Roda dançada com pés batendo forte no chão, palmas, cocos e vozes que ecoam ancestralidade. Um ritmo pulsante do Sertão, onde cada giro é festa e resistência cultural.
Ilustração "Samba de Coco de Arcoverde", da Coleção "Manifestações da Cultura Brasileira. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
“Eu vim de longe, eu vim de lá Pra sambar coco, pra me alegrar No terreiro de Arcoverde, a gente se encontra
Com a força do coco, a tradição que aponta!”
Toada popular do Samba de Coco
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Samba de Coco de Arcoverde: O Ritmo Ancestral que Pulsa no Coração do Sertão!
Prepare-se para sentir a batida forte dos pés no chão, o estalo das mãos e a voz que ecoa a ancestralidade!
O Samba de Coco de Arcoverde é uma das mais autênticas e vibrantes manifestações da cultura popular pernambucana, um ritmo que pulsa no coração do Sertão, unindo dança, música e uma profunda conexão com as raízes africanas e indígenas do Brasil.
Arcoverde: O Berço do Coco no Agreste e Sertão
Arcoverde, cidade no Agreste pernambucano, é um caldeirão cultural onde diversas tradições florescem. É nesse cenário de paisagens marcantes e rica história que o Samba de Coco se manifesta com uma energia contagiante, especialmente em festas populares, celebrações comunitárias e encontros culturais.
O Samba de Coco é uma herança cultural que remonta aos tempos da escravidão, nascido nos engenhos e quilombos do Nordeste. Em Arcoverde, ele se desenvolveu com características muito próprias, absorvendo influências locais e mantendo viva a essência de uma dança de roda que celebra a vida, a fé e a resistência.
Patrimônio Imaterial: A Voz que Ecoa a Tradição
O Samba de Coco, em suas diversas formas pelo Nordeste, é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em várias de suas manifestações. O Samba de Coco de Arcoverde, com sua singularidade e força, é um tesouro vivo que reflete a identidade do povo sertanejo e a riqueza da cultura afro-brasileira.
Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Samba de Coco de Arcoverde é um exemplo vibrante de como a música, a dança, a oralidade e a coletividade são transmitidas de geração em geração, moldando a identidade de um povo.
A Roda do Coco: Onde a Magia Acontece
O Samba de Coco é, essencialmente, uma dança de roda. Os participantes formam um círculo, e a energia começa a fluir:
• A Batida do Coco: O ritmo é marcado principalmente pelo som dos pés no chão (sapateado), das palmas das mãos e, em algumas variações, pelo estalo de cocos secos batidos uns contra os outros. Essa batida é hipnótica e contagiante.o de drama e comédia, onde a comunidade participa ativamente, torcendo pelo boi e celebrando seu renascimento.
• A Roda: É o espaço sagrado onde a dança acontece. Os brincantes (dançarinos) se posicionam lado a lado, batendo os pés no chão e as mãos no corpo ou nas palmas.
O Centro da Roda: É onde os solistas se revezam, mostrando sua destreza no sapateado e na improvisação.
Música e Ritmo: A Batida Ancestral que Faz o Corpo Vibrar
A música é a alma do Samba de Coco, com toadas que são cantadas em coro, muitas vezes com versos improvisados que contam histórias do cotidiano, da fé, do amor e da vida no Sertão. O ritmo é forte, pulsante e irresistível:
Toadas: As canções são curtas, repetitivas e fáceis de aprender, convidando todos a participar do coro.
Improvisação: Os cantadores (mestres e solistas) improvisam versos, criando um diálogo musical com a roda.
Ritmo Percussivo: A percussão é a base do coco, com a batida dos pés no chão, das palmas das mãos e, em alguns grupos, de instrumentos como o ganzá, pandeiro, triângulo e zabumba. O som do coco seco batido é o elemento que dá nome à dança e a torna única.
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A dança do Samba de Coco é marcada pela espontaneidade e pela energia:
• Expressão Corporal: A dança é livre, cheia de movimentos de braços, quadris e ombros, que expressam a alegria, a força e a sensualidade do povo.
