Danças Gaúchas. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços

Chamarra, vaneira, chula, pezinho e tantas outras danças que celebram a vida no campo, o galpão, o chimarrão e a força do gaúcho. Pares marcando o compasso do acordeom e da gaita, em coreografias de orgulho e tradição.

Ilustração "Danças Gaúchas", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. 
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Danças Gaúchas", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. Proibida cópia, uso ou reprodução
desta imagem sem a autorização da artista.

Tão bela flor, Quero-Mana,
Quero-Mana lá de fora,
Foi um gaúcho que trouxe,
Na roseta da espora, ai!

Minha terra, minha terra,
ela lá e eu aqui, ai,
Por muito bem que me tratem
Não esqueço onde eu nasci

Tão bela flor, Quero-Mana,
Tão bela flor, é verdade,
Do que é ruim ninguém se lembra,
do que é bom se tem saudade, ai!

Quero-Mana
Música da dança
tradicional gaucha

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Danças Gaúchas: O Coração do Sul que Dança com Honra e Tradição!

Prepare-se para sentir o ritmo forte dos sapateados, a elegância dos pares e a alma fidalga do povo gaúcho! As danças gaúchas são uma das mais belas e autênticas expressões da cultura do sul do Brasil, marcadas pela influência de três grandes culturas: espanhola, portuguesa e francesa. Elas contam a história de um povo que valoriza a honra, o respeito e a celebração da vida.

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Raízes do Sul: Onde Tudo Começou

As danças gaúchas nasceram da mistura de tradições trazidas pelos colonizadores europeus e adaptadas ao modo de vida do gaúcho, o homem do campo, o peão das estâncias. Essa fusão criou um repertório riquíssimo, onde se vê:

A alegria comunitária, onde todos participam, cantam e celebram juntos.

A fidalguia e o respeito à mulher, presentes no cortejo e nos gestos delicados das danças de par.

A força e a perícia dos sapateados, herança das danças ibéricas, que mostram a destreza e a energia dos dançarinos.

Patrimônio Imaterial: A Tradição que se Mantém Viva

Embora as danças gaúchas como um todo ainda não tenham um título unificado de Patrimônio Imaterial da Humanidade, muitas delas, assim como o próprio modo de vida do gaúcho, são consideradas Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em diversas esferas estaduais e municipais. Elas são a alma do Rio Grande do Sul, transmitidas de geração em geração nos CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) e nas festas populares.

Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. As danças gaúchas são um exemplo vivo de como a tradição, a música e a dança moldam a identidade de um povo.



As Danças Mais Famosas: Um Baile de Histórias e Passos

O universo das danças gaúchas é vasto e profuso. Cada dança tem sua própria história, seu ritmo e sua coreografia. Aqui estão algumas das mais emblemáticas:

1. Anú

Uma das danças mais tradicionais, dividida em duas partes: uma cantada, com um cortejo cerimonioso entre os pares, e outra para ser sapateada, com evoluções marcantes. Originalmente, os pares dançavam soltos, mas não independentes, em um diálogo de respeito e cortejo.

2. Balaio

De origem nordestina, mas com forte presença no Sul, mistura sapateados vigorosos com movimentos de roda. Tem influências dos lundus africanos e das quadrilhas europeias, sendo uma dança de conjunto que exige sincronia e energia.

3. Chimarrita

Trazida pelos colonos portugueses dos Açores e da Madeira, é uma dança de pares em fileiras opostas, que lembra as danças típicas portuguesas. Reflete a ternura e a delicadeza, sendo muito apreciada pelos tradicionalistas.

4. Pezinho

Também de origem açoriana, é uma dança onde todos os dançarinos cantam durante toda a coreografia. Os pares giram em torno de si, tomados pelos braços, em uma celebração de união e alegria.

5. Cana Verde

Uma dança de pares enlaçados, com evoluções que lembram a quadrilha europeia, mas com um toque gaúcho. Os balanceios e os cumprimentos entre os dançarinos são marcantes.

6. Chamamé

De origem platina (Argentina, Uruguai e Sul do Brasil), é uma dança de par solto, com passos rápidos e giros, ao som de uma música contagiante, geralmente tocada com acordeão.

7. Chula

Uma dança de desafio, praticada apenas por homens. Ao som da gaita gaúcha, os peões sapateiam sobre uma vara de quatro metros, em uma incrível sequência coreográfica que exige força, equilíbrio e destreza. É a expressão máxima da virilidade e da competição saudável.

8. Xote Carreirinha, Valsa, Milonga, Vanera, Bugio

Essas danças mostram a diversidade do repertório gaúcho. O Xote e a Valsa trazem a elegância dos salões europeus. A Milonga e a Vanera têm uma cadência mais dolente e apaixonada. O Bugio é uma dança típica dos peões, com influências indígenas, marcada por passos arrastados e um ritmo contagiante.

