Os Holandeses. Imigrantes Brasileiros. Brasis em Traços

Ilustração "Holandeses", da série "Imigrantes do Brasil". 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Holandeses", da série "Imigrantes do Brasil".
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Holandeses

Não se tem dados corretos do número de holandeses que entraram no país, pois a Holanda tem uma lei para garantir a privacidade de seus cidadãos fora do país, garantindo-lhes o direito da não obrigatoriedade de registro. Sabemos que estão em todas as regiões do Brasil, envolvidos em diferentes atividades econômicas e sociais, compondo mais uma peça da complexa e miscigenada cultura brasileira.

Os estados de São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Rio Grande do Sul abrigam os maiores grupos de holandeses ou descendentes.

A história dos holandeses no Brasil, vem do início do Brasil Colônia, deixando fortes influências culturais, principalmente na região nordeste. Foram 30 anos, de 1624 a 1654, do domínio holandês na região. Vieram para o Brasil atraídos pelo chamado “ouro branco”, o açúcar. Porém foram eles, os maiores responsáveis pela produção de grande quantidade de registros de paisagens e tipos humanos da época colonial.



Nos séculos XVII e XVII, a Holanda era uma das grandes potências marítimas da Idade Moderna, ao lado de França, Portugal, Espanha e Inglaterra, havendo muito interesse no potencial produtivo no Brasil, na época colonial.

Para comercializar com a colônia, a Holanda criou a “Companhia das índias Ocidentais”, uma expedição voltada para comercializar com a colônia.

À frente da “Companhia das Índias Ocidentais” estava Mauricio de Nassau, um conde alemão calvinista, que chega ao estado de Pernambuco com a intenção fazer de Recife, hoje capital do estado, um centro de poder e tolerância religiosa. Na época foi construída a primeira sinagoga das américas, o primeiro templo sagrado que os judeus construíram no continente americano, e se encontra lá até hoje.

Mauricio de Nassau investiu na arquitetura e no urbanismo da cidade de Recife. Queria fazer de Recife um polo de conhecimento urbano, o centro político da capitania de Pernambuco. Na época a cidade recebeu um grande plano urbanístico com grande quantidade de jardins, palácios, museus, fortificações, centros de ciência e arte.

Dentre outras melhorias e benfeitorias, a criação de canais permitiu levar as aguas do mar para dentro da cidade, fazendo dos barcos um meio de transporte. Recife passa a ser um grande porto do Atlântico Sul. Foram criadas pontes sobre canais como a ponde Mauricio de Nassau, construída em 1643, até hoje sendo utilizada pela população. Olinda, outra cidade em crescimento na época, foi construída para ser uma réplica da cidade de Amsterdã nos trópicos.

Todas estas benfeitorias eram muito custosas para a Holanda, que decidiu não investir mais no Brasil e exigiu a volta de Mauricio de Nassau. Ao sair, porém, deixou em péssima situação os senhores de engenhos que contavam, com a ajuda da Holanda para a negociação de suas dívidas. Como isso não aconteceu, os senhores de engenho passaram a entender os holandeses como invasores e não querer mais sua presença em Pernambuco.

Liderada por Felipe Dias e por Felipe Camarão, acontece, então, a Insurreição Pernambucana entre 1648 e 1649, no monte Guararapes. A Insurreição Pernambucana é considerada pela corrente historiográfica militar tradicional brasileira, como o primeiro movimento patriótico do Brasil.


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A rendição é assinada 1654, onde os holandeses deixam definitivamente o país. Porém, um tratado de paz definitivo será assinado somente em 1661, após parte da armada holandesa ameaçar Lisboa, exigindo o pagamento de uma indenização pela perda dos territórios.

O período da ocupação holandesa do Brasil com Mauricio de Nassau, foi conhecida como a Idade do Ouro no Brasil, no século XVII.

Uma curiosidade: o território dominado pelos holandeses aqui no Brasil, chegou a ter até uma bandeira própria, já que estes consideravam as regiões conquistadas como a “Nova Holanda”. Era a Bandeira do Brasil Holandês, utilizada pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais para os territórios que estiveram sob seu controle no Brasil, de 1630 a 1654.


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As artes, as ciências e as letras tiveram um grande desenvolvimento com a chegada dos holandeses ao Brasil. Os artistas que vieram juto com Mauricio de Nassau na expedição da Companhia das Índias Ocidentais, produziram as primeiras imagens da natureza, das cidades e das pessoas da América. Os mais conhecidos e relevantes foram o pintor Franz Post e Albert Eckhout que retrataram paisagens, os engenhos, portos, fortificações, naturezas mortas, frutas, plantas, animais e tipos humanos brasileiros, levando para toda a Europa as belezas e riqueza dos trópicos.

Quando voltou para a Holanda, Mauricio de Nassau, em 1647, lançou o livro “Rerumper Octennuim in Brasilia”, editado por Gaspar Barlaeus, uma crônica ilustrada, contanto seus feitos, e que pode ser considerada a primeira obra de caráter científico sobre a natureza brasileira.

Encontramos aspectos da tradição holandesa distribuídas em várias áreas de nossa cultura, porém a maior contribuição da colônia holandesa é no cultivo das flores.

No estado de São Paulo localiza-se uma cidade genuinamente holandesa, a cidade de Holambra cujo nome vem de Holanda, América e Brasil. A cidade se formou em virtude de uma colônia neerlandesa que se firmou numa antiga fazenda. O município destaca-se como o maior centro de produção de flores e plantas ornamentais da América Latina e anualmente promove a maior exposição de flores da América Latina, a Explofora.

Em Holambra, seus habitantes preservam as tradições deste povo nas apresentações de danças. As danças holandesas retratam cenas do cotidiano, como afazeres domésticos, colheita, profissão, etc. A “Valsa Holambresa” surgiu do encontro entre uma melodia e uma coreografia: é dançada em pares que formam rodas com outros pares e todos formam uma grande coreografia única.



