Ticumbi. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços

Baile de Congo capixaba que encena a disputa entre o Rei de Congo e o Rei de Bamba para homenagear São Benedito. Batas brancas, chapéus floridos e tambores marcam uma ópera popular de forte raiz banto.

Ilustração "Ticumbi", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Ticumbi", da série "Manifestações da Cultura Brasileira.
Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Entre serra e mar,
Das tardes num rio a se banhar,
Os pensamentos vagueiam num dourado céu de acolá.
Vales e montanhas, verde e azul de uma terra ao léu...
Dorme um sonho de quem acredita naquele lugar.
Em roda da pedra ou na Barra
Um congo a cantarolar, a dançar...

Ticumbí nas dunas,
Jongo e Folia vêm lá.
Gente que planta a semente,
Sopro de vida de um ser maior...
Cala a palavra e o que fala é a vida ao luar
Em roda da pedra...
Entre serra e mar...

Mar e Montanha
Grupo Moxuara

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Ticumbi: O Baile de Congo que Canta a Força e a Fé do Povo Negro!

Prepare-se para adentrar um dos mais poderosos rituais da cultura afro-brasileira: o Ticumbi, ou Baile de Congo de São Benedito.

Uma dança dramática, uma ópera popular, um auto sagrado que nasceu do encontro entre a fé católica e as tradições dos reinos africanos bantos.

É a história de reis, guerras e reconciliação contada em versos, danças e cores, no extremo norte do Espírito Santo.

O Berço do Ticumbi: Entre Serra, Mar e Memória

O Ticumbi é um folguedo tradicional do Vale do Cricaré, região entre as cidades de Conceição da Barra e São Mateus, no Espírito Santo. Essa é considerada a “região mais africana” do estado, onde prosperaram fazendas que utilizavam o trabalho de milhares de negros de tradição banto, vindos da África e desembarcados no porto de São Mateus.

A vila de Itaúnas, palco de uma das celebrações mais emblemáticas do Ticumbi, carrega em si a própria história do folguedo: a antiga vila foi soterrada pelas dunas, mas seu povo, com amor e resiliência, reconstruiu a comunidade do outro lado do rio, mantendo viva a chama da tradição.



Patrimônio Imaterial: A Memória que Dança

O Ticumbi é um registro vivo da história, transmitido de geração em geração. Embora ainda não tenha um título unificado de Patrimônio Imaterial da Humanidade, ele é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Espírito Santo e um dos mais importantes representantes da cultura banto no Brasil.

Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Ticumbi é a prova de que a memória pode ser cantada, dançada e celebrada, mantendo viva a identidade de um povo.

O Auto do Ticumbi: Uma Ópera Popular em Atos

O Ticumbi é um auto dramático, dividido em mais de 10 partes, que conta a história de dois reis negros: o Rei de Congo (cristão) e o Rei de Bamba (pagão). A trama gira em torno da disputa para ver quem terá o direito de realizar a festa de São Benedito, padroeiro dos negros, pobres e oprimidos.

  1. Cortejo e Embaixadas: Os reis, acompanhados de seus secretários (chamados de “sacratários”) e seus exércitos de congos, trocam desafios e embaixadas, dialogando em versos.
  2. A Guerra “Sem Travá”: Como não chegam a um acordo, inicia-se a primeira guerra, uma “luta bailada” coreografada, cheia de energia e simbolismo.
  3. A Guerra “Travada”: Os reis batem espadas, e a batalha se intensifica, representando o conflito entre o cristianismo e as tradições ancestrais.

A Rendição e o Batismo: Ao final, o Rei de Bamba se rende, é batizado e todos celebram a união. O clímax é o “Te Cumbia”, uma dança de ombros que celebra a vitória e louva a Zambi — palavra banto que significa “Deus”.

Personagens: Reis, Guerreiros e a Coroa de Flores

Cada personagem tem um papel fundamental na encenação:

  • Rei de Congo e Rei de Bamba: Usam coroas de papelão dourado ou prateado, peitoral de espelhinhos e flores, capa comprida e uma longa espada.
  • Secretários (Sacratários): Atuam como embaixadores, desafiando o lado oposto em diálogos cantados.
  • Congos: O corpo de dança, composto por guerreiros que tocam pandeiros e ganzás, vestindo longas batas brancas rendadas, calças largas com friso de fita, fitas trançadas no peito e, na cabeça, um chapéu ou lenço branco adornado com flores e fitas coloridas — um dos visuais mais bonitos e característicos do Ticumbi.
  • Violeiro: Acompanha o grupo, com vestimenta semelhante à dos dançantes, entoando as melodias que guiam o auto.

Música e Instrumentos: O Ritmo que Conta História

A trilha sonora do Ticumbi é marcante e africana:

  • Pandeiros e Ganzás (Canzás): Chocalhos feitos de latas, que dão o ritmo pulsante da dança.
  • Viola: Entoa as melodias e os versos, que são renovados a cada ano para comentar fatos sociais, políticos ou histórias locais.
  • Cantos: As letras são improvisadas ou adaptadas, transformando o Ticumbi em um jornal vivo, que narra o cotidiano da comunidade.

Rito e Identidade: “São Benedito é Filho de Zambi!”

O Ticumbi é uma fusão única de elementos católicos e africanos. Embora aconteça em torno da Igreja e da devoção a São Benedito e São Sebastião, seus movimentos, gestos e coreografias são de clara referência banto.

Durante o “Te Cumbia”, os participantes afirmam: “São Benedito é filho de Zambi”, unindo a fé cristã à espiritualidade africana. O auto, portanto, é também um ato de afirmação da identidade negra, um ritual de resistência e celebração da ancestralidade.

A Tradição que se Renova: Mestres e Comunidade

O Ticumbi é mantido vivo graças à dedicação de seus mestres e da comunidade. O Mestre Tertolino Balbino (Mestre Terto), falecido em 2022, liderou o grupo de 1954 a 2018, mantendo a força da tradição quilombola da região.

