Explosão de cores, passos acrobáticos e sombrinhas vibrantes que transformam Recife e Olinda em um grande redemoinho de alegria. Um ritmo urbano, irreverente e virtuoso que é símbolo maior do Carnaval pernambucano.

Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Lua tão linda, lua, lua, lua de Olinda
O sol abraça Recife tá chegando o carnaval, lua, lua linda
Lua nova que vi e fiquei sem dormir quando lembrei dos
olhos dela
Sob os raios de ouro e as estrelas de prata vi teu corpo moreno tremendo de
amor
Lembrei do Marco Zero onde ganhei a gata e da gente se amando no escurinho da
praça
Mergulhei no meu sonho real fantasia quando o sol despertava e a lua dormia
Lembrei do Marco Zero onde ganhei a gata e da gente se amando no escurinho da praça
Mergulhei no meu sonho real fantasia quando o sol despertava e a lua dormia
Lua tão linda, lua, lua, lua de Olinda
O sol abraça Recife tá chegando o carnaval, lua, lua linda...
Frevo da Lua
Composição de Alceu Valença, Maurício
Oliveira e Gabriel Moura
_________________
Frevo: A Explosão de Alegria que Faz Pernambuco Dançar!
Prepare-se para sentir a efervescência, a agitação e o rebuliço de um dos ritmos mais vibrantes do Brasil: o Frevo!
Nascido no carnaval de Pernambuco, no final do século XIX, ele se enraizou nas cidades de Recife e Olinda, tornando-se um símbolo de alegria, resistência e pura energia.
Com mais de um século de existência, o Frevo é um dos pilares do carnaval brasileiro, uma das mais significativas manifestações culturais do país.
_____
A Origem Fervilhante: Onde o Frevo Nasceu
O Frevo é um gênero musical urbano, extremamente acelerado, que tem características de competição desde sua origem. Ele surgiu em um momento de profundas transformações sociais e políticas em Pernambuco, na virada do século XIX para o século XX.
Para estudiosos como José Ramos Tinhorão, o Frevo é criação de músicos brancos e mulatos, muitos deles instrumentistas de bandas militares, tocadores de marchas e dobrados, ou componentes de grupos especialistas em música de dança da época, como polcas, tangos e maxixes.
O bairro de São José, nas áreas próximas ao porto de Recife, é considerado o berço do Frevo de Rua. Ali, as bandas militares e suas rivalidades, junto com os escravos recém libertados e capoeiristas, iam para as ruas em um momento em que as classes populares conquistavam seu espaço nas cidades.
Surgido das classes menos favorecidas da sociedade, o Frevo foi, a princípio, renegado pela elite. Mas sua energia estimulante e a alegria permanente logo seduziram todas as esferas da população.
Frevo: O Nome que Explode em Significado
O nome "Frevo" vem de "ferver", um ritmo que causa efervescência, agitação, rebuliço e uma aura de muita vivacidade aos seus participantes. É a "chaleira que ferve", indicando que a cidade vai ferver para brincar, e não para brigar!
Patrimônio Imaterial: Um Tesouro de Pernambuco para o Mundo!
O Frevo é uma manifestação cultural tão rica e importante que foi reconhecida nacional e internacionalmente:
- Em fevereiro de 2007, o Frevo foi inscrito no Livro dos Registros de Bens Imateriais do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), na categoria “Formas de Expressão”. Carmem Lélis, diretora da Casa do Carnaval e importante especialista em Frevo, foi uma das responsáveis pelo dossiê que levou a esse reconhecimento.
- Em 2012, a UNESCO reconheceu o Frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Patrimônio Imaterial são as tradições vivas, as expressões, os conhecimentos e as práticas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Frevo, com sua música, dança, história e a paixão de seus brincantes, é um exemplo vibrante de como a criatividade e a alegria são transmitidas de geração em geração, moldando a identidade de um povo.
Os Três Tipos de Frevo: Uma Dança de Emoções
Do repertório variado e eclético dessa música ligeira, feita para o carnaval, nasceram os três tipos de Frevo:
- Frevo-de-Rua: Não possui letras, feito unicamente para ser dançado. É o "Frevo Rasgado", onde você vai para a rua para extravasar, sem precisar saber passos complexos.
- Frevo-de-Bloco: Possivelmente vindo de serenatas feitas por grupos de rapazes munidos de violões, banjos, cavaquinhos e clarinetes. Atualmente, as mulheres também participam, e ele é mais lírico, com um coral feminino e uma orquestra de pau e cordas (com violinos, violões, banjos e pandeiros, e pouco metal).
- Frevo-Canção (ou Marcha-Canção): Possui letras e se parece muito com as marchinhas de carnaval, com uma melodia mais cantada.

