalas, em sua plenitude máxima, perfumando todo o ambiente, demonstrando todo o carinho pelo seu amado Jacy.

Naiá se transformou, definitivamente, na gigante e bela flor das águas amazônicas, permanecendo, ao longo dos tempos, como a rainha das plantas aquáticas, refletindo para sempre a Lua em suas folhas.

E a Vitória Régia, existe mesmo? 

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A lenda conta a história do surgimento de uma das mais belas plantas aquáticas do mundo, a Vitória Régia. Pertence à família das Nynphaeceae. Os indígenas chamam-na de Uapé, Iapucacaa, Aguapé-assú, Jaçanã, ou Nampé.

Suas folhas são grandes, circulares e chegam a atingir uma área de três metros quadrados. São capazes de suportar as garças e outros pássaros que pousam em suas folhas verdes.

As flores da Vitória Régia são brancas ou rosadas, formadas por inúmeras pétalas. Abrem durante a noite e exalam um delicado e suave perfume. Podem tornar-se flores grandes, com até 30 cm de diâmetro. No seu centro existe uma capsula lotada de sementes que vão se depositando no fundo das águas, a cada mês de agosto que vão se enterrando cada vez mais com a presença dos raios solares, endurecendo-se. Os índios se alimentam dessas sementes e as aves ajudam a dissipá-las na natureza, plantando a vitória Régia por todas as partes que passam.

Além de sua beleza e perfume, a Vitória Régia possui uma raiz em forma de um tubérculo, parecido com o inhame, que os nativos agregam em sua alimentação. Eles a chamam de “forno-d’água”, por sua semelhança com um tacho de torrar farinha. Desses tubérculos, os indígenas extraem um sumo, uma tintura preta, que a usam para pintar os seus cabelos.

E sempre nas noites claras, quando a Lua ilumina as águas dos lagos, rios e igarapés, Uapé abre suas brancas pétalas, em sua plenitude máxima, perfumando todo o ambiente, demonstrando todo o carinho pelo seu amado Jacy.

Naiá se transformou, definitivamente, na gigante e bela flor das águas amazônicas, permanecendo, ao longo dos tempos, como a rainha das plantas aquáticas, refletindo para sempre a Lua em suas folhas.

 

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