A vestimenta típica tem por tradição, os tamancos entalhados em madeira, os “Klopem”.

Os holandeses usam os “Klopem” desde a Idade Média. Em sua origem tinham este formato grande para proteger os pés das atividades do trabalho, do frio e da umidade. Nas danças eles são mais leves; os participantes pulam e batem os tamancos no chão, marcando o ritmo das melodias, dando mais ritmo para a coreografia. 

A quadrilha, introduzida no Brasil durante o período colonial, é uma contradança de origem holandesa com influência portuguesa, da ilha de Açores, além de inglesa. Tornou-se popular nos salões aristocráticos e burgueses do século XVII em todo o mundo ocidental. 

Há uma imensa variedade de pratos feitos com carnes e vegetais, porém, quando falamos em culinária holandesa, pensamos em batata. Vários pratos levam o ingrediente como o “Stampot”, um purê de batata com verduras que podem ser espinafre, chicória, etc, e o “Hutspot”, batata com cenoura. Come-se a batata frita como snaks, em saquinhos em formato de cones, com muita maionese. Uma iguaria recém-chegada ao Brasil, popular como a alface, é a endívia. Há os queijos com o Edam, queijo bola vermelho e o Gouda.

Na cidade de Carambei, no estado do Paraná, existe “Vila Histórica de Carambeí”, um museu a céu aberto, réplica de uma típica cidade holandesa, com estação de trem, moinho d’água, casas típicas, tulipas enfeitando as janelas e varandas, criada por Holandeses que chegaram no local em 1911.

Na cidade de Castro, também no Paraná, existe a Castrolanda, uma colônia fundada por imigrantes neerlandeses ou holandeses, entre 1951 à 1954, que tornou-se uma das mais importantes bacias leiteiras da região. La encontra-se e Sociedade Cooperativa Castrolanda, que, unida à Cooperativa Batavo e à Cooperativa Agrícola de Arapoti, formaram a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná, responsável por uma das maiores bacias leiteiras do Brasil, localizada em Carambeí.

Em Recife, no estado do Pernambuco, temos o plano urbanístico, cultural e religioso de Mauricio de Nassau para a cidade, anteriormente chamada Mauritstad ou “Cidade Maurícia”, onde foram construídas pontes, canais, diques, havendo grande presença da cultura holandesa espalhada por lá.



Olinda, também no estado do Pernambuco, considerada uma das mais bem preservadas cidades coloniais do Brasil, foi tomada pelos holandeses em 1630 e que a incendiaram um ano depois, pois queriam que Recife fosse hegemônica. Os portugueses, então, retomaram o poder e expulsaram os holandeses dali. Mesmo assim houve uma miscigenação entre as culturas, podendo ser percebida nos olhos verdes de diversos cidadãos de Pernambuco.              


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E, como dito anteriormente, a cidade de Holambra, no estado de São Paulo, tornou-se o maior centro de produção de flores e plantas ornamentais da América. Construído em 2008, o visitante encontra na cidade o Moinho Holandês de Holambra, o maior moinho da América Latina, chamado “Povos Unidos” que, com seus 38 metros de altura, é uma réplica fiel de um tradicional moinho holandês moedor de grãos e foi construído de acordo com os moinhos holandeses. Também em Holambra há o “Museu Histórico e Cultural”, que expõe a história da imigração neerlandesa na cidade, através de um acervo de duas mil fotos antigas. Lá pode-se, também, conhecer as máquinas agrícolas utilizadas pelos imigrantes no passado.

Uma curiosidade: Em 12 de julho de 2008, foi fechada uma cápsula do tempo que contém mensagens deixadas pela população holambrense. Sua abertura é programada para 100 anos após o seu fechamento oficial, com data prevista para 12 de julho de 2108.

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Por Lu Paternostro
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Os Franceses. Imigrantes Brasileiros. Série Brasis em Traços

Ilustração "Franceses", da série "Imigrantes do Brasil". 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
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Franceses

Como vários imigrantes que aqui chegaram, os franceses vieram para trabalhar na lavoura, na segunda metade do século XIX.

A história dos franceses no Brasil vem desde o século XVI. Existem duas tentativas de colonização francesa: uma no Rio de Janeiro, em 1555, na Bahia de Guanabara, conhecida como França Antártica, e a outra tentativa foi ao norte, no que seria, posteriormente, o estado do Maranhão, com a fundação de São Luís, chamada de França Equinocial, comandada por padres cappuccinos, que ocorreu entre 1612 e 1615. Era a época do Primeiro Império Colonial Francês.

Porém, foram expulsos da Bahia de Guanabara em 1664, por uma armada de Estácio de Sá, que resultaria na fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, ou seja, a fundação da atual cidade do Rio de Janeiro.

Mas foi no campo das ideias que os franceses mais tiveram ação sobre os brasileiros. Eles estavam por trás de grandes revoltas como a Inconfidência Mineira, a Revolta dos Alfaiates, na Bahia, a Insurreição Pernambucana, a Confederação do Equador e de inúmeras outras rebeliões onde existiam ideias de liberdade.

Cessada a luta pela ocupação territorial, a influência francesa no Brasil se daria no campo das artes, costumes e ideias. Os brasileiros, de forma geral, cultuam a gastronomia, a moda, os prazeres da vida dos franceses.


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Alguns historiadores colocam que Don João VI tinha entre suas ações, os "empreendimentos civilizatórios". Nesse caso, a meta era promover as artes, cultura e, assim, tentar infundir algum traço de refinamento e bom gosto nos hábitos atrasados da colônia.

Foi contratada a Missão Artística Francesa que chegou ao Brasil em março de 1816. A missão era composta por artistas plásticos, arquitetos, músicos, carpinteiros, serralheiros, artesãos. Chefiada por Joachim Lebreton, tinha como objetivo instalar o ensino das artes e ofícios no Brasil, através da construção da Academia de Belas Artes. Nomes como o de Jean-Baptiste Debret, Grandjean de Montigny, Auguste Marie Taunay, Nicolas-Antoine Taunay, Segismund Neukom e Zephiryn Ferrez estavam presentes na missão.

Independente dos fatos que acorriam na França, fatos estes que trouxeram os integrantes da missão ao Brasil, os artistas, quando aqui chegaram, encontraram uma natureza exuberante e ao mesmo tempo a violência de uma escravidão institucionalizada. Os artistas pintavam, desenhavam, esculpiam à moda europeia. O estilo que predominava na arquitetura era o neoclássico.

Na cidade do Rio de Janeiro há vários exemplos da arquitetura neoclássica como a Casa França-Brasil, o Solar Grandjean de Montigny, a Academia Imperial de Belas Artes, o Chafariz da Carioca, entre outros. Os artistas franceses deixaram grandes frutos em terras brasileiras.

Na época da corte de Dom João VI, a influência francesa era marcante no Rio de Janeiro. As lojas estavam repletas de novidades que chegavam de Paris. Incluíam vestidos e chapéus da última moda, perfumes, água-de-colônia, luvas, espelhos, relógios, tabaco, livros e uma infinidade de mercadorias até então proibidas e ignoradas na antiga colônia.



Desta forma a França é responsável pelo afloramento das artes, mudança de hábitos culturais e sociais, levando mais este aspecto para a identidade brasileira, exercendo uma colonização cultural, desde certas regras de comportamento das elites, até a filosofia, a gastronomia, a literatura, a moda, a arquitetura.

No estado do Rio Grande do Sul, a cidade de Pelotas é um exemplo. Lá pode-se encontrar vários aspectos da cultura europeia e francesa, que influenciou a forma de ser da elite local, atraindo mais europeus. Até hoje encontramos vestígios da influência francesa na arquitetura como os casarões em estilo neoclássico e ecléticos, no urbanismo, nas confeitarias. La também podemos encontrar o “Museu e Espaço Cultural da Etnia Francesa”, um museu etnográfico, cujo objetivo é servir como um ponto cultural de expressão da memória dos franceses em Pelotas.

Dentre tantas influencias, podemos citar as na nossa língua. Aqui no Brasil, no ensino fundamental, se ensinava o francês! Os galicismos, ou as palavras importadas em francês, acabou fazendo parte da nossa forma de falar. Encontramos cotidianamente palavras como echarpe, butique, bureau, buquê, purê, cabaré, bistrô, etc. Embora no final da Primeira Guerra Mundial a economia francesa tenha entrado em declínio, sua representação como centro cosmopolita permanece no imaginário da cultura brasileira até hoje.

Em 2005 tivemos aqui o ano do Brasil na França. Esse evento foi criado para que franceses e turistas de todo o mundo conhecessem a riqueza e a diversidade da cultura brasileira.

Nas manifestações culturais encontramos as quadrilhas, uma dança de origem europeia, que no século XIX passou a fazer parte dos salões da aristocracia e da classe média do Brasil. Podemos encontrar alguns termos franceses durante a dança.



Mas na gastronomia, a França ganha uma presença extra, compreendendo uma grande variedade de pratos e de grande prestígio no mundo, principalmente no ocidente, como a variedade de queijos, vinhos, carnes e doces.

Quando a rainha da França Catarina de Medici veio para o Brasil, novos hábitos e elementos da cozinha francesa foram incorporados, como o uso dos talheres nas refeições, pois até mesmo a corte existente em solo brasileiro, tinha o hábito de comer com as mãos.

Hoje, a culinária francesa encontra-se enredada na cultura brasileira, como o uso do chantilly, os rissoles, croissant, crepes salgados e doces, o Petit Gâteau, o mousse, o tão conhecido baguete, dentre outros. Desta forma o menu tornou-se variado e novos alimentos foram inseridos da cultura alimentar francesa, como: o azeite de oliva, o espinafre, a alcachofra entre outros, iniciando uma nova fase da culinária francesa, com o requinte e o glamour que a consagrou e que permanece, até os dias atuais.

Entre os séculos XVI e XVII surge o “service à la française”, que viria a dividir as refeições em sopas, entradas e caldos; assados acompanhados de legumes e saladas; sobremesas doces e frutas. A pujança torna-se grosseria à mesa e a parcimônia ‘bem apresentada’. A delicadeza da mesa foi aumentada pouco a pouco, reconstruída pelo gosto requintado de vários senhores, que contribuíram para aperfeiçoarem seus chefs de cozinha.

A disseminação de restaurantes franceses a partir do final do século XIX, também contribuiu para divulgar a cultura gastronômica francesa em terras brasileiras.



A Alta Gastronomia, tal qual é conhecida na atualidade, começou a se desenvolver no Brasil com a chegada dos chefs franceses, no final da década de 1970, no Rio de Janeiro, e no início da década de 1990 em São Paulo.
A Nouvelle Cuisine que em português significa a "Nova Cozinha Francesa". Trata-se de uma maneira de cozinhar e apresentar usada na cozinha francesa a partir da década de 1970, caracterizada pela leveza e delicadeza dos pratos. Tem como princípios básicos o envolvimento da totalidade dos sentidos humanos, influenciando o ato de comer.

Na França se consome muitos vinhos e com muita frequência, sendo uma refeição sem vinhos, uma refeição incompleta.