Instrumentos e Ritmos: A Trilha Sonora do Pampa

A música gaúcha é o coração das danças, e seus instrumentos são inconfundíveis:

  • Gaita (Acordeão): O instrumento mais emblemático, que comanda a maioria das danças, do xote à chula.
  • Violão e Viola: Acompanham as cantigas e dão base harmônica às melodias.
  • Bombo Legüero: Um tambor de origem indígena, tocado com uma baqueta, que marca o ritmo forte dos sapateados.
  • Castanholas: Usadas em algumas danças de influência espanhola, como o Fandango.

Trajes Típicos: O Orgulho de Ser Gaúcho

O traje típico é parte fundamental da dança gaúcha, não apenas como fantasia, mas como símbolo de identidade:

  • Homem (Pilcha): Bombacha (calça larga amarrada no tornozelo), camisa, lenço no pescoço, poncho e bota. O traje reflete o vestuário do peão do campo.
  • Mulher (Prenda): Saia rodada e longa, blusa, avental e um lenço colorido. O traje é elegante e remete às tradições das mulheres do campo.

Uma coisa bacana: É bem interessante a forma como o Gaúcho se preocupa em manter sua vestimenta tradicional impecável e cheias de regras. Conheça o Gaúcho Pilchado aqui

A Dança como Identidade: O que Ela Representa

As danças gaúchas são muito mais do que passos coreografados. Elas representam:

  • Respeito: O cortejo, a condução da dama e a postura dos dançarinos mostram a importância da fidalguia e do respeito mútuo.
  • Comunidade: As danças de roda e de conjunto celebram a união e a participação de todos.
  • Tradição: Cada passo, cada melodia e cada traje contam a história do povo gaúcho, suas origens, suas lutas e suas conquistas.
  • Vigor e Perícia: Os sapateados e desafios, como a Chula, mostram a força física e a destreza do gaúcho.

Por que as Danças Gaúchas são tão tão interessantes?

Porque elas são:

  • Autênticas: Expressam a alma do povo do sul com sinceridade e orgulho.
  • Vivas: São praticadas e celebradas todos os dias nos CTGs, festas e encontros de tradição.
  • Ricas: Com uma variedade imensa de ritmos, passos e histórias.
  • Patrimônio: Mantêm viva a herança cultural de gerações, sendo um elo entre o passado e o presente.

As danças gaúchas são o coração do sul pulsando em ritmo de sapateado, canto e celebração!


Selo Brasis em Traços de Lu Paternostro

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.


Uma pequena lembrança para você:

Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.

É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.

Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro

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NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores

O Gaúcho. Tipos Tradicionais Brasileiros. Série Brasis em Traços

Ilustração "O Gaúcho", da série "Tipos Tradicionais Brasileiros"
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "O Gaúcho", da série "Tipos Tradicionais Brasileiros"
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Brotei de um tempo onde a pátria axucrada
Trouxe entonada na pua o timbre de galo
E à picumã eu retovei este galpão
Do coração pra ser portal de algum regalo

Minha raiz traduz na sua própria estampa
Toda esta pampa que o gaúcho idolatra
Com meus pesuelos trago a saudade gaviona
Que repechona vem tropeando a culatra

(Dentro do peito corcoveia uma doutrina
Estirpe e sina palanqueando a tradição
Sou como o rio, que vai legando mil caminhos
Tirando espinhos em cada aperto de mão)

De onde vim eu trouxe herança galponeira
Velha bandeira de um atavismo curtido
Mesclando campo com o sabor desta querência
Reminiscência do meu pago mais querido

Os horizontes que eu repontei a cavalo
Mastigam pealos deste amor que retempera
Não tem um quera que more aqui no Rio Grande
Que o seu sangue não valha a sua terra

Doutrina de Gaúcho
Os Serranos

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Gaúchos

Gaúcho é uma denominação dada aos vaqueiros das regiões dos pampas da Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai e Brasil. As características típicas do seu modo de vida no campo, fizeram com que o gaúcho tivesse uma cultura própria sua, derivada do amálgama da cultura ibérica, principalmente espanhóis, e indígena. Usa-se, também, o termo para identificar os habitantes nascidos no estado Rio Grande do Sul.

Pelo seu modo de ser, falar e se vestir, o gaúcho forma um tipo folclórico que sintetiza um conjunto de tradições. Por exemplo, sua maneira tradicional de se vestir é bastante característica.

Grande parte da população gaúcha rural usa as vestimentas tradicionais por serem adaptadas à vida campeira. Os avios do chimarrão ou os apetrechos usados para a preparação e consumo da erva-mate, os utensílios de encilha tradicionais para o cavalo, incluindo as esporas do cavaleiro, junto com as vestimentas, fazem a definição de pilcha, o Gaúcho Pilchado, montado com sua vestimenta típica.



Usam roupas de origem indígena como o poncho ou capa campeira, vestimenta tradicional da América do Sul, usado para protege-los do frio e do vento, usado sobre a vestimenta do dia a dia, normalmente feitos em teares utilizando a lá da ovelha como matéria prima; o lenço colorado; a pala, também um tipo de poncho, de lá ou de seda, utilizado para climas mais amenos; o chiripá, tecido que é colocado em volta da cintura, formando um avental com uma amarração muito bonita, hoje em dia usado pelos grupos folclóricos de danças típicas; a guaiaca, termo de origem aimará (wayaqa), uma cinturão com bolsas, feitos de couro, propicio para guardar pequenos objetos, como moedas, palhas e fumo e, mais tarde, cédulas de dinheiro, relógio e até pistola.

Ainda em suas vestimentas típicas, porém com influência europeia, encontramos a camisa de tecido; o colete; a blusa campeira; o chapéu de copa baixa e abas largas; o lenço do pescoço atado por um nó que pode ser feito de oito maneiras diferentes, sendo as cores branco e vermelho as mais tradicionais; a bota campeira e a bombacha.


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A bombacha são as calças típicas usadas pelos gaúchos, largas em cima e abotoadas no tornozelo. O nome foi adotado do termo espanhol "bombacho", que significa "calças largas" e pode ser feita de brim, linho, tergal, algodão ou de outros tecidos, em padrão liso, listrado ou xadrez discreto. A bombacha é muito utilizada nas regiões da campanha, da fronteira oeste e dos campos de cima da serra. Porém, nas cidades maiores, ainda é possível perceber alguns gaúchos pilchados ou montados com suas vestimentas típicas, gaúchos que participam de grupos tradicionalistas ou simples mantenedores da cultura tradicional.

A vestimenta feminina segue regras bem definidas pela tradição gaúcha para seu uso. A prenda ou a mulher gaúcha, usa um vestido de uma peça inteira ou em duas peças, saia e blusa, com ou sem um casaquinho, que pode ser usado pelas prendas adultas e senhoras. As saias podem ser variadas, porém o comprimento delas não ultrapassa o peito do pé. Suas vestimentas não podem ser pretas (luto) ou brancas (noivas e debutantes), nem conter as cores da bandeira do estado do Rio Grande do Sul. Devem ser discretas e simples, não podendo ser decotadas, expor os ombros ou os seios. Podem apresentar enfeites de diversos tipos. A mangas não podem ser bufantes e podem ser compridas ou até os cotovelos. Usa-se meias que devem ser longas, brancas ou beges para as moças e as senhoras, e de tonalidades escuras paras as mulheres idosas. Os sapatos podem ser pretos, brancos ou beges e o salto 5 ou meio salto, com uma tira sobre o peito do pé e que abotoe do lado de fora. Cabelo semi-presos, presos ou em trança, com algum enfeito de flores bem discreto se a pessoa quiser.

O chimarrão ou mate, bebida característica do sul do país, tomado em uma cuia feita de porongo, é amplamente consumido pelos gaúchos em todas as estações do ano. Nos dias mais frios, não raro, se vê uma variedade chamada "mate doce", onde se usa mel e cascas de bergamota, geralmente, para temperar o mate.

O fogo de chão é uma tradição entre os gaúchos, que se reúnem e se aquecem em volta de fogueiras feitas no chão, passando o chimarrão de mão em mão e contando suas histórias.

Na cidade de São Sepé, no estado do Rio Grande do Sul, está localizada a fazenda Boqueirão onde a família mantém, desde o início do século XIX, há 200 anos, um fogo de chão aceso, alimentado por toras de madeira de lei chamadas guarda-fogo. A fazenda é um centro de romarias nativistas e tradicionalistas que cultuam este fogo, que nunca se apaga.  

Na culinária gaúcha, curiosamente, não existe relação com a culinária de origem portuguesa, indígena ou castelhana. O forte vento minuano que atravessa o estado do Rio Grande do Sul no inverno, chega ser tão forte, que congela os pampas. Por conta do clima, a alimentação tradicional é repleta de carnes gordas, sopas quentes que dão mais alegria para enfrentar o frio. O churrasco e o arroz “carreteiro” são os pratos mais típicos do gaúcho.

Fazem parte da culinária rio-grandense o feijão mexido, feijão misturado com farinha de mandioca; o quibebe, purê de abóbora moranga; a "roupa velha", prato feito com sobras de carnes e ovos mexidos; o feijão campeiro; o charque com mandioca; a paçoca de pinhão com carne assada; a couve refogada; o arroz com galinha; o "puchero", um cozido de carne com legumes e o peixe.



Dia 20 de setembro é comemorado o dia do Gaúcho. E durante todo o mês, os gaúchos comemoram a Semana Farroupilha, período em que a Província de São Pedro, atual estado do Rio Grande do Sul, declarou guerra contra o império por causa dos altos impostos cobrados pelo charque.

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Por Lu Paternostro
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