Os ensaios começam em outubro e novembro, nas roças, e a festa acontece em janeiro, com procissões, apresentações e banquetes comunitários. O grupo do Ticumbi – Baile de Congo de São Benedito de Conceição da Barra é um dos mais antigos e importantes expoentes dessa manifestação cênico-musical.

Por que o Ticumbi é tão importante?

Porque ele é:

  • Memória Viva: Um auto que narra a história dos reinos africanos, da escravidão e da resistência negra no Brasil.
  • Arte Total: Une teatro, dança, música, poesia e artes visuais em uma só apresentação.
  • Identidade e Resistência: É um ritual de afirmação da cultura banto, que resiste ao tempo e à invisibilidade.
  • Comunidade: Une gerações, celebra a fé e fortalece os laços sociais, sendo um pilar da cidadania capixaba.

O Ticumbi é a força da ancestralidade que dança, canta e luta em cada gesto, um tesouro do Espírito Santo que pulsa como um coração africano no Brasil.


Selo Brasis em Traços de Lu Paternostro

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.


Uma pequena lembrança para você:

Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.

É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.

Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro

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NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores

Festas Juninas. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços

Fogueiras, bandeirinhas, quadrilhas e comidas de milho aquecem o inverno brasileiro em um mês de pura celebração. Santo Antônio, São João e São Pedro são o pretexto para reunir fé, dança e sabores da roça.

Ilustração "Festas Juninas", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Festas Juninas", da série "Manifestações da Cultura Brasileira.
Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

A fogueira tá queimando
Em homenagem a São João
O forró já começou
Vamos gente, rapapé neste salão 

Dança Joaquim com Isabé
Luiz com Iaiá
Dança Janjão com Raqué
E eu com Sinhá
Traz a cachaça, Mané
Eu quero vê, quero vê páia voar

São João na Roça
Luiz Gonzaga

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Festas Juninas: A Celebração Multicultural que Acende o Coração do Brasil!

Prepare-se para sentir o cheiro da fogueira, o sabor do milho e a alegria contagiante que toma conta do Brasil em junho!

As Festas Juninas, antigamente chamadas de joaninas, são uma celebração multicultural que atravessa o país de ponta a ponta, honrando os "santos populares" — Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).

É um mês inteiro de tradição, fé, música, dança e uma profunda conexão com as raízes rurais e a cultura popular brasileira.

Origens Antigas: Da Europa à China, Chegando ao Brasil

As Festas Juninas têm uma história rica e complexa, com raízes que remontam à Idade Média europeia, onde se celebrava o solstício de verão no hemisfério norte, pedindo fartura nas colheitas.

Com a chegada dos portugueses ao Brasil no período colonial, a festividade foi introduzida, trazendo consigo traços característicos encontrados desde a Europa até a China.

Com o passar do tempo, essas celebrações foram incorporando as características das diversas regiões do Brasil, ganhando uma identidade única e vibrante. Embora presentes em todo o território nacional, popularizaram-se de forma grandiosa no Nordeste, tornando-se internacionalmente conhecidas tanto por sua escala quanto por sua rica tradição.

Patrimônio Cultural: Um Mosaico de Tradições Vivas

As Festas Juninas, em sua totalidade, são um vasto complexo cultural. Embora não possuam um título unificado de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, muitos de seus elementos constituintes — como o Forró, o Bumba Meu Boi, o Frevo e outras manifestações regionais — já são reconhecidos individualmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN. Isso ressalta a importância e a riqueza de cada tradição que compõe essa grande festa.

Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. As Festas Juninas são um exemplo grandioso de como a fé, a música, a dança, a culinária e o artesanato são transmitidos de geração em geração, moldando a identidade de um povo.



Símbolos e Rituais: A Magia do Arraial

As Festas Juninas são repletas de símbolos que contam histórias e criam uma atmosfera mágica:

  • Fogueiras: Um item indispensável, presente em todas as festas de São João europeias cristãs. Além de aquecer no inverno, a fogueira celebra a chegada do solstício e, no Nordeste, é um símbolo de esperança por chuvas e boas colheitas.
  • Fogos de Artifício: Trazidos da China, onde a manipulação da pólvora era um legado, os fogos servem, segundo a tradição popular, para acordar São João e anunciar a grandiosidade da festa.
  • Balões: Antigamente, soltos em grupos de 5 a 7, avisavam que a festança estava para começar. Hoje, por questões de segurança, são mais simbólicos.
  • Enfeites e Bandeirinhas: Vindos de Portugal, transformam cidades, ruas e arraiais em um mar de cores e alegria.
  • Levantamento do Mastro: Com a imagem do santo ou dos santos, é um ritual ancestral de origem pagã, mas com forte simbolismo católico, que marca o início das celebrações.

A Quadrilha Junina: Da Corte Francesa ao Coração do Povo

Quadrilha Junina é a dança mais emblemática das festas. Sua origem remonta às danças de salão francesas, a quadrille, uma dança nobre para quatro pares, muito em voga no início do século XIX. Trazida ao Brasil pelas elites portuguesas e brasileiras, a quadrilha se transformou profundamente:

  • Adaptação Brasileira: Com o tempo, ela ganhou influências afro-brasileiras e indígenas, aumentando o número de participantes e abandonando os passos e ritmos franceses originais.
  • O Marcador: A presença de um mestre "marcante" ou "marcador" é essencial. É ele quem determina as coreografias temáticas, utilizando termos de origem francesa (como "garranchê") para cadenciar a dança, que hoje é um espetáculo de coreografias complexas e figurinos luxuosos.
  • Espetáculo e Comunidade: As quadrilhas juninas se tornaram um verdadeiro espetáculo de dança e teatro, com meses de preparação para elaborar figurinos e coreografias. Elas movimentam comunidades inteiras, com grupos que chegam a gastar centenas de milhares de reais para estar na quadra, mostrando a paixão e o profissionalismo envolvidos.

Vestimentas: A Elegância Caipira que Conquista

As festas juninas se popularizaram no meio rural, daí sua vestimenta campesina ou "à caipira", que se tornou um ícone da celebração:

  • Homens: Camisa xadrez, calça remendada com panos coloridos, lenço no pescoço e chapéu de palha.
  • Mulheres: Vestidos coloridos de chita, com rendas e laços, tranças no cabelo, maquiagem de "matuta" e chapéu de palha.

Essa indumentária, que celebra a vida no campo, é parte essencial da caracterização e da alegria da festa.

Culinária Típica: Os Sabores da Terra

A época das festas juninas coincide com a colheita, e os índios já tinham o hábito de fazer festas e cantorias para agradecer a fartura. Por isso, as comidas típicas são um capítulo à parte, feitas de grãos e raízes:

Licor: Especialmente na Bahia, licores artesanais de diversos sabores, alguns exóticos como o de rosas, são uma tradição refinada.

Milho Verde: O rei da festa, transformado em canjica, bolo de milho, curau, pipoca, pamonha, broa de milho, bolo de fubá, cuscuz e o delicioso milho cozido ou assado.

Amendoim: Presente no pé-de-moleque, paçoca, e amendoim torrado.

Batata-Doce e Mandioca: Em doces, bolos e outras iguarias.

Música e Instrumentos: A Trilha Sonora da Alegria

A música é o coração das Festas Juninas, e o Forró é o ritmo que embala a maioria das celebrações. Os instrumentos que acompanham as quadrilhas e os bailes são:

  • Sanfona (Acordeão): O instrumento principal, que comanda a melodia.
  • Zabumba: O tambor que dá o grave e a batida marcante.
  • Triângulo: O "tengo-lengo" que complementa a percussão.
  • Pandeiro, Violão, Viola e Cavaquinho: Enriquecem a sonoridade, com a introdução inovadora de violinos em alguns forrós.

As Maiores Festas: Um Espetáculo de Grandiosidade

As Festas Juninas movimentam a economia local e atraem milhões de turistas de todo o mundo. Algumas se destacam pela grandiosidade:

  • Campina Grande (PB): Intitulada o "Maior São João do Mundo", atrai cerca de 2 milhões de visitantes anualmente. Durante um mês, o Parque do Povo se transforma em uma cidade cenográfica gigante, com ilhas de forró, competições de quadrilhas e shows pirotécnicos.
  • Caruaru (PE): Considerada a "maior festa country ao ar livre do mundo", com uma das programações mais longas (chegando a 65 dias de festa). O Pátio de Eventos Luiz Gonzaga é o palco principal, e o projeto "São João na Roça" leva artistas para polos na zona rural.
  • Mossoró (RN): A "Cidade Junina" atrai mais de 1 milhão de pessoas, com o tradicional "Pingo da Meio-Dia", um grande bloco junino com trio elétrico que abre a festa.
  • Santo Antônio de Jesus (BA) e Aracaju (SE): Também se destacam com programações musicais de peso e grande diversidade cultural.

Por que as Festas Juninas são tão grandiosas?

Porque elas são:

  • Multiculturais: Uma fusão de tradições europeias, africanas e indígenas.
  • Comunitárias: Celebradas em escolas, paróquias, praças e cidades inteiras, unindo as pessoas.
  • Vibrantes: Um mês inteiro de alegria genuína, música, dança e sabores inesquecíveis.
  • Tradição Viva: Um elo com o passado que se renova a cada ano, mantendo viva a alma do Brasil.
  • Economia e Arte: Geram trabalho e renda para milhares de artesãos, músicos e artistas, transformando a cultura em desenvolvimento.

As Festas Juninas são o abraço caloroso do Brasil, um convite para celebrar a vida, a fé e a alegria que pulsam em cada fogueira acesa!


Selo Brasis em Traços de Lu Paternostro

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.


Uma pequena lembrança para você:

Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.

É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.

Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro

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NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores

Festa de Iemanjá. Série Brasis em Traços

Ilustração "Festa de Iemanjá", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Festa de Iemanjá", da série "Manifestações da Cultura Brasileira.
Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

É água no mar, é maré cheia ô
mareia ô, mareia
É água no mar...

Contam que toda tristeza
Que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos
Molhados de mar.

Não sei se é conto de areia
Ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia
Pra gente contar.

Um dia morena enfeitada
De rosas e rendas
Abriu seu sorriso de moça
E pediu pra dançar.

A noite emprestou as estrelas
Bordadas de prata
E as águas de Amaralina
Eram gotas de luar.

Era um peito só
Cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa

Quem foi que mandou
O seu amor
Se fazer de canoeiro
O vento que rola das palmas
Arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas
de Iemanjá
E o mestre valente vagueia
Olhando pra areia sem poder chegar
Adeus, amor

Adeus, meu amor
Não me espera
Porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros
De minha senhora

Desfia colares de conchas
Pra vida passar
E deixa de olhar pros veleiros
Adeus meu amor eu não vou mais voltar

Foi Beira-Mar, foi Beira-Mar quem chamou
Foi Beira-Mar ê, foi Beira-Mar

Conto de Areia
Romildo Bastos e Toninho Nascimento,
cantado por Clara Nunes


Iemanjá: A Rainha do Mar que Acolhe e Abençoa o Povo Brasileiro!

Prepare-se para sentir a brisa do oceano e a força das ondas que trazem a energia de uma das divindades mais amadas do Brasil! A Festa de Iemanjá é uma celebração de fé, devoção e gratidão à Rainha do Mar, uma manifestação cultural e religiosa que atravessa o país, unindo milhões de corações em um só louvor.

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Iemanjá: A Mãe Cujos Filhos São Peixes

Iemanjá é um orixá africano cujo nome deriva da expressão iorubá Yéyé omo ejá, que significa “Mãe cujos filhos são peixes”. No Brasil, ela é considerada a rainha das águas e marés, senhora dos oceanos, uma sereia sagrada e protetora dos pescadores e jangadeiros.

Essa divindade, a mais popular das religiões africanas, é geralmente representada como uma mulher de longos cabelos escuros e túnica azul, que também assume a forma de sereia, morando nas profundezas do mar. Sua imagem evoca a força, a beleza e a generosidade das águas.

Sincretismo e Nomes: A Rainha de Mil Faces

A riqueza cultural brasileira permitiu que Iemanjá fosse associada à Virgem Maria e Nossa Senhora dos Navegantes no catolicismo, em um belíssimo exemplo de sincretismo religioso. Por isso, ela é conhecida por vários nomes carinhosos e reverentes: Janaína, Rainha do Mar, Dona Janaína, Inaê, Mãe da Água, Princesa do Aiocá, Deusa das Pérolas e, no paralelismo católico, Maria.

Associados a ela estão:

  • Cor: Azul
  • Metal: Prata
  • Dia da Semana: Sábado
  • Ponto de Domínio na Natureza: O mar
  • Flores: Rosas e palmas brancas, angélicas, orquídeas
  • Pedras: Pérola e água-marinha

Patrimônio Imaterial: A Fé que move as Águas

Embora a Festa de Iemanjá como um todo não possua um título unificado de Patrimônio Imaterial da Humanidade, suas celebrações são reconhecidas e valorizadas como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em diversas esferas estaduais e municipais. A Festa de Iemanjá do Rio Vermelho, em Salvador, por exemplo, é um dos maiores e mais emblemáticos eventos do calendário cultural baiano.Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. A Festa de Iemanjá é um exemplo grandioso de como a fé, a devoção, os rituais e a comunidade se entrelaçam para celebrar a vida e a ancestralidade.

A Grande Festa: 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá

Iemanjá goza de grande prestígio entre os seguidores das religiões afro-brasileiras, por isso suas festas são repletas de fiéis que devotam oferendas e presentes à rainha das ondas. A data principal de celebração é 2 de fevereiro, que coincide com o dia de Nossa Senhora dos Navegantes para os católicos.

As festividades são marcadas por grandes procissões, muitas delas fluviais ou marítimas:

  • Salvador (BA) - Praia do Rio Vermelho: Uma das mais populares festas de celebração pública do candomblé. Milhares de fiéis, baianos e turistas, vestidos de branco, fazem oferendas a Iemanjá, agradecendo ou pedindo alguma bênção. A tradição começou em 1923, quando pescadores do Rio Vermelho, desesperados pela diminuição de peixes, pediram ajuda a Iemanjá com presentes, e a prática se tornou um ritual anual. As homenagens começam de madrugada, com devotos colocando bilhetes com pedidos e presentes em cestos, que são levados por embarcações para o alto mar. Dizem que os pedidos recusados não afundam ou voltam para a praia.
  • Rio Grande do Sul: Comemora-se a tradicional procissão marítima da Lagoa dos Patos, entre Rio Grande e São José do Norte, realizada há mais de 200 anos.
  • Outros Estados: A celebração acontece em todos os estados brasileiros, muitos deles junto com a Nossa Senhora dos Navegantes, a forma sincrética do orixá no catolicismo.

Oferendas e Rituais: A devoção que flutua

Os presentes oferecidos a Iemanjá são escolhidos com carinho para agradar a rainha do mar e obter sua proteção:

  • Flores Brancas: Rosas e palmas brancas são as mais comuns, simbolizando pureza e paz.
  • Objetos Pessoais: Perfumes, espelhinhos, bijuterias, sabonetes, pentes e outros itens de beleza.
  • Comidas: Manjar branco, acaçá (massa de milho branco ou vermelho embrulhada em folhas de bananeira), peixe de água salgada, bolo de arroz, melancia, cocada branca, ebôya (fava de Iemanjá) e ebô (milho branco sem tempero).
  • Velas: Azuis ou brancas, acesas em locais especiais em casa ou levadas para a praia.

Em casa, por ocasião do seu dia, é comum colocar sobre uma mesa um vaso de rosas brancas ou cestas com frutas, ou acender uma vela azul ou branca em um local especial, em um gesto de devoção íntima.

A Voz dos Mestres: Iemanjá na Música Brasileira

A presença de Iemanjá na música brasileira é um testemunho de sua importância cultural. Grandes nomes da nossa MPB a homenagearam, imortalizando sua figura e sua força:

  • Toquinho e Vinicius de Moraes: Com canções que evocam a beleza e o mistério do mar.
  • Clara Nunes: Sua interpretação de "Conto de Areia" é um clássico que narra a paixão e a devoção à Rainha do Mar.
  • Baden Powell: Com sua maestria, também dedicou composições à divindade, mostrando a universalidade de sua influência.

Essas músicas não apenas celebram Iemanjá, mas também educam e conectam o público com a riqueza das religiões afro-brasileiras.

Por que a Festa de Iemanjá é tão importante para o Brasil?

Porque ela é:

  • Fé e Devoção: Uma expressão profunda de crença e gratidão à Rainha do Mar.
  • Sincretismo Religioso: Um belo exemplo da fusão entre as tradições africanas e o catolicismo no Brasil.
  • Comunidade e União: Milhares de pessoas se reúnem, independentemente de sua religião, para celebrar e compartilhar a esperança.
  • Cultura Viva: Um ritual que se renova a cada ano, mantendo viva a memória e a ancestralidade.
  • Beleza e Poesia: Inspiradora para artistas, poetas e músicos, que veem em Iemanjá a força e a beleza do oceano.

A Festa de Iemanjá é o abraço do mar que acalma a alma, uma celebração de vida, fé e esperança que faz do Brasil um país ainda mais rico em espiritualidade e cultura!


Selo Brasis em Traços de Lu Paternostro

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.


Uma pequena lembrança para você:

Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.

É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.

Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro

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NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores

Reisado. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços

Auto popular que mistura teatro, dança, música e religiosidade para recontar a visita dos Reis Magos. Reis, caboclos, bois, caretas e Mateus criam um espetáculo cênico vibrante, cheio de humor e devoção.