• Ginga e Sapateado: Os brincantes batem os pés no chão em um ritmo cadenciado, com movimentos que lembram a ginga da capoeira e o sapateado das danças ibéricas, mas com um balanço tipicamente nordestino.
• Umbigada: Em algumas variações do coco, a umbigada (toque de umbigo entre os dançarinos) é um convite para entrar na roda e assumir o centro, simbolizando a transmissão de energia e a continuidade da dança.
Indumentária: A Simplicidade que Reflete a Alma
As vestimentas do Samba de Coco de Arcoverde refletem a simplicidade e a beleza da cultura sertaneja:
Adereços: Lenços, flores no cabelo e outros adereços simples podem complementar o visual, mas o foco está na liberdade de movimento e na expressão corporal.Fé e Comunidade: A Devoção que Move a Folia
Roupas Leves e Coloridas: Geralmente, os brincantes usam roupas confortáveis, como saias rodadas de chita para as mulheres e calças e camisas leves para os homens, muitas vezes em cores vibrantes que celebram a alegria da festa.
A Folia de Bois de Arcoverde é profundamente ligada à fé e à vida comunitária. As apresentações são uma forma de louvor e agradecimento, especialmente a São João, mas também a outros santos populares.
A folia vai de casa em casa, levando alegria e bênçãos, e a comunidade retribui com doações que ajudam a manter a tradição. É um momento de união, onde vizinhos e amigos se reúnem para celebrar, dançar e fortalecer os laços sociais. A festa é feita pelo povo e para o povo, um reflexo da resiliência e da alegria do sertanejo.
Fé e Comunidade: A Força que Mantém o Coco Vivo
O Samba de Coco de Arcoverde é profundamente enraizado na vida comunitária e na fé do povo. As rodas de coco são momentos de celebração, união e resistência:
Celebração da Vida: É uma forma de extravasar as dificuldades do cotidiano, celebrar as colheitas, as festas e a própria existência.
Conexão Ancestral: O ritmo e os cantos do coco são um elo com os antepassados, uma forma de manter viva a memória e a cultura africana e indígena.
União Comunitária: As rodas de coco são espaços de encontro, onde vizinhos, amigos e familiares se reúnem para dançar, cantar e fortalecer os laços sociais. A festa é feita pelo povo e para o povo, um reflexo da resiliência e da alegria do sertanejo.
Por que o Samba de Coco de Arcoverde é tão importante para o Brasil?
Porque ele é:
Ancestral: Uma ponte viva com as raízes africanas e indígenas do Brasil.
Vibrante: Um ritmo contagiante que faz o corpo e a alma vibrarem.
Comunitário: Feito pela e para a comunidade, fortalecendo laços e celebrando a vida.
Autêntico: Uma expressão genuína da cultura do Sertão pernambucano.
Resistência: Um símbolo da força, da alegria e da capacidade de superação do povo sertanejo.
O Samba de Coco de Arcoverde é a batida do Sertão que ecoa a história, a fé e a alegria de um povo que dança para celebrar a vida!
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
Brincadeira sertaneja em que o boi, seus vaqueiros e personagens cômicos contam histórias de luta e alegria. Música, cores e teatro popular celebram a vida no campo e a fé do povo pernambucano.
Ilustração "Folia de Bois de Arcoverde", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
“Eu sou o Boi Estrela, sou de Arcoverde Minha estrela brilha, meu povo me entende
No terreiro da folia, a gente se encontra Com a força do Sertão, a tradição que aponta!”
Toada popular da Folia de Bois de Arcoverde
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Folia de Bois de Arcoverde: A Força do Sertão que Dança e Encanta!
Prepare-se para sentir a energia vibrante do Sertão pernambucano, onde a tradição e a alegria se encontram em uma das mais autênticas manifestações culturais do Brasil: a Folia de Bois de Arcoverde. Longe do litoral, no coração do Agreste e Sertão, essa festa popular é um espetáculo de cores, música, dança e uma profunda conexão com a identidade rural e a fé do povo.
Arcoverde: O Berço da Folia no Sertão de Pernambuco
Arcoverde, localizada no Agreste pernambucano, é uma cidade que pulsa cultura e tradição. É nesse cenário de paisagens áridas e rica história que a Folia de Bois floresce, especialmente durante o período do Carnaval e das festas juninas, embora sua essência transcenda essas datas.
A Folia de Bois de Arcoverde é uma expressão que remonta às antigas brincadeiras de boi que se espalharam pelo Nordeste, mas que, no Sertão, ganharam características muito próprias, misturando elementos do Bumba Meu Boi maranhense, do Boi de Reis e das tradições locais. É uma celebração da vida no campo, da relação do homem com o gado e da fé em São João e outros santos populares.
Patrimônio Imaterial: A Alma do Sertão em Movimento
A Folia de Bois de Arcoverde, com sua riqueza e singularidade, é um patrimônio vivo que reflete a identidade do povo sertanejo. Embora possa não ter um título unificado de Patrimônio Imaterial da Humanidade, suas manifestações são reconhecidas e valorizadas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em diversas esferas, sendo um pilar da cultura pernambucana.
Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. A Folia de Bois de Arcoverde é um exemplo vibrante de como a música, a dança, o teatro popular e a fé se entrelaçam para contar a história e a alma de um povo.
O Enredo da Folia: Vida, Morte e Ressurreição do Boi
Assim como em outras manifestações de boi pelo Brasil, a Folia de Bois de Arcoverde encena um enredo que celebra o ciclo da vida, da morte e do renascimento, com um toque sertanejo:
O Boi: A estrela da festa, um boneco ricamente adornado, que representa a força e a vitalidade do gado, tão essencial para a vida no Sertão.
Pai Francisco e Mãe Catirina: O casal cômico que, com seus desejos e peripécias, desencadeia a trama da morte do boi.
O Vaqueiro: Figura central do Sertão, que tenta salvar o boi ou, em alguns casos, é o responsável por sua "morte" simbólica.
O Pajé ou Curandeiro: Com seus rituais e saberes ancestrais, é o responsável por trazer o boi de volta à vida, em um ato de fé e magia.
A encenação é um misto de drama e comédia, onde a comunidade participa ativamente, torcendo pelo boi e celebrando seu renascimento.
Personagens: A Galeria do Sertão em Festa
A Folia de Bois de Arcoverde é um desfile de personagens que representam a vida e o imaginário do Sertão:
Mestre e Cantadores: Os líderes do grupo, que conduzem as toadas e a narrativa.
O Boi: O boneco principal, com sua estrutura de madeira e tecido, ricamente decorado com fitas, lantejoulas e adereços coloridos.
Vaqueiros: Com seus chapéus de couro e gibões, representam a bravura e a lida do campo.
Índios e Caboclos: Com suas penas e pinturas, trazem a ancestralidade e a conexão com a terra.
Mateus e Catirinas: Figuras cômicas que interagem com o público, pedem doações e garantem o riso.
Caretas e Caiporas: Personagens mascarados que adicionam um toque de mistério e irreverência à folia.
A música é o coração da Folia de Bois, com toadas que contam histórias, celebram a fé e animam a dança. Os ritmos são contagiantes e refletem a diversidade musical do Nordeste:
Forró: Com a sanfona, zabumba e triângulo, traz a alegria e o arrasta-pé do Sertão.
Coco de Roda: Um ritmo percussivo e dançante, com palmas e cantos que convidam à participação.
Maracatu Rural: Em algumas influências, pode-se perceber a força dos tambores e a herança africana.
Toadas de Boi: Canções específicas que narram o enredo do boi, com letras que se renovam a cada ano, incorporando fatos e histórias locais.
Os instrumentos mais comuns são: sanfona, zabumba, triângulo, pandeiro, violão e cavaquinho, criando uma sonoridade rica e vibrante que faz o povo dançar.
Artesanato e Indumentária: A Beleza Feita à Mão
A Folia de Bois de Arcoverde é um verdadeiro ateliê a céu aberto, onde a criatividade e o artesanato se encontram para criar um universo de fantasia:
O Boi: A construção do boneco do boi é um trabalho artesanal minucioso, que envolve a estrutura, a cobertura de tecido e a decoração com brilhos, fitas e espelhinhos.
Fantasias: As vestimentas dos personagens são coloridas e detalhadas, com chapéus de vaqueiro, penas de índio, máscaras de caretas e roupas de chita, que refletem a cultura e a estética sertaneja.
Adereços: Espadas, berrantes, chocalhos e outros acessórios complementam as fantasias e dão vida aos personagens.
Por trás de cada peça, há o trabalho incansável de artesãos e membros da comunidade que dedicam tempo e talento para manter viva essa tradição, transformando materiais simples em obras de arte que encantam a todos.
Fé e Comunidade: A Devoção que Move a Folia
A Folia de Bois de Arcoverde é profundamente ligada à fé e à vida comunitária. As apresentações são uma forma de louvor e agradecimento, especialmente a São João, mas também a outros santos populares.
A folia vai de casa em casa, levando alegria e bênçãos, e a comunidade retribui com doações que ajudam a manter a tradição. É um momento de união, onde vizinhos e amigos se reúnem para celebrar, dançar e fortalecer os laços sociais. A festa é feita pelo povo e para o povo, um reflexo da resiliência e da alegria do sertanejo.
Por que a Folia de Bois de Arcoverde é tão grandiosa?
Porque ela é:
Autêntica: Uma expressão genuína da cultura do Sertão pernambucano.
Viva: Uma tradição que se renova a cada ano, com novas toadas e personagens.
Comunitária: Feita pela e para a comunidade, fortalecendo laços e celebrando a vida.
Arte Popular: Um espetáculo completo de música, dança, teatro e artesanato.
Resistência: Um símbolo da força e da alegria do povo sertanejo, que mantém suas raízes vivas.
A Folia de Bois de Arcoverde é o coração do Sertão que bate forte em ritmo de festa, um convite para sentir a magia e a paixão da cultura pernambucana!
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
Era essa a proposta para a criação de um Projeto Expografico integrando todas áreas do hotel.
A exposição "Recortes de Manaus" é uma exposição fotográfica permanente, com fotos de Lu Paternostro e do fotografo Sergio Fecuri.
A proposta é encantar o hóspede de qualquer lugar do mundo, com fotos e recortes fotográficos em grandes formatos, inserindo o visitante nos temas específicos da região, levando-o a conhecer os monumentos e estátuas de Manaus, a fauna e flora da Amazônia, com botos que parecem, de tão realistas, nadar dentro das paredes, ou a onça pintada, enorme, que observa a cada pessoa que passa.
Além da fauna e natureza local, é contemplado a borracha e o processo artesanal de produção, o artesanato, a arquitetura famosa e detalhes que poucos observam delas, como inscrições antigas e que só um olhar muito atento, encontra escondido por uma cidade um tanto quanto caótica. Maquinários, datas e tantos outros detalhes, mostram um pouco da história da cidade e da região.
Para quem visita o hotel, se sente mais próximo do destino, levando para si, um pouco de sua alma, muitas vezes, sem poder visitar pessoalmente. São mais de 40 imagens que possibilitam ao visitante fazer essa "viagem dentro da viagem".
Uma dança folclórica da Palestina, Líbano e Síria. Dabke significa “sapateado”. Podem participar de 6 a 15 dançarinos e dançarinas.
Ilustração "Sírios Libaneses e a Dança Dabke", da série "Imigrantes Brasileiros. Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
A Dança Dabke
O povo Sírio e o Libanês, são cheios de histórias muito antigas, tradições e a religião presente na sua vida, na sua arte, música. Inseriram várias palavras em nosso vocabulário, e nos influenciou com sua rica gastronomia típica, que agora pode-se dizer “brasileira”, como a esfirra, o quibe, a qualhada, o labne (qualhada seca), o homus (pasta de grão de bico) e tantas outras que já se incorporaram na nossa cozinha e gosto. E sabem ser mestres na arte do comércio, trazendo toda sua tradição secular e cultural de comerciantes para nossas cidades, principalmente a cidade de São Paulo, na rua 25 de março e bairros como Bom Retiro e Brás, dentre outros.
Na dança, a mais conhecida para nós, é a dança do ventre, porém, seguindo a linha de trazer temas mais tradicionais das culturas, procurei uma dança mais típica e histórica, escolhendo a representação folclórica da dança Dabke.
Para os árabes, a dança é uma importante expressão artística e a Dabke é uma das mais representativas, é dançada na época da primavera, estação das chuvas, ou em casamentos na época das colheitas.
Dabke significa “sapateado”. Podem participar de 6 a 15 dançarinos e dançarinas.
Representa, de forma geral, o ato de amassar o barro: acredita-se que possa ter originado da necessidade de se consertar as casas que, antigamente, eram feitas de pedra e lama, com seus tetos de madeira, palha e lama. Com o passar do tempo, a camada de palha e lama se quebrava e, para não infiltrar a água da chuva dentro das casas, estas eram reparadas com lama molhada.
Para fazê-la o povo se unia e ia umedecendo a lama e pisoteando-a, um trabalho que exigia a presença de muita gente da comunidade e levava muito tempo. Os vizinhos se ajudavam: se alinhavam, agarravam as mãos e avançavam um passo e pisoteavam, depois dava um passo à direita e pisoteavam novamente. Isso foi dando início a uma coreografia.
Durante esse processo, cantavam poesias e dançavam ao ritmo delas, dando um passo à frente, um pisoteio e um passo à direita e outro pisoteio. Com tempo o ato começou a se enraizar e começaram a chegar os instrumentos, dando origem à dança e à música do dabke.
Por ser de origem campesina, não se usam muitas cores, e sim trajes mais simples. Porém, nas danças apresentadas por grupos para folclóricos, feitas para apresentações em palco, normalmente as vestimentas são mais enfeitadas, coloridas e até, um pouco, descaracterizadas. Mas isso é parte da apresentação.
Em minhas ilustrações, gosto de usar as cores vivas. Aqui, respeitando as vestimentas mais sóbrias em sua origem, ao fundo, resolvi explodir os tons laranjas vivos e quentes, deixando as figuras mais suaves em destaque.
O Narguilé
Em primeiro plano, por ser um objeto bem detalhado e, em algumas versões, bastante coloridos e enfeitados, coloquei a imagem de um narguilé, um cachimbo de água, utilizado para fumar tabaco aromatizado, dentre outros tipos de fumo.
Seu nome é de origem persa e é utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia. Têm-se espalhado, recentemente, para a Europa e Américas.
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
Os Sudaneses, não estamos falando dos habitantes do país Sudão, mas o povo de uma grande região da África, a costa central-ocidental, são considerados uma nação, um grupo étnico cultural, ou seja, falavam quase a mesma língua, possuem os mesmos hábitos e religiões semelhantes. Foram eles que trouxeram para o Brasil, o candomblé.
Ilustração "Africanos Sudaneses e a Dança dos Orixás", da série "Imigrantes Brasileiros. Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Junto com os Bantos, que foram os primeiros a chegar aqui, formam os dois maiores grupos de escravizados que vieram para o Brasil. Com o tempo vieram negros de outras regiões, mas estes foram os que mais influenciaram nossa cultura.
Ambas as culturas, Bantos e Sudaneses, acreditavam em várias entidades, como os orixás (para os Bantos, os inquices). Acima deles, estava o Deus supremo, a entidade suprema que tudo cria. Para os Sudaneses essa entidade máxima chama-se Olorum e para os Bantos, caham-se Zambi. Mesma realidade com nomes diferentes.
Os Sudaneses trouxeram para o Brazil o Candomblé.
Candon significa tambor. Candongueiro é o escravo que tocava o tambor na língua iorubá, dos Sudaneses. O Candongueiro era, também, uma espécie de “dedo-duro”: quando os escravos estavam trabalhando numa lavoura, por exemplo, o candongueiro, percebendo o feitor distraído, tocava o tambor num ritmo específico que os escravos já entendiam que eles poderiam fugir. E se a fuga fosse descoberta, o candongueiro mudava o ritmo e os escravos se continham, pois eles haviam sido descobertos.
O Candomblé não tem um livro sagrado, mas narrativas, ou itãs.
Na narrativa de um Itan, a criação do mundo é mais ou menos assim: Não havia separação entre os deuses ou o Deus supremo, Olorun, e os homens, nem entre o céu e a terra. Um dia, um homem tocou o Orun, que é o céu, com as mãos sujas. Olorum (Deus supremo) ficou indignado e soprou forte, e com esse sopro, ele separou o céu (Orun) da Terra (Aiyê).
No Orun, no céu, nós temos o panteão, onde habitam os orixás, entidades divinas que nunca tiveram existência na terra, criados por Olorum, e os eguns, homens que tiveram existência na terra e que são os nossos antepassados.
A união entre os dois espaços, o céu, Orun e a Terra, Aiyê, acontece dentro do culto ou no terreiro de Candomblé. No Brasil temos 12 divindades mais populares, e, no terreio, eles ficam no panteão dos orixás, no centro, onde os vemos dançando, incorporados nos médiuns.
Cada um tem um nome, símbolos que o representam, suas personalidades forças e poderes, suas cores, colares de contas com combinação de cores especificas, dias da semana e, no sincretismo, os santos católicos que os representam, dentre outras características. Cada um tem um tipo de oferenda e de música.
As oferendas, dadas aos orixás, específicas para cada orixás, é uma forma da pessoa se realinhar com eles, com o céu, com a Terra, a Orun. É o dar e receber.
Embora seja uma religião monoteísta, os Orixás, que estão diretamente ligados a Olorun como emissários, entidades espirituais representantes do Deus supremo, tem seu espaço dentro da criação e se conectam mais fortemente aos anseios dos homens e mulheres devotos, recebendo mais destaque. Olorun acaba ficando oculto, abstrato, e até esquecido, mas é super respeitado no mais íntimo de cada homem. Olorun, o Deus supremo, encarregou um Orixá, Oxalá, da criação dos homens, do mundo.
No Candomblé, temos 3 forças essenciais: o Iva, ou a criação, o Axé, que faz a criação desabrochar e Obá que dá um destino, um rumo certo para a criação.
Como gosto de desenhar as danças tradicionais dos povos, resolvi representar a Danças dos Orixás, na verdade um pequeno momento do que é o ritual e seu movimento.
Minha vontade aqui foi de criar um desenho muito colorido, com tons bem característicos do Brasil, com cores fortes, vivas e quentes.
Os orixás são muito detalhados em suas vestimentas e isso dá uma boa chance de os brindarmos com formas ricas, profusas, muitas cores e movimento!
No desenho, o tocador de tambor é uma figura que simboliza o ritmo do Candomblé.
Na composição resolvi usar dois orixás, pois queria mais destaques de detalhes a eles. A escolha foi baseada nas suas cores predominantes, suas formas.
No primeiro plano está Oxum, a Deusa das águas doces, dos rios, das fontes, dos lagos. A deusa do ouro, da fecundidade, do jogo de búzios e do amor. Leva um espelho em suas mãos. Maternal, tranquila, quieta. Cuida, flui. Sua cor, o amarelo ouro, intercalado aqui com as minhas cores quentes. No sincretismo católico, é representada por Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora das Candeias.
Mais atrás, com a predominância dos verdes, Oxóssi, deus da caça, é o patrono do Candomblé Brasileiro. Seu elemento são as florestas. Usa um pequeno arco associado a uma flecha em suas mãos.
No sincretismo católico, São Jerônimo, Santo Antônio, São Pedro, São João Batista, São José e São Francisco de Assis.
Oxalá está presente como símbolos. Oxalá é o criador do homem, o Deus da Criação, e pode ser representado como jovem ou velho. Seu elemento é o ar. Seu símbolo, aqui posicionado no centro da imagem, é Oparoxó (cajado de alumínio com adornos). No sincretismo católico, tem sua representação em Jesus Cristo. A pomba, que também o representa, é uma de suas oferendas.
Para alinhar com todos e sua profusão de cores, instrumentos musicais flutuam no fundo da imagem. Um universo de ritmos, sabores, cores, emoção e fé.
a Ásia. Têm-se espalhado, recentemente, para a Europa e Américas.
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
A África é chamada de “O Continente Negro”, onde se acredita que se deu a origem da raça humana. Um espaço geográfico de culturas, etnias e línguas muito variadas, nunca sendo caracterizada por uma cultura homogênea, em termos humanos ou culturais.
Ilustração "Africanos Bantus e o Jongo", da série "Imigrantes Brasileiros. Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Alapalá, egum, espírito elevado ao céu Machado alado, asas do anjo Aganju Alapalá, egum, espírito elevado ao céu Machado astral, ancestral do metal Do ferro natural Do corpo preservado Embalsamado em bálsamo sagrado Corpo eterno e nobre de um rei nagô Xangô
Babá Alapalá. Gilberto Gil
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Africanos Bantus e o Jongo
Num passado não tão remoto, comparado com a história da África, alguns povos vindos de Angola, do Congo, de Moçambique, da Nigéria e de outras partes do Continente Negro, atravessaram o Atlântico e foram parar no Brasil. A maior parte dos negros escravizados que vieram trazidos para o Brasil eram de etnias bantas (Congo, Benguela, Cabinda, Angola, Angico etc.), sendo os primeiros que chegaram, vindos a costa ocidental africana.
Entre as etnias africanas, existem nuances, ficando muito difícil falar sobre elas, ainda de uma forma específica! Mas, o que é objetivo, é que estes povos trouxeram para o Brasil grande parte da riqueza cultural que hoje temos aqui - Muito do nosso vocabulário atual tem origem banta, de nossa gastronomia, frutas, vegetais, cultura e muitas coisas mais!
No campo da música, os bantos forneceram grande parte do ritmo que caracteriza a música brasileira. O gosto dos bantos pelos batuques, atabaques e instrumentos de percussão se refletiu em gêneros musicais como o samba, a bossa nova, o coco, o maracatu, o pagode, etc
Por conta disso, quis representar uma dança, que aqui se torna, não uma dança específica, mas uma síntese simplória, por assim dizer, do movimento relacionado às danças e rituais religiosos.
Pesquisei sobe o tema das danças dos bantus, mas quase nada de específico achei disponível sobre o tema. Embora temos muitas imagens, não há identificação de ondem são ou o que representam. Parece tudo muito misturado, confuso de se entender, também, porque os africanos e sua cultura original não são nada padronizados.
O que posso tirar, é que as tribos têm sua religiosidade misturada com sua vida diária, e a dança se confunde com a vida, que é a luta da vida, que se une com os rituais religiosos.
Na pesquisa que fiz, optei por esta dança que foi filmada no meio de uma comunidade, por parecer ser mais genuína, pé na terra, sem as “fantasias” típicas dos grupos para folclóricos*.
Mesmo assim, recriei as suas roupas, inserindo uma enorme quantidade de elementos e cores. Desta forma quis representar a riqueza e a diversidade desse povo, de sua vida, cultura e de sua gente e saberes.
O que mais chama a atenção nas danças africanas, de forma geral, são os inúmeros movimentos rítmicos, quase que semelhantes e um estado de transe, transformando os corpos em ondas de movimentos quase inconcebíveis!
Procurei representar um pouco disso no movimento dos traços, no ritmo de formas que se repetem, nas texturas, nos detalhes que adquirem muitas cores, criando uma nova paleta, uma forma de agradecer a eles a riqueza que me deram.
Também a forma que encontrei de “dançar” um pouco com eles.
O Jongo
O Jongo, ou Caxambu, é um ritmo que teve suas origens na região do Congo-Angola. É uma dança profana para o divertimento, mas uma atitude religiosa permeia a festa.
Antigamente, somente os mais velhos podiam participar, ficando os mais jovens apenas observando. Também é a dança dos ancestrais, dos pretos-velhos escravos e dos cativeiros.
* Os grupos para folclóricos são utilizados para nos contar mais de nossa cultura tradicional ou típica, mas de uma forma mais colorida, os detalhes mais ressaltados, feitos pensando em apresentações em palcos. São como shows, mas com tema cultural.
a Ásia. Têm-se espalhado, recentemente, para a Europa e Américas.
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro