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Painel Temático Ilustrado com o tema da “Lenda das Amazonas”

Em exposição permanente, no Bristol Manaus Airport Hotel.

O painel ilustrado pela artista visual Lu Paternostro, mostra a lenda das amazonas, mulheres fortes, guerreiras, de uma tribo onde só existiam mulheres. Na hora de seu acasalamento, com índios de outra tribo, elas davam a eles os Muiraquitãs, sapinhos mágicos, que os encantava para sempre.
Neste artigo você vai saber mais sobre a composição do painel, conhecer a lenda e seu personagem principal.

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Copyright Lu Paternostro. Proibida reprodução sem autorização | Reproduction prohibited without permission.

Para o painel temático ilustrado de 5,5×1,5m, localizado no quinta pavimento do Bristol Manaus Airport Hotel, minha ideia era dar muita presença à Natureza exuberante da Mata Amazônica, dissolvendo a noção estrutural da realidade, dando à imagem uma aura onírica, onde peixes, flores, muiraquitãs, personagens, pássaros e outros elementos “flutuam”  pela composição, fundindo-se. Nada é imóvel. Podemos ver tudo em transformação.  A própria Amazonas está em transformação.

A Amazonas da direita representa o aspecto guerreiro dessas personagens cheias de mitos. Tem como ato primordial o ataque, o ataque pela defesa. Está sempre a postos, em guarda, atenta ao que pode vir.

No centro, a mesma Amazonas agora está no seu momento de cópula, semi mergulhada no lago mágico, dando à luz, através de suas mãos, e pela força realizadora da Natureza, os Muiraquitãs, amuletos que ajudam os índios guerreiro em suas lutas. Os amuletos representam o poder divino.

Embora guerreiras, são carinhosas e devotadas a este ritual anual de perpetuação de sua raça e tornam-se mulheres amantes, verdadeiras e carinhosas com seus companheiros. Dão a eles os Muiraquitãs e recebem suas futuras filhas.

Depois disso, o ciclo recomeça.

A Lenda das Amazonas

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Não se sabe ao certo se as Amazonas, mulheres guerreiras que abdicavam de um seio para melhor manusear o arco e a flecha, existiram.  Muito menos aqui no Brasil. Mas o fato é que desde a antiguidade elas habitam o imaginário humano e sua lenda se tornou popular dando nome ao Estado do Amazônas.

Segundo Luís da Câmara Cascudo, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Frei Gaspar de Carvajal se deparou com estas destemidas guerreiras no dia 24 de Junho de 1541, na foz do Rio Jamundá, dia de São João. Descreveu: “A estas nós as vimos, que andavam combatendo diante de todos os índios com capitãs, e lutavam tão corajosamente que os índios não ousavam mostrar as espáduas, e ao que fugia diante de nós, o matavam a pauladas… Estas mulheres são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muito membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios. E em verdade houve uma destas mulheres que meteu um palmo de flesha por um dos bergantins, e as outras um pouco menos, de modo que os nossos bergantins pareciam porco espinho”. (Descobrimento do Rio das Amazonas. São Paulo, 1941)

Acreditava-se que estas guerreiras viviam em uma aldeia onde haviam somente mulheres. Eram conhecidas pelos índios como Icamiabas, ou mulheres sem maridos e viviam no interior da região do Rio Nhamundá, conhecida por País das Pedras Verdes. Desta região originavam-se os Muiraquitãs.

Os Muiraquitãs eram objetos sagrados, pequenas esculturas de animais, feitos em pedras verdes. O formato mais comum é o do sapo.

Anualmente as Amazonas celebravam a lembrança de suas vitórias sobre os homens. No dia da festa, iam aos bandos à margem do lago encantado Yaci uarua, ou espelho da Lua. Nesta noite acasalam-se com os índios de uma tribo vizinha, os Guacaris.

À meia noite, quando a Lua refletia sua brilhante luz sobre o lago, as amazonas mergulhavam em suas águas, como que numa purificação simbólica.

Ao emergirem, traziam do fundo das águas o barro verde com o qual moldavam os Muiraquitãs que logo secavam em contato com o ar. Estes pequenos talismãs mágicos eram dados de presente para seus amados guerreiros, enrolados em tranças de cabelos das amazonas. Eles os carregavam como amuletos ou os vestiam em colares. Eles os protegem dos malefícios, assegurando felicidade em suas batalhas.

Dos filhos nascidos dessa união, as meninas permaneciam na tribo das amazonas e os meninos ou eram mortos ou, talvez, entregues aos pais.

 

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