Para finalizar, podemos citar mais alguns pratos que fazem parte da nossa vida e que são de origem francesa como o Cassoulet; o Caviar; o Coquilles; os Ovos Pochês; Fondue de Queijo; o Quiche Lorraine; o Fillet au Poivre; o Cocq au Vin; os Escargots;  os Raclette; o Ratatouille; a Sopa de Cebola; o Blanquette de Vitela; a Bouillabaisse ou a sopa de Peixe; o Croque Monsieur, um tipo de sanduiche.


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Nos doces temos os Creme Brulèe; Profiteroles; Tarti Tartin; Crepe Suzette; Madeleine com Especiarias ou biscoitinhos amanteigados e os Macarons.

Bom Appetit!

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Por Lu Paternostro
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Os Espanhóis e o Flamenco. Imigrantes Brasileiros. Série Brasis em Traços

Ilustração "Espanhóis e o Flamenco", da série "Imigrantes do Brasil". 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Espanhóis e o Flamenco", da série "Imigrantes do Brasil".
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Espanhóis

A presença espanhola em terras brasileiras acontece desde o início da colonização do Brasil, durante a União Ibérica. Entre 1580 e 1640, muitos espanhóis se estabeleceram no país gerando famílias “quatrocentonas”, muitas delas descendentes dos pioneiros Bandeirantes. 

Portanto a presença espanhola em terras brasileiras é muito antiga, sendo um de seus representantes de grande importância para a História de São Paulo, o jesuíta José de Anchieta que, em 1554, contribuiu para a fundação da cidade. 

Mais de 750 mil espanhóis entraram no Brasil a partir do fim do século XIX até os anos 1960.

A primeira e mais numerosa leva de imigrantes espanhóis, até os anos 1930, dirigiu-se, principalmente, para o campo, atraídos pelas oportunidades de trabalho nas fazendas de café do interior do estado paulista, em regime de colonato e, assim, substituir a mão de obra escrava. Mas os que vieram depois da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) encontraram nas cidades e nas indústrias as maiores oportunidades para refazer sua vida, principalmente como mão-de-obra especializada para a indústria nascente e a siderurgia. Ganhavam pouco nas fábricas e o envolvimento de espanhóis em movimentos operários é bastante significativo: foram participantes ativos nas greves de 1917, em São Paulo.


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Na capital paulista, os espanhóis fixaram-se principalmente nos bairros da Mooca, Ipiranga, Cambuci e Brás. Municípios como São Bernardo, São Caetano e Santos também possuem importantes núcleos de imigrantes dessa nacionalidade.

As cidades de Santos, do Rio de Janeiro e de Salvador foram os principais centros de recepção dos "braceros" no Brasil. A cidade de Santos não só abrigava uma numerosa colônia espanhola, que se espraiava nas cercanias da zona portuária - o que lhe valeu, no início do século XX, o apelido de "Barcelona Brasileira", mas também se tornou um centro de agitação e organização operárias, dominado pelos imigrantes ibéricos. Na cidade do Rio de Janeiro, os espanhóis se fixaram principalmente nas áreas centrais da cidade, inclusive na zona portuária. Lá foram amparados pelas caixas de socorro mútuo, organizações particulares mantidas pelos imigrantes mais prósperos

A imigração espanhola foi muito importante para a formação da população brasileira, sendo o terceiro maior grupo de imigrantes, depois dos italianos e portugueses, a vir para o Brasil.

Espanhóis das províncias da Galícia, Catalunha, Valência, Navarra e das cidades de Sevilha, Cadiz, Córdoba, Almeria, Granada e Málaga formam o principal grupo de imigrantes que se dirigiram ao Brasil. 

Tradições

Dos espanhóis também temos as danças e a culinária típica, com seus vinhos, massa, azeites, o tão apreciado churro.

Na culinária temos a Paella, talvez um dos pratos mais conhecidos, feito de arroz, azeite e açafrão, carne de porco e vaca que, com a popularização do prato na costa do país, foram acrescidos diversos frutos do mar, como camarão, lula, mexilhão e polvo; o Cozido Madrileño, um dos mais típicos pratos de Madrid, capital da Espanha, cuja base é o grão de bico, leva linguiça, frango, batata, acelga, repolho, vagem; o Gaspacho, uma sopa fria feita de pepino, tomate, alho; a Tortilha de Batata, típica, uma espécie de omelete, feita com ovos e batatas, havendo inclusão de ingredientes, conforme a região, como champignons, pimentão e linguiça; o Pisto, um prato feito de pimentões, tomates, ou legumes da época, acompanhado de um ovo frito.



Outro alimento típico encontrado por toda a Espanha são as Tapas, aperitivos variados para se comer conversando e bebericando, encontrado em inúmeros restaurantes da Espanha e em restaurantes espanhóis de vários locais do mundo.

A dança mais conhecida aqui no Brasil é o Flamengo, estilo musical proveniente da Região da Andaluzia, ao sul da Espanha, de grande influência árabe.

Com eles aprendemos o cultivo do centeio e da alfaia.

Uma das contribuições mais visíveis é o festival tradicional que ocorre em Recife, conhecido como Festival de Cinema Espanhol.

O Flamenco

Com seus gestos fortes, ritmos bem pontuados, com muito destaque para a figura feminina, ricamente vestida, aqui na imagem represento o Flamenco,  estilo musical proveniente da Região da Andaluzia, ao sul da Espanha, de grande influência árabe.

Como gosto muito de enfeitar as figuras com detalhes, encontrei nos leques o elemento propicio para isso!



Além da dança, tradicionalmente com as castanholas, o Flamenco é o canto, a música. A origem remonta ás culturas ciganas e mouriscas, com influencias árabes e judaicas. Originalmente, era somente o canto que passou, com o tempo, a ser acompanhado pela guitarra, palmas, sapateados e dança.

A imagem toda tem os ritmos, os movimentos profusos, e optei pelas cores quentes, da estética mais conhecida do Flamenco. Os traços soltos, voam e tudo vibra ao mesmo tempo. Os leques se mexem e deslocam a energia do fundo da imagem. Tudo é movimento, porque o Flamenco é uma dança que não para. Um desafio constante e uma riqueza inimaginável de movimentos.  

Normalmente, por serem músicas com temáticas de sofrimento, as mulheres dançam muito sérias, tendo seus semblantes pesados. Aqui a fiz sorrir, não sorriso solto, mas com um pouco mais de alegria!

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Armênios e a Dança Kochari. Imigrantes Brasileiros. Série Brasis em Traços

Ilustração "Armênios e a Dança Kochari", da série "Imigrantes do Brasil". 
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Armênios

A Arménia é um país sem costa marítima, localizado na região da Transcaucásia e tem como capital, Erevã. Faz fronteira com a Turquia a oeste, Geórgia a norte, Azerbaijão a leste, e com o Irão e o enclave de Nakhchivan (pertencente ao Azerbaijão) ao sul. Apesar de geograficamente estar inteiramente localizada na Ásia, a Armênia possui extensas relações sociopolíticas e culturais com a Europa. O país recebeu influência de todos os países vizinhos.

Os armênios têm sua própria língua e alfabeto, que consiste em 38 letras, duas delas adicionadas durante o período ciliciano. 96% da população fala o idioma armênio e cerca de 75,8% fala também o russo, mas o inglês vem, cada vez mais, ganhando espaço entre a população.

Em 1915, mais de um milhão e meio de armênios são assassinados, mais precisamente degolados, num assassinato em massa cometido pelo Império Otomano. Esse episódio é negado até hoje pela República da Turquia. Este massacre foi considerado o primeiro genocídio do século XX. Até hoje a memória do Genocídio Armênio é relembrada no dia 24 de abril pelas comunidades Armênias do mundo todo, inclusive aqui no Brasil.


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Os sobreviventes do massacre refugiaram-se na Síria, Egito, Chipre, Iraque, Grécia e Líbano, na época, território francês. Durante toda a década de 1920, os armênios emigraram, em massa, para várias partes do mundo sendo, em maior número para Europa, América do Norte e América do Sul. Era a Diáspora Armênia.

No Brasil acabaram indo para a cidade de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mas a maioria veio para a cidade de São Paulo, onde mais de 40 mil descendentes se estabeleceram. Na cidade de São Paulo muitos foram para a cidade de Osasco, outros para a cidade de Presidente Altino, afim de trabalhar na Cerâmica Hervy e no Frigorífico Wilson. Porém grande parte ficou na região central, próximo ao Mercado Municipal. Chegavam sem emprego e se viraram nas suas, vendendo como mascates, camelôs, em feiras. Muitos tornaram-se comerciantes e, posteriormente, grandes industriais. Na cidade de Osasco foi criada a “CAO – Comunidade Armênia de Osasco”. Em homenagem a esta etnia, ainda em São Paulo, existe a Estação Armênia do Metrô e um portal na web, o “Portal da Estação Armênia”, com notícias da comunidade, cultura, rádios, etc.

Por conta da geografia e história, a culinária Armênia é representada pela culinária mediterrânea e caucasiana, com fortes influências da Europa Oriental e do Oriente Médio, portanto influenciadas por seus países vizinhos.

Caracteriza-se pelos recheios, purês e coberturas na preparação de um grande número de carnes, peixes e legumes. Podemos encontrar muitos pratos da culinária árabe como as esfirras abertas de carne, esfirras fechadas de queijo, abobrinhas e berinjelas recheadas, os rolinhos de folha de uva, o quibe, a qualhada seca. O café árabe também é tomado na comunidade.



A Basturma, é um símbolo da gastronomia Armênia, uma carne de vaca seca ao sol, prensada, envolvida por condimentos. Ela foi criada quando, nos primórdios da civilização, os guerreiros e viajantes penduravam um pedaço de carne salgada no lombo dos cavalos para secar e conservar por longos períodos. Existem aproximadamente 23 tipos de Basturma feito com cavalo, carneiro, cabrito e aves em geral, entre outros. A peça fica parecida com um presunto cru e é comida em laminas fatiadas muito finas, quase transparentes. Na tradição armênia é consumido com ovos

A Sujuk é uma linguiça de carne de vaca também seca e picante, com temperos como cominho, pimenta vermelha e outros. Come-se como um salame, em fatias finas.

A Dança Kochari

Os Armênios formavam uma minoria com longa tradição cristã no Império Otomano Muçulmano.

A agressiva e vigorosa Dança Kochari remonta à esta época na qual estavam em desacordo com os governantes, é uma dança de intimidação executada tanto por homens como por mulheres.



A cultura Armênia é muito rica e profusa de danças e trajes com bastante bordados. Foi difícil escolher uma que a representasse.

Na imagem, em frente ás cores da bandeira Armênia, um casal representa a Kochari, dança que tornou-se patrimônio nacional e cultural do povo Armênio. É dançada em grupo, todos com as mãos dadas, mas destaquei o casal a fim de mar coerência formal para as ilustrações. Os homens levam um lenço nas mãos.

Ao fundo a esquerda, um homem toca o Nagara, um tambor, normalmente tocado com as mãos.

Os símbolos foram invenções minhas, não tendo relação direta com a cultura armênia, uma “licença poética”. 

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Alemães e a Dança Volkstanz. Imigrantes Brasileiros. Série Brasis em Traços

Ilustração "Alemães a dança Volkstanz", da série "Imigrantes do Brasil". 
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Alemães

No estado do Rio de Janeiro, a cidade de Nova Friburgo é considerada o berço da colonização alemã no Brasil. Imigrantes chegaram na região em busca das prometidas terras férteis. Na época, 1824, o Imperador Dom Pedro I, incentivou as autoridades para os levar para a região. Os alemães pagaram suas passagens de vinda para o Brasil, foram para Nova Friburgo, porém não receberam qualquer ajuda de qualquer governo ou autoridade. Custearam suas vidas durante um grande tempo, quando, enfim, receberam os lotes de terra prometidos. Estavam sem dinheiro, em situação adversa, mas se ergueram com a força de seu povo e de seu trabalho. Iniciava-se, oficialmente, a imigração germânica no país.

Os grupos de alemães que aportaram no Brasil no século XIX, tinham uma notável diversidade. Vieram para povoar as colônias do Sul e Sudeste.

No sul, a experiência começou na cidade de São Leopoldo, a primeira experiência de povoamento do Sul, tendo se transformado num dos grandes sucessos da política de colonização do governo imperial. As cidades de São Pedro de Alcântara e Mafra, no estado de Santa Catarina, e Rio Negro no estado do Paraná, são outro exemplo de colônias estabelecidas pelo governo imperial.


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Os colonos alemães expandiram-se pelo território brasileiro e levaram consigo esse sistema de colonização para além da Região Sul, para os estados Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Porém entraram e se dispersaram entre a população brasileira, marcando e influenciando fortemente determinadas áreas. Um traço dessa expansão são construções das igrejas luteranas, que acabaram influenciando alguns aspectos dos rituais católicos.

Também podemos encontrar influência na arquitetura das cidades por onde se estabeleceram.

Na agricultura introduziram o cultivo do trigo e a criação de suínos.

No estado de Santa Catarina, com mais de 180 anos de história, tudo começou no município de Dona Emma, uma cidade com menos de 4.000 habitantes, onde podemos encontrar a “Casa do Imigrante”, da família AX, construída na típica arquitetura enxaimel. Lá a família mantém um acervo de fotos, documentos, objetos, moveis e louças. A casa é aberta para visitação.

Localizada, também, no estado de Santa Catarina, a cidade de Pomerode é considerada a mais germânica das cidades brasileiras, onde se comemora o Festival de inverno de Pomerode, o Pomeroder Winterfest. Lá o visitante assiste às danças folclóricas, saboreia pratos típicos e aprecia o artesanato típico germânico entre eles a pintura Bauer, uma técnica de pintura que vem desde o século XVII, aplicada em móveis, objetos decorativos, utilitários, e o Quebra Nozes que, ao invés do Papei Noel, é o símbolo do Natal Alemão.         

No estado do Espirito Santo, a cidade de Domingos Martins, foi fundada por imigrantes alemães do século XIX. Em 1846 chegaram os imigrantes pomeranos, que ajudaram na colonização e acabaram influenciando a cultura alemã local. Lá se encontra o “Museu Histórico da Colonização Alemã”, criado para preservar e valorizar a cultura através da história dos imigrantes. No museu pode-se encontrar uma variedade imensa de objetos, livros, moveis, cenários, documentos, culinária típica e até aula de pomerano. Uma curiosidade: o gramofone, alternativa para quem quisesse ouvir música no século IXI, foi uma invenção de um alemão, Emil Berliner, em 1887. Na região se fala 4 línguas: o português, o italiano, o pomerano e o hunsrück, uma espécie de dialeto alemão. Ainda em Domingos Martins, encontramos o grupo de danças folclóricas alemãs Bergfreunde de Campinho.

A primeira comunidade luterana no Brasil foi a dos alemães chegados em Nova Friburgo que, em 1827, construíram o primeiro templo luterano do país. Porém as autoridades, na época, mandaram demolir.

A gastronomia alemã utiliza as carnes de porco, bovina e de aves sendo a suína, a mais usada e popular, tanto que o assado de porco, quase sempre a perna, é a refeição de domingo ou em dias festivos, em muitas regiões da Alemanha.



Um outro prato típico é o porco frito com rodelas de limão. A carne é muitas vezes comida em forma de salsicha, sendo que no país são produzidos mais de 1.500 tipos diferentes de salsichas.

Outros pratos são a salada de batata, conhecida como Kartoffelsalat, popular por todo o país; o chucrute ou Sauerkraut, prato típico da culinária alemã, comido no mundo todo, sendo uma conserva de repolho fermentado. Ainda destacamos a batata Rosti Recheada; o joelho de porco ou Eisbein;o Spatzle, uma massinha de batata, semelhante a um inhoque que pode ser servida como acompanhamento de carnes; o Goulash com Batata, um guisado de carne de vaca.

Nos doces encontramos o típico Bolo Floresta Negra, que leva cerejas em seu recheio; o Strudel, de maçã que pode ser servida com chantili; a cuca alemã; o Rote Gruetze, sagu de vinho com creme de baunilha; os Pretzel, famosos pãezinhos tradicionais, feitos em formato de pequeno nó: o milho brot, feito com batata doce, cará e fubá de milho branco, cozidos em folhas de bananeira ao forno.

Nas bebidas, apesar do vinho estar se tornando mais popular, a bebida alcoólica nacional é a cerveja. As variedades de cerveja incluem a Alt, Bock, Dunkel, Kölsch, Lager, Malzbier, Pils e Weizenbier.

A contribuição na música e na dança, uma herança da cultura alemã, são as bandas: os alemães tocavam, por tradição, instrumentos de metais de sopro, sempre em grupos, um som bem tradicional das festas alemães.



A Dança Volkstanz

Nesta imagem fiz um destaque para a cerveja, um produto que o brasileiro ama e aprecia em festas e feiras típicas alemães. O trigo faz a decoração do fundo onde vemos a bandeira da Alemanha.

Na frente, o casal dança a Volkstanz, uma dança folclórica, provavelmente com origem no século XII.

Os primeiros registros das danças folclóricas alemães aparecem no século XII. Eram dirigidas por um dançarino e sua parceira, com cantos e gestos que eram imitados pelas pessoas ao redor. Muitas danças tinham o caráter cômico imitando os cavaleiros em suas conquistas e nas batalhas.

Um dançarino e sua parceira se cortejam durante a dança intercalando com um ou mais dançarinos que representam cenas cômicas de cavalheiros em suas batalhas. As vestimentas são simples, lembrando camponeses.

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Por Lu Paternostro
NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores.

Povos Africanos. Imigrantes Brasileiros. Série Brasis em Traços

Ilustração "Povos Africanos", da série "Imigrantes do Brasil". 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Povos Africanos", da série "Imigrantes do Brasil".
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Povos Africanos

A construção da identidade do povo brasileiro passa pela contribuição dos povos africanos que chegaram ao Brasil como escravos enraizando, na forma de ser do brasileiro, sua rica e variada cultura.

O continente africano é caracterizado pela diversidade de culturas e línguas. Só na África fala-se cerca de 2 mil línguas, com seus dialetos. Esta diversidade é encontrada também em cada país, em cada região.

Durante 400 anos a África passou por um processo muito cruel de violência e discriminação que foi a escravidão e o colonialismo. Mas a alma deste povo continua florescendo em seu território e no mundo todo através de seus ritmos, danças, gastronomia, religião.

Foram cerca de 11 milhões de africanos que chegaram nas Américas, no maior processo de imigração forçada da história humana, sendo que vieram para o Brasil, trazidos pelos portugueses, 4 milhões desse “comércio infame”. Vieram como escravos, trazidos para as lavouras de cana de açúcar, tabaco, algodão, cacau, café, diamantes e outros para a construção de igrejas, casa, ferrovias.

Vieram para o Brasil em navios negreiros ou tumbeiros. A maioria deles eram jovens de 8 a 25 anos, mas nos navios vinham de tudo: cego, manco, surdos, chefes religiosos, príncipes, mulheres gravidas, mulheres com bebes.

Atravessaram o Atlântico em condições mínimas de higiene, vivendo em estado de sofrimento com os mals tratos de uma tripulação sem escrúpulos.  Vinham confinados em porões, junto a comidas podres. Neste tétrico cenário, pegavam doenças, morriam e seus corpos, jogados no mar. Muitos se matavam, jogando-se dos navios, num ato de desespero pelo sofrimento.

O negro tem marcado em sua forma de ser, a força. Resistiam, lutavam contra os colonos, criavam os quilombos, comunidades próprias dos negros, onde viviam suas culturas sem a arbitrariedade dos brancos. O Quilombo dos Palmares, cujo o líder era Zumbi, era o mais famoso, símbolo da resistência negra no Brasil.

Embora a proibição do trafego de escravos tenha partido da Europa, por puro interesse próprio, a escravidão no Brasil terminou muito tarde, num longo processo de proibições em leis que não eram cumpridas, pois a mão de obra barata dos escravos, gerava muito lucro aos senhores de terra. Com as sanções e proibições da Europa, o Brasil começou a comercializar escravos internamente: estes vinham do nordeste para os estados de São Paulo e Minas Gerais.


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No dia 13 de Maio de 1888, a filha de Dom Pedro II, a Princesa Isabel, que assumiu o trono por conta de uma viagem de seu pai à Europa por motivo de saúde, assina a Lei Aurea, abolindo totalmente escravidão. Os escravos foram soltos, porém sem nenhuma indenização, deixando-os rivalizados, sem leis e proteção. Desta forma foram largados, sem educação, moradia, em estado de sub existência.

Porém, sendo um povo de tradição nas lutas, “seus tambores nunca se calaram” e continuaram firmes e fortes levando, ao longo dos anos, sua rica cultura para cada canto do Brasil, desde as religiões afro-brasileiras, as danças, a música, a culinária e o idioma.

Gastronomia

Na gastronomia, a África deu sua contribuição na construção de nossa identidade brasileira. Encontramos na culinária africana um grande universo de modos de fazer, temperos, ingredientes, utensílios, sabores, história, religião, todos aspectos que influenciaram nossa mesa.

De todas as culturas do mundo, a africana é a mais representativa da junção destes fatores. De norte a sul da África encontramos pratos com influência mediterrânea, das tribos locais, asiáticas, mulçumanas, árabes. E quando vieram para o Brasil, trouxeram uma rica sabedoria culinária.

O Azeite de Dendê é um exemplo emblemático. Outro exemplo, fruto da adaptação do negro diante das condições desumanas em que eram submetidos, foi a feijoada, feita com as sobras das carnes dos seus senhores, processadas pelo modo africano de cozinhar.

O Acarajé, uma especialidade gastronômica da culinária afro-brasileira, um bolinho de massa de feijão fradinho, cebola e sal, frito em azeite-de-dendê, oferecidos no Candomblé para Xangô e Iansã. A forma de fazer e comercializar, o “Oficio das Baianas de Acarajé”, é registrado como “Bem Cultural de Natureza Imaterial”, inscrito no “Livro dos Saberes” do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional.
Sua receita tem origens no Golfo do Benim, na África Ocidental, tendo sido trazidos ao Brasil pelos escravos que vieram dessa região.



No caso da culinária brasileira, que leva a influência dos indígenas e europeus também, os africanos trouxeram outros quitutes e pratos bem típicos: o Abará, um bolinho de origem africana feito com a massa do feijão fradinho, camarão seco, azeite de dendê e temperos, enrolados em folha de bananeira, cozidos em água, sendo, no candomblé, comida de santo, oferecido para Obá e Ibeji; o Aberém, um bolinho feito de milho, arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas, sendo também, comida de santo no Candomblé, oferecidos a Omulu e Oxumaré; o Quibebe, um prato típico nordestino de origem africana, feito de carne, caruru, mocotó.

O Aluá é uma bebida feita de milho, de arroz ou casca de abacaxi, fermentados com açúcar ou rapadura, usada como oferenda em festas de orixás. Da cultura africana adquirimos o habito de se comer camarão seco, utilizar panelas de barro e a colher de pau, dentre outras.



Religião

A religião africana, apesar de ser considerada herege pela Igreja Católica na época da escravidão, influenciou os rituais e as crenças do povo brasileiro.

Os escravos que vieram para o Brasil entre os séculos XVI e XIX, trouxeram o Candomblé, considerado feitiçaria pelos colonos portugueses que reprimiu seus rituais de forma brutal. Para continuar existindo, se transmutou e tornou-se a maior representação do sincretismo religioso afro-brasileiro. Para cada orixá, ou deuses africanos, há um corresponde santo católico, uma forma criativa que os escravos encontraram para esconder suas devoções com as “vestes católicas”, enganando, assim, seus senhores.

Alguns exemplos de sincretismos são: o orixá Oxalá seria representado na religião católica por Jesus Cristo e Senhor do Bonfim; Xangô, São Jerônimo e São Pedro; Ogun, São Sebastião na Bahia e São Jorge no Rio de Janeiro; Oxóssi, São Sebastião no Rio de Janeiro e São Jorge na Bahia; Obaluaiê, São Lazaro e São Roque; Oxum are, São Bartolomeu; Logun Edé; Santo Expedito e São Miguel Arcanjo; Ibeji, São Cosme e São Damião; Exu, Santo Antônio e, erroneamente, o Diabo; Ewá, Nossa Senhora das Neves; Nanã, Santa Ana, mãe de Maria;  Iemanjá, Nossa Senhora da Glória e Nossa Senhora dos Navegantes; Oxum, Nossa Senhora da Conceição no Rio de Janeiro e Nossa Senhora das Candeias na Bahia; Iansã, Santa Bárbara; Obá, Santa Catarina; Xangô, São Jerônimo, Santo Antônio, São Pedro, São João Batista, São José e São Francisco de Assis.

A lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim, ritual que acontece todos os anos desde 1754, em Salvador, capital do estado da Bahia, é um dos exemplos da fusão religiosa do catolicismo com o Candomblé. O cortejo é comandado pelas baianas com seus ricos trajes típicos. Carregam vasos com águas de cheiro. Atrás delas vêm os Filhos de Gandhi e uma multidão de fiéis, todos vestidos de branco, a cor de Oxalá, o deus Yoruba, sincretizado com o Senhor do Bonfim.

A Umbanda, é uma religião brasileira, formada por elementos de outras religiões como o catolicismo e o espiritismo, juntando elementos das culturas indígenas e africanas. A palavra significa “Curandeiro” em banto, língua falada em Angola. Tem origem nas senzalas, onde os escravos vindos da África, louvavam e incorporavam seus deuses através de danças e cantos acompanhados de atabaques.



Incorporados, também, da cultura africana, estão as superstições, os talismãs, os amuletos e outros objetos onde se atribui um valor de encantamento e proteção. Eram objetos usados pelos escravos vindos para o Brasil. Entre ao mais conhecidos, encontramos as pencas de balangandãs, símbolo típico da Bahia, as figas, antigos objetos de proteção e sorte. Os patuás, já utilizados pelos etruscos, foram incorporados na cultura africana. Os patuás são pequenos saquinhos de plástico ou tecido contendo orações, terra santa, ervas e tantos outros preenchimentos, voltados para a proteção de quem os carrega.

Outro aspecto dos cultos africanistas é a leitura de Búzios, uma arte adivinhatória, utilizados nas religiões tradicionais da África.

Em Salvador, no estado da Bahia, encontramos a festa de São Roque, desde 1737, uma manifestação de sincretismo Afro-católico. Além da missa católica que acontece na Igreja de São Lázaro, o povo da tradição Candomblé oferece rituais de banho de pipoca para os visitantes, para limpar o corpo e espantar o mal olhado, além de diversas outras atividades, gastronomia, etc.

Festas e Danças

As festas e tradições populares brasileiras de origem, ou que tiveram influências africanas, marcam nosso calendário. Normalmente feitas em comunidade carregam ritmos variados, coreografias que envolvem a coletividade, muita alegria, formas e cores. Com enredos ou não, os participantes cantam, tocam e dançam juntos, muitas vezes em ritmos rápidos e enérgicos, outros sensuais, muitas vezes quase em estado de transe.

Podemos citar como típicas da cultura afro-brasileira o Maracatu, a Congada, a Festa de Iemanjá, manifestações de devoção a São Benedito, o santo negro, dentre inúmeras outras.

Música

Os ritmos da África influenciaram a música do planeta. Aqui no Brasil, praticamente toda nossa música popular brasileira tem um toque dos ritmos africanos, tornando-se uma mistura de influencias da música africana com elementos da música portuguesa.

Canal Parabolé.

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As expressões das músicas afro-brasileira mais conhecidas são o Samba; o Maculelê, uma dança afro-indígena; o Maracatu, ritmo tradicional do nordeste do Brasil, nascido nas cidades  de Recife e Olinda, no estado de Pernambuco; o Ijexá, um ritmo musical suave, de batida e cadência marcadas de grande beleza, no ritmo e na dança, sendo o “Afoxé Filhos de Gandhi” do estado da Bahia, o mais persistente dos grupos culturais brasileiros na preservação desse ritmo. Temos ainda o Coco, o Jongo, o Carimbó, a Lambada, o Maxixe, o Samba Reggae, Axé, o Lundu, o Cafezal, o Caxambú, e tantos outros ritmos.

Destacamos a Roda de Capoeira, que une luta e dança tornando-se um símbolo da resistência da cultura africana, com os ritmos típicos do berimbau, instrumento musical de origem angolana. A Roda de Capoeira recebeu o título de “Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade” da “Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura” (Unesco).

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Por Lu Paternostro
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