Ilustração "Reisado", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Reisado", da série "Manifestações da Cultura Brasileira.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Lá vem chegando o Reisado
Cheio de graça e folia
Oh senhor dono da casa abre a porta e deixe entrar
Essa bandeira sagrada vem aqui lhe visitar
Bendito louvado seja
Pra hoje e sempre o amor
Se essa vida é tirana e causa tamanha dor
Quanto mais se for sozinha a lida do cantador

Por isso meus companheiros cantem comigo
que não canto só
Pra encontrar em cada rosto um destino bem "mió"

Reisado
Chico Lobo

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Reisado: O Auto Sagrado que Une Fé, Teatro e Folia no Coração do Brasil!

Prepare-se para adentrar um dos mais fascinantes universos da cultura popular brasileira: o Reisado.

Mais do que uma simples festa, o Reisado é um auto popular, um espetáculo cênico-musical que mistura fé, teatro, dança e devoção.

É a história dos Três Reis Magos recontada de porta em porta, com música, alegria e uma profunda conexão comunitária.

A Origem Ibérica e a Chegada ao Brasil

Segundo o grande folclorista Luis da Câmara Cascudo, o Reisado é a denominação erudita para os grupos que cantam e dançam na véspera e no Dia de Reis (6 de janeiro). A tradição tem origem na Península Ibérica (Portugal e Espanha) e foi trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses durante o período colonial.

O Reisado celebra o nascimento do Menino Jesus e a visita dos Três Reis Magos, mas, ao longo dos séculos, ganhou contornos próprios no Brasil, incorporando elementos indígenas, africanos e das realidades locais, tornando-se um verdadeiro mosaico multicultural.

Patrimônio Imaterial: Uma Tradição que se Renova

Embora o Reisado ainda não tenha um título unificado de Patrimônio Imaterial da Humanidade, ele é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em diversas regiões, sendo uma das manifestações mais importantes para a identidade cultural do interior do país.

Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Reisado é um exemplo vivo de como a fé, a arte e a sociabilidade se entrelaçam para formar a alma de um povo.

O Roteiro do Auto: Uma Peça Teatral a Céu Aberto

O Reisado é, a um só tempo, rito, auto-épico, brincadeira, cortejo e ópera popular. Sua estrutura segue um roteiro que se repete, mas que se renova a cada apresentação:

  1. Abertura e Pedição de Sala: O grupo chega à casa e o Mestre pede permissão para entrar, cantando versos de saudação.
  2. Louvação ao Divino: A Companhia se dirige ao presépio ou altar e canta em louvor ao Menino Jesus e aos Santos Reis.
  3. Parte das Figuras: É o clímax do auto, onde os personagens entram em cena, dançam e interagem com o público.
  4. Entremeios e Falas: Momentos de diálogo cômico ou dramático, com personagens como o Caboclo, a Dona do Baile, Mateus e Catirinas.
  5. Cantigas e Chulas: Momentos de pura música e dança, onde a comunidade é convidada a participar.
  6. Entrada do Boi: Em muitos Reisados, o Boi entra em cena, trazendo a memória do Bumba-meu-boi e misturando as tradições.
  7. Despedida: O grupo agradece as doações e a acolhida, deixando a bênção dos Reis na casa visitada.



Personagens: Uma Corte de Reis, Guerreiros e Caretas

O Reisado é um verdadeiro desfile de personagens, cada um com sua função e simbolismo:

  • Reis Magos: Oito ou dez figuras que representam os gladiadores romanos, vestidos com saiotes, capacetes, espadas e armaduras, cobertos de lantejoulas, fitas e espelhinhos. São a guarda de honra dos Reis.
  • Mestre e Contra-Mestre: Os líderes do grupo, responsáveis pela organização, pelas cantigas e pela condução do auto. Vestem-se de forma mais requintada.
  • Careta ou Bastião: Figura cômica e protetora, mascarado, que brinca, provoca o riso e “quebra os atrapalhos”. É o elo entre o sagrado e o profano.
  • Mateus e Catirinas: Os bufões do auto, que pulam, brincam e trazem o humor para a encenação.
  • Figuras Animalescas: A Burrinha (que lembra o animal que levou Maria), o Jaraguá, a Ema, o Caipora e, claro, o Boi, que dialoga com o universo do Bumba-meu-boi.
  • Bandeireiro: Conduz a bandeira sagrada, o símbolo que legitima a Companhia.

Música e Dança: A Trilha Sonora do Reisado

A música é a alma do Reisado, e a dança é sua expressão máxima de alegria. Os instrumentos variam conforme a região, mas os mais tradicionais são:

  • Viola, Violão e Cavaquinho: Enfeitados com fitas coloridas, que carregam simbolismos (fitas azuis, rosa e amarelas para a Virgem Maria; branca para o Divino Espírito Santo).
  • Zabumba e Caixa: A base percussiva que marca o ritmo da caminhada e das danças.
  • Sanfona, Rabeca, Triângulo e Pandeiro: Adicionam melodia, brilho e cadência às toadas.
  • Banca Cabaçal: Um conjunto de percussão e sopro formado por zabumba, caixa-tarol, pratos e pifes de taboca (pífanos), comum em algumas regiões.

As danças são variadas, incluindo a chula (dança só de homens), o balanceado, a dança-da-jaca e outras coreografias que surgem no calor do momento.

Reisado x Folia de Reis: Qual a Diferença?

Embora ambos celebrem os Santos Reis, o Reisado costuma ser mais teatral e cênico, com personagens fantasiados, coreografias elaboradas e uma estrutura de auto mais definida. Já a Folia de Reis é, em geral, mais focada na procissão, no canto e na visita devocional, com menos ênfase no teatro e nos personagens fantasiados.

A Voz dos Mestres: “É um Chamado!”

Para quem vive o Reisado, ele não é apenas uma brincadeira, mas uma missão de vida. Como relata o Mestre Antônio Luiz, do Reisado de Caretas de Potengi (CE): “A gente faz o Reisado por amor e carinho. Se não for com amor, não vai para frente.”

A tradição atravessa gerações. Muitos mestres contam que aprenderam com o pai, o avô ou o bisavô, que trouxeram a prática de outras regiões ou até de outros países. O Reisado é, portanto, também uma forma de manter viva a memória dos antepassados.

Por que o Reisado é tão grandioso?

Porque ele é:

  • Sagrado e Profano: Une a devoção religiosa à brincadeira, ao riso e à festa.
  • Comunitário: É feito para e com a comunidade, fortalecendo laços e criando um sentimento de pertencimento.
  • Artístico: É um espetáculo completo, que reúne música, teatro, dança e artes visuais em uma só apresentação.
  • Resistente: Uma tradição que sobrevive ao tempo, às dificuldades e à modernidade, sendo passada de geração em geração.

O Reisado é a alma do povo brasileiro em movimento: um auto popular que canta a fé, celebra a vida e transforma cada rua, cada casa e cada rosto em parte de uma grande e sagrada história.


Selo Brasis em Traços de Lu Paternostro

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.


Uma pequena lembrança para você:

Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.

É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.

Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro

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NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores


Maracatu Rural. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços

Caboclos de lança, mantos brilhantes e orquestra de metais levam a zona da mata a um transe colorido. Um maracatu mais rápido e rural, misturando teatro, batalha simbólica e devoção.

Ilustração "Maracatu Rural", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Maracatu Rural - Caboclo de Lança", da série "Manifestações da Cultura Brasileira.
Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

“O Caboclo de Surrão
Que sabe bem o que quer na cama
Deixa a mulher para
Ele dormir no chão
Para não manchar a nação,
Três dias de carnaval Capricha no ritual, no cravo
Bota um mistério, que não tem nada mais sério
Que o Maracatu Rural”

Mestre Barachinha.
A poesia e a rima o tornaram
um grande mestre do Maracatu.

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Maracatu: Figuras Curiosas que Pulsam nos Canaviais

Prepare-se para uma viagem vibrante ao coração de Pernambuco, onde a história, a fé e a resistência do povo negro ganham vida em um espetáculo de cores, música e dança! O Maracatu é um cortejo carnavalesco de origem afro-brasileira, uma mistura poderosa de teatro, música e dança que ecoa a alma da África em solo brasileiro.

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Pernambuco: O Berço de uma Tradição Real

O Maracatu nasceu dos trabalhadores rurais, nas fazendas de cana-de-açúcar do interior de Pernambuco, na época do Brasil Império. Em sua origem, foi criado para camuflar a história e os cultos africanos, que eram proibidos pela coroa portuguesa e pela Igreja Católica. Era uma forma de resistência, uma linguagem secreta para preservar a herança e encontrar força na comunidade. No começo do século XIX, o Maracatu veio para Recife e hoje é um dos grandes momentos do Carnaval, especialmente na cidade de Nazaré da Mata, a 70 km de Recife, carinhosamente conhecida como a Cidade dos Maracatus.



Patrimônio Imaterial: A Coroa da Cultura Brasileira!

O Maracatu é uma manifestação cultural de valor inestimável, reconhecida por sua importância histórica e artística:

  • Maracatu Nação (Baque Virado) foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2014.
  • Maracatu Rural (Baque Solto) encontra-se em processo de Registro como patrimônio imaterial brasileiro pelo IPHAN.

Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Maracatu, em suas duas formas, é um lembrete poderoso da força e beleza da cultura afro-brasileira, um elo vivo com nossos ancestrais e um símbolo de resistência e celebração.

Os Dois Reinos do Maracatu: Nação e Rural

O Maracatu se divide em dois tipos bem distintos, cada um com sua própria história, personagens e sonoridade:

1. Maracatu Nação (ou de Baque Virado)

É a forma mais antiga, com cerca de 30 a 50 brincantes, que tem como tema central a coroação dos reis africanos. É um desfile da corte real negra, uma forma de perpetuar a história dos ancestrais para as gerações nascidas no Brasil.

  • Personagens da Corte: O rei e a rainha são as figuras centrais, acompanhados por uma corte majestosa: damas de honra, príncipe e princesa, duque e duquesa, barão e baronesas, embaixador e porta-estandarte (que carrega o nome da agremiação ou a imagem de um animal). Há também a dama de corte, o vassalo (que carrega o pátio ou guarda-sol) e as damas de passo (Yabás ou baianas), que carregam a Calunga — uma boneca negra que representa as rainhas antepassadas da corte e toda a parte espiritual e ancestral. Em alguns cortejos, o caboclo de pena representa os índios guerreiros, inserindo a tradição brasileira.
  • Música e Instrumentos: A orquestra é composta exclusivamente por instrumentos de percussão, criando um ritmo forte e sincopado, a "batida do coração do Maracatu" . Os principais são: gonguê, ganzá, xequerê, maracá, caixas e alfaias (para a marcação grave dos ritmos). As músicas são toadas, cantadas pelo tirador de loas ou versos, que apita no início e no final de cada estrofe.
  • Religiosidade: O Maracatu Nação preserva sua origem religiosa. É parte do cortejo fazer a dança das calungas na frente das igrejas para homenagear Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, divindades negras católicas. Em terreiros, os homenageados são os orixás, denotando o caráter sincrético da tradição.

2. Maracatu Rural (ou de Baque Solto)

Criado posteriormente ao de Baque Virado, surge na zona da mata pernambucana nos séculos XIX e XX. Foi criado por agricultores das canas e sofreu influência e mescla de muitos outros folguedos de Pernambuco, como bumba-meu-boi, folia de reis e cavalo marinho. É uma celebração da vida rural, repleta de alegria e improvisação.

  • Personagens da Mata: O elenco é vasto e colorido: rei e rainha, porta-bandeira ou baliza, Mateus, Catirina, burro, caçador, porta-buquês, baianas, a boneca Aurora, caboclos de pena (com grandes cocares de penas e machados), o vassalo ou “menino da sombrinha” e o personagem principal, o Caboclo de Lança.
  • O Caboclo de Lança: É o guerreiro de Ogum, formado por trabalhadores rurais. Portam lanças de madeira adornadas com fitas coloridas e, na cabeça, ricos e exuberantes capacetes. Usam mantos muito coloridos que representam a armadura na encenação da batalha. Alguns usam grandes óculos e uma flor branca na boca, sendo o cravo a mais tradicional — um mistério que não tem nada mais sério que o Maracatu Rural, como canta Mestre Barachinha.
  • A Dança e o Enredo: No Maracatu de Baque Solto não há cortejo linear. Acontece em dois círculos concêntricos. No círculo de fora, os caboclos de lança correm e fazem algazarras, encenando a batalha, golpeando com suas lanças de dois metros de altura e carregando chocalhos nas costas que marcam o ritmo. No círculo menor, dançam as damas de buquê, baianas, caboclo de pena, boneca e estandarte. Quem comanda os movimentos é o apito do mestre, também responsável pelas cantorias das toadas.
  • Música e Instrumentos (Maracatu Orquestra): Seu conjunto de instrumentos é maior e mais diversificado que o de Baque Virado, sendo conhecido como Maracatu Orquestra. Nele encontramos: tarol ou caixa, porca ou cuíca, zabumba, surdo, ganzá, chocalho e metais como clarinetes, saxofone, trombone e pistom. No coro, ouvem-se vozes femininas, e seu ritmo é bem mais rápido.

Artesanato e Indumentária: A Arte que Veste a Tradição

O Maracatu é um verdadeiro ateliê a céu aberto, onde a arte da costura e do bordado se transformam em fantasias deslumbrantes:

Lanças e Calungas: As lanças adornadas e as calungas (bonecas sagradas) são elementos visuais e simbólicos poderosos.

Bordados e Adereços: As vestimentas são ricas em detalhes, com bordados que podem levar de 15 dias a um mês para serem feitos, como as golas dos caboclos. Plumas, lantejoulas, fitas e espelhinhos adornam os trajes, criando um visual exuberante.

Capacetes e Coroas: Os capacetes dos caboclos de lança e as coroas dos reis e rainhas são obras de arte à parte, cheios de flores e brilho.

Por que o Maracatu é tão bonito e grandioso?

Porque ele é:

  • Realeza Viva: Um desfile que celebra a história e a dignidade dos reis e rainhas africanos no Brasil.
  • Resistência Cultural: Uma forma de preservar a herança africana e indígena, resistindo à opressão e à invisibilidade.
  • Arte Total: Uma fusão de música, dança, teatro, poesia e artes visuais em um espetáculo único.
  • Comunidade e Fé: Fortalece os laços sociais, celebra a fé sincrética e transmite tradições de geração em geração.
  • Energia Contagiante: Um ritmo que faz o coração vibrar e a alma se conectar com a força da ancestralidade.

O Maracatu é a batida da alma de Pernambuco, um convite para sentir a força, a beleza e a realeza de uma cultura que dança e canta sua história com orgulho e paixão!


Selo Brasis em Traços de Lu Paternostro

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.


Uma pequena lembrança para você:

Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.

É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.

Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro

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NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores

Marabaixo. Manifestações da Cultura Tradicional Brasileira. Série Brasis em Traços

Roda de dança de pé arrastado, caixas de couro e cantos que nasceram nos porões dos navios negreiros. Maior manifestação cultural do Amapá, une Festa do Divino, fé católica e matriz africana em um longo ciclo festivo.

Ilustração "Marabaixo", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. 
 Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Ilustração "Marabaixo", da série "Manifestações da Cultura Brasileira.
Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Aonde tu vais rapaz?
Neste caminho sozinho
Eu vou fazer minha morada
Lá nos campos do laguinho

As ruas do Macapá
Estão ficando um primor
Tem hospitais, tem escolas
Pros fíos do trabalhadô
Mas as casas que são feitas
É só prá morar os doutô
Dia primeiro de junho...

Marabaixo
Luiz Gonzaga
Música e poesia

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Marabaixo: A Batida da Resistência e da Fé que Pulsa no Coração do Amapá!

“Eu tinha bom, eu te diga aí que eu tinha Mama, eu tinha, eu disse: olha, achava preso na gaiola Bateu as asas, foi embora, acaba Preto a gaiola, a scheila já foi embora, tô Ela já foi embora, tu indo depois na água e foi do veículo dentro do meu coração” – Toada de Marabaixo

Prepare-se para descobrir um dos mais vibrantes e emocionantes rituais do Brasil, um tesouro cultural que pulsa no extremo norte do país: o Marabaixo! Essa manifestação, praticamente desconhecida de muitos brasileiros, é a maior expressão cultural do Amapá, um ritual de origem africana que compõe festas católicas populares em comunidades negras da área metropolitana de Macapá, a capital do estado

A dança e o canto do Marabaixo constituem o lado profano da Festa do Divino e acontecem integradas a esta comemoração.

O Marabaixo acontece no ritmo de tambores ou das caixas, instrumentos de percussão construídos com madeira e pele de animais. As mulheres dançam de forma vigorosa, com suas saias de cores vivas, no ritmo forte e intenso dos batuques. Durante o ritual são servidas bebidas, sendo a mais típica a gengibirra.

No dia 16 de junho comemora-se o dia estadual do Marabaixo no Amapá.

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A Origem no Mar e a Força da Resistência

O Marabaixo é uma dança da cultura africana, provavelmente trazida pelos negros que chegaram ao Amapá no século XVIII, escravizados para a construção da Fortaleza de São José, ou por famílias africanas fugidas de guerras.

Sua origem é contada em lamentos que ecoam a travessia do Atlântico: "No mar acima, no mar abaixo, nós cantávamos", referindo-se ao movimento do navio nas ondas. Essa dança de "pé arrastado no chão", com movimentos de lado, simboliza a dificuldade de se movimentar estando acorrentado, mas também a resistência e a capacidade de expressar a vida mesmo na adversidade.

O Marabaixo é, portanto, luta, resistência, história e memória. É a identidade amapaense que surge da vivência e convivência dos seus ancestrais.

Patrimônio Imaterial: Um Tesouro Nacional do Amapá!

A grandiosidade e a importância do Marabaixo foram oficialmente reconhecidas: o Ciclo do Marabaixo foi inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2018. Este reconhecimento celebra a riqueza dessa manifestação e a dedicação das comunidades que a mantêm viva.

Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Marabaixo é um exemplo potente de como a dança, o canto, a fé e a memória moldam a identidade de um povo e se tornam um legado para o país.

O Ciclo do Marabaixo: Fé e Folia por Sessenta Dias

O Marabaixo não é apenas uma dança; é um ciclo de celebrações que se estende por aproximadamente sessenta dias, unindo o sagrado e o profano. As festividades têm início no Domingo de Páscoa e se desenvolvem com uma série de rituais:

  • Levantamento de Mastros: Em homenagem ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade.
  • Missas, Novenas e Procissões: O lado católico da festa, onde a fé é expressa em devoção.
  • Danças e Cantorias do Marabaixo: O lado profano, onde a comunidade se reúne para dançar e cantar ao ritmo dos tambores.
  • Derrubada dos Mastros: Marca o encerramento do ciclo anual, em um ritual que simboliza a renovação.

Comunidades como o Quilombo Maruanum, por exemplo, vivem o Marabaixo como parte intrínseca de sua fé e tradição, festejando santos como Santa Luzia em dezembro.



A Dança: Vigor, Ginga e Expressão Coletiva

A dança do Marabaixo é vigorosa e contagiante, um verdadeiro "batuque marabaixo”:

  • Mulheres: Dançam de forma intensa, com suas saias de cores vivas, girando e batendo os pés no ritmo forte dos tambores. Levam uma toalha nos ombros para limpar o suor, que se tornou um adorno típico de suas vestimentas. Muitas usam um ramalhete de flores na cabeça, como rosas ou jasmins, para dar um visual ainda mais bonito.
  • Homens: Fazem gestos que remetem à queda de corpo e à capoeira, que era jogada antigamente em frente à secular Igreja de São José.

É uma dança de roda, de corpo, braço e gingado, que expressa a alegria e a identidade do povo negro.

Música e Instrumentos: A Batida que Conta Histórias

O Marabaixo acontece no ritmo intenso dos tambores ou das caixas, instrumentos de percussão construídos artesanalmente com madeira e pele de animais. A confecção dessas caixas é um processo totalmente artesanal, que leva semanas e é transmitido de geração em geração.

  • Toques e Ladrões: Existem muitos toques diferentes para cada momento do Marabaixo. As músicas são as "ladrões", versos espontâneos e improvisados que as dançarinas e cantadores entoam durante as reuniões, contando fatos do dia a dia, da comunidade, da natureza e da vida. É uma forma de "jogar direto" a realidade, de lutar e resistir.

A Gengibirra: O Sabor da Tradição

Durante o ritual, são servidas bebidas, sendo a mais típica a gengibirra, feita com gengibre e cachaça. Essa bebida embala os foliões, que chegam a dançar a noite toda, fortalecendo os laços comunitários e a energia da festa.

Sincretismo e Identidade: Fé Católica e Matriz Africana

O Marabaixo é um exemplo vivo do sincretismo religioso brasileiro. Embora esteja integrado às festas católicas do Divino Espírito Santo, ele carrega em si a profunda matriz africana. Como relatam os próprios participantes, eles fazem um culto ancestral, um culto de matriz africana, muitas vezes sem saber, percebendo a conexão entre seus santos e os orixás, como a "Vovó do Barro" e Nanã.

Apesar de alguns preconceitos que associavam o Marabaixo a "macumba", os mestres e a comunidade afirmam que é uma manifestação cultural que envolve a religião católica, mas que merece todo o respeito e valorização, assim como qualquer outra religião de matriz africana.

Sincretismo e Identidade: Fé Católica e Matriz Africana

O Marabaixo é um exemplo vivo do sincretismo religioso brasileiro. Embora esteja integrado às festas católicas do Divino Espírito Santo, ele carrega em si a profunda matriz africana.

Como relatam os próprios participantes, eles fazem um culto ancestral, um culto de matriz africana, muitas vezes sem saber, percebendo a conexão entre seus santos e os orixás, como a "Vovó do Barro" e Nanã.

Apesar de alguns preconceitos que associavam o Marabaixo a "macumba", os mestres e a comunidade afirmam que é uma manifestação cultural que envolve a religião católica, mas que merece todo o respeito e valorização, assim como qualquer outra religião de matriz africana.

A Comunidade: Guardiões de uma Herança Viva

No dia 16 de junho, comemora-se o Dia Estadual do Marabaixo no Amapá, com missas e batuqueradas que reúnem vários grupos de danças folclóricas. Grupos organizados trabalham incansavelmente para manter vivas as tradições de raiz de seu povo e ancestrais.

A juventude, que antes via o Marabaixo como "coisa de velho", tem se inserido cada vez mais, garantindo a continuidade dessa cultura . É uma cultura que se transmite de mãe para filha, de avó para neta, de mestre para aprendiz, em um ciclo contínuo de vida e memória.

Por que o Marabaixo é tão importante para nossa cultura?

Porque ele é:

  • Resistência e Memória: Um elo vivo com a história dos negros escravizados e sua luta pela preservação da cultura.
  • Sincretismo Vibrante: Uma fusão única de fé católica e matriz africana, que celebra a diversidade religiosa do Brasil.
  • Arte Total: Uma expressão completa de dança, música, canto, poesia e artesanato.
  • Comunidade e Identidade: Fortalece os laços sociais, transmite saberes e mantém viva a identidade do povo amapaense.
  • Energia Contagiante: Um ritmo que faz o corpo vibrar e a alma se conectar com a força da ancestralidade.

O Marabaixo é a batida do coração do Amapá, um convite para sentir a força, a fé e a alegria de uma cultura que dança e canta sua história com orgulho e resiliência!


Selo Brasis em Traços de Lu Paternostro

A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.


Uma pequena lembrança para você:

Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.

É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.

Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento.
Lu Paternostro

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NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autoresos autores