Roda de dança de pé arrastado, caixas de couro e cantos que nasceram nos porões dos navios negreiros. Maior manifestação cultural do Amapá, une Festa do Divino, fé católica e matriz africana em um longo ciclo festivo.
Ilustração "Marabaixo", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Aonde tu vais rapaz?
Neste caminho sozinho
Eu vou fazer minha morada
Lá nos campos do laguinho
As ruas do Macapá Estão ficando um primor Tem hospitais, tem escolas Pros fíos do trabalhadô Mas as casas que são feitas É só prá morar os doutô Dia primeiro de junho...
Marabaixo Luiz Gonzaga Música e poesia
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Marabaixo: A Batida da Resistência e da Fé que Pulsa no Coração do Amapá!
“Eu tinha bom, eu te diga aí que eu tinha Mama, eu tinha, eu disse: olha, achava preso na gaiola Bateu as asas, foi embora, acaba Preto a gaiola, a scheila já foi embora, tô Ela já foi embora, tu indo depois na água e foi do veículo dentro do meu coração” – Toada de Marabaixo
Prepare-se para descobrir um dos mais vibrantes e emocionantes rituais do Brasil, um tesouro cultural que pulsa no extremo norte do país: o Marabaixo! Essa manifestação, praticamente desconhecida de muitos brasileiros, é a maior expressão cultural do Amapá, um ritual de origem africana que compõe festas católicas populares em comunidades negras da área metropolitana de Macapá, a capital do estado
A dança e o canto do Marabaixo constituem o lado profano da Festa do Divino e acontecem integradas a esta comemoração.
O Marabaixo acontece no ritmo de tambores ou das caixas, instrumentos de percussão construídos com madeira e pele de animais. As mulheres dançam de forma vigorosa, com suas saias de cores vivas, no ritmo forte e intenso dos batuques. Durante o ritual são servidas bebidas, sendo a mais típica a gengibirra.
No dia 16 de junho comemora-se o dia estadual do Marabaixo no Amapá.
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A Origem no Mar e a Força da Resistência
O Marabaixo é uma dança da cultura africana, provavelmente trazida pelos negros que chegaram ao Amapá no século XVIII, escravizados para a construção da Fortaleza de São José, ou por famílias africanas fugidas de guerras.
Sua origem é contada em lamentos que ecoam a travessia do Atlântico: "No mar acima, no mar abaixo, nós cantávamos", referindo-se ao movimento do navio nas ondas. Essa dança de "pé arrastado no chão", com movimentos de lado, simboliza a dificuldade de se movimentar estando acorrentado, mas também a resistência e a capacidade de expressar a vida mesmo na adversidade.
O Marabaixo é, portanto, luta, resistência, história e memória. É a identidade amapaense que surge da vivência e convivência dos seus ancestrais.
Patrimônio Imaterial: Um Tesouro Nacional do Amapá!
A grandiosidade e a importância do Marabaixo foram oficialmente reconhecidas: o Ciclo do Marabaixo foi inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2018. Este reconhecimento celebra a riqueza dessa manifestação e a dedicação das comunidades que a mantêm viva.
Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Marabaixo é um exemplo potente de como a dança, o canto, a fé e a memória moldam a identidade de um povo e se tornam um legado para o país.
O Ciclo do Marabaixo: Fé e Folia por Sessenta Dias
O Marabaixo não é apenas uma dança; é um ciclo de celebrações que se estende por aproximadamente sessenta dias, unindo o sagrado e o profano. As festividades têm início no Domingo de Páscoa e se desenvolvem com uma série de rituais:
Levantamento de Mastros: Em homenagem ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade.
Missas, Novenas e Procissões: O lado católico da festa, onde a fé é expressa em devoção.
Danças e Cantorias do Marabaixo: O lado profano, onde a comunidade se reúne para dançar e cantar ao ritmo dos tambores.
Derrubada dos Mastros: Marca o encerramento do ciclo anual, em um ritual que simboliza a renovação.
Comunidades como o Quilombo Maruanum, por exemplo, vivem o Marabaixo como parte intrínseca de sua fé e tradição, festejando santos como Santa Luzia em dezembro.
A Dança: Vigor, Ginga e Expressão Coletiva
A dança do Marabaixo é vigorosa e contagiante, um verdadeiro "batuque marabaixo”:
Mulheres: Dançam de forma intensa, com suas saias de cores vivas, girando e batendo os pés no ritmo forte dos tambores. Levam uma toalha nos ombros para limpar o suor, que se tornou um adorno típico de suas vestimentas. Muitas usam um ramalhete de flores na cabeça, como rosas ou jasmins, para dar um visual ainda mais bonito.
Homens: Fazem gestos que remetem à queda de corpo e à capoeira, que era jogada antigamente em frente à secular Igreja de São José.
É uma dança de roda, de corpo, braço e gingado, que expressa a alegria e a identidade do povo negro.
Música e Instrumentos: A Batida que Conta Histórias
O Marabaixo acontece no ritmo intenso dos tambores ou das caixas, instrumentos de percussão construídos artesanalmente com madeira e pele de animais. A confecção dessas caixas é um processo totalmente artesanal, que leva semanas e é transmitido de geração em geração.
Toques e Ladrões: Existem muitos toques diferentes para cada momento do Marabaixo. As músicas são as "ladrões", versos espontâneos e improvisados que as dançarinas e cantadores entoam durante as reuniões, contando fatos do dia a dia, da comunidade, da natureza e da vida. É uma forma de "jogar direto" a realidade, de lutar e resistir.
A Gengibirra: O Sabor da Tradição
Durante o ritual, são servidas bebidas, sendo a mais típica a gengibirra, feita com gengibre e cachaça. Essa bebida embala os foliões, que chegam a dançar a noite toda, fortalecendo os laços comunitários e a energia da festa.
Sincretismo e Identidade: Fé Católica e Matriz Africana
O Marabaixo é um exemplo vivo do sincretismo religioso brasileiro. Embora esteja integrado às festas católicas do Divino Espírito Santo, ele carrega em si a profunda matriz africana. Como relatam os próprios participantes, eles fazem um culto ancestral, um culto de matriz africana, muitas vezes sem saber, percebendo a conexão entre seus santos e os orixás, como a "Vovó do Barro" e Nanã.
Apesar de alguns preconceitos que associavam o Marabaixo a "macumba", os mestres e a comunidade afirmam que é uma manifestação cultural que envolve a religião católica, mas que merece todo o respeito e valorização, assim como qualquer outra religião de matriz africana.
Sincretismo e Identidade: Fé Católica e Matriz Africana
O Marabaixo é um exemplo vivo do sincretismo religioso brasileiro. Embora esteja integrado às festas católicas do Divino Espírito Santo, ele carrega em si a profunda matriz africana.
Como relatam os próprios participantes, eles fazem um culto ancestral, um culto de matriz africana, muitas vezes sem saber, percebendo a conexão entre seus santos e os orixás, como a "Vovó do Barro" e Nanã.
Apesar de alguns preconceitos que associavam o Marabaixo a "macumba", os mestres e a comunidade afirmam que é uma manifestação cultural que envolve a religião católica, mas que merece todo o respeito e valorização, assim como qualquer outra religião de matriz africana.
A Comunidade: Guardiões de uma Herança Viva
No dia 16 de junho, comemora-se o Dia Estadual do Marabaixo no Amapá, com missas e batuqueradas que reúnem vários grupos de danças folclóricas. Grupos organizados trabalham incansavelmente para manter vivas as tradições de raiz de seu povo e ancestrais.
A juventude, que antes via o Marabaixo como "coisa de velho", tem se inserido cada vez mais, garantindo a continuidade dessa cultura . É uma cultura que se transmite de mãe para filha, de avó para neta, de mestre para aprendiz, em um ciclo contínuo de vida e memória.
Por que o Marabaixo é tão importante para nossa cultura?
Porque ele é:
Resistência e Memória: Um elo vivo com a história dos negros escravizados e sua luta pela preservação da cultura.
Sincretismo Vibrante: Uma fusão única de fé católica e matriz africana, que celebra a diversidade religiosa do Brasil.
Arte Total: Uma expressão completa de dança, música, canto, poesia e artesanato.
Comunidade e Identidade: Fortalece os laços sociais, transmite saberes e mantém viva a identidade do povo amapaense.
Energia Contagiante: Um ritmo que faz o corpo vibrar e a alma se conectar com a força da ancestralidade.
O Marabaixo é a batida do coração do Amapá, um convite para sentir a força, a fé e a alegria de uma cultura que dança e canta sua história com orgulho e resiliência!
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
Dança de roda com tambores sagrados, pontos enigmáticos e umbigadas que convidam à roda. Ritmo ancestral banto, considerado um dos “avós” do samba e guardião da memória dos cativeiros.
Ilustração "Jongo", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Quando a noite descia,
ao som da Ave-Maria,
um som de tambor se ouvia.
Dentro de uma senzala,
em um caminho pra Minas,
vozes de jongueiros se ouviam.
Na Fazenda da Bem Posta, em pleno Estado do Rio,
um jongueiro sentindo falta do caxambu,
tocava o candongueiro, após o angú.
Cantarolava a saracura,
levou o lenço