A Dança do Frevo: Mais de 100 Passos de Pura Agilidade!
A dança do Frevo, conhecida como "passo", é uma das suas maiores riquezas. Com mais de 100 tipos de passos catalogados, ela é um jogo de braços e pernas que exige flexibilidade, agilidade e a destreza de um acrobata.
- Origem Capoeirista: Os primeiros passos são atribuídos à ginga dos capoeiristas, que defendiam os blocos e contribuíram na criação dos movimentos. A presença negra no Brasil, que era de luta, passa a ser de alegria e dança no Frevo.
- Nomes Criativos: Os nomes dos passos fazem referência ao mundo do trabalho e às profissões dos participantes, como "parafuso", "dobradiça", "locomotiva", "ferrolho", "tesoura", "pontilhado", "ponta de pé", "calcanhar", "Saci-Pererê" e "pernada" (com movimentos fortes da capoeira).
- Influências Globais: Além das raízes locais, o Frevo absorveu influências de outras culturas. Da dança eslava vieram os famosos saltos conhecidos como "carpados", e até musicais americanos inspiraram passos como o "passeio na pracinha".
O Frevo pode ser dançado de duas formas: uma com passos complexos e acrobáticos, e outra, mais livre, onde o povo simplesmente se entrega à alegria e participa, sem regras rígidas. Como dizem: "Você pode dançar com os braços, o dedo para cima… qualquer passo que você queira, não precisa ser um bailarino especial para dançar o Frevo!"
A Sombrinha: De Arma de Defesa a Símbolo de Alegria
A sombrinha colorida é parte do tradicional adereço dos dançarinos e um dos principais símbolos do carnaval pernambucano. Mas sua história é fascinante!
- Origem como Arma: No início do Frevo, a capoeira era proibida no Brasil. As sombrinhas teriam sido usadas como armas de defesa pelos capoeiristas que protegiam os blocos. Eram guarda-chuvas pretos, velhos e esfarrapados, ou apenas a armação, usados para furar em caso de conflito.
- Transformação: Com o tempo, o guarda-chuva foi se modificando, se colorindo, diminuindo e fazendo parte da alegoria da festa, tornando-se um ornamento vibrante que exalta os movimentos dos dançarinos.

Compre a caneca Frevo na Amazon
Caneca de Café 300ml Frevo – Arte Brasileira Colecionável com QR Code Exclusivo | Brasis em Traços – Lu Paternostro
Indumentária: Cores que Exaltam o Movimento
A vestimenta característica do Frevo é um espetáculo à parte, com roupas de um colorido vivo e muito brilho, que exaltam os movimentos e se destacam aos olhos dos espectadores:
- Homens: Camisas mais curtas, justas ou amarradas na cintura, e calças bem apertadas, variando entre abaixo do joelho e acima do tornozelo.
- Mulheres: Saias curtíssimas ou fitas que caem como saias, shorts curtos por baixo e corpetes ou blusas curtas.
A Orquestra do Frevo: A Batida que Contagia
A música é a alma do Frevo, e as orquestras são o coração dessa batida frenética. Elas são compostas principalmente por instrumentos de metal, que dão a sonoridade potente e inconfundível do Frevo de Rua:
- Trompetes, Trombones e Saxofones: Os metais são a espinha dorsal da melodia e da harmonia, com suas notas agudas e vibrantes.
- Tubas e Bombardinos: Dão a base e a profundidade sonora.
- Percussão: Caixas, surdos e outros tambores garantem o ritmo acelerado e contagiante.
No Frevo de Bloco, a orquestra de pau e cordas traz violões, banjos, cavaquinhos, violinos e pandeiros, criando uma sonoridade mais lírica e melódica.
A Comunidade do Frevo: Guardiões de uma Tradição Viva
Por trás de cada passo, cada nota e cada sombrinha colorida, há uma comunidade de artistas, dançarinos, músicos e professores que dedicam suas vidas ao Frevo. Grupos como os Guerreiros do Passo, que dão aulas de danças pernambucanas para a comunidade desde 2006, e a Companhia Trapiá de Dança, que faz do Frevo um espetáculo teatral com muita dança e música, são exemplos vivos dessa paixão.
Ver uma criança como João Lucas, de apenas 8 anos, com "muito Frevo no pé", é a certeza de que essa manifestação cultural jamais morrerá. O Frevo está umbilicalmente ligado ao povo pernambucano; pensar em um é lembrar do outro.
Por que o Frevo é tão grandioso?
Porque ele é:
- Ritmo: Que incendeia a alma e faz o corpo vibrar.
- Dança: Que expressa a liberdade, a agilidade e a criatividade.
- História: Que conta a luta e a resistência de um povo.
- Arte: Nas músicas, nos passos, nas fantasias e na sombrinha.
- Patrimônio: Que nos lembra da importância de preservar a cultura democrática e libertadora de Pernambuco.
O Frevo é a quentura, a brasa no pé, a vontade de explodir em alegria que faz de Pernambuco o centro da cultura brasileira!

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro
______________
- Samba de Coco de Arcoverde. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços.
- Folia de Bois de Arcoverde. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços.
- Cientistas e Sanitaristas Brasileiros
- NFT ART “Little Worlds ‘Multi Mundos’ Cryptos LWCU” (1987-88)
- Livro Brazílske Legendy | Lendas Brasileiras
_______________
NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores
Veja também

Ilustração "Carnaval". Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços

Sanfoneiro. Tipos Tradicionais Brasileiros. Série Brasis em Traços

Painéis Temáticos Lendas da Amazônia

Para mim, a grande arte está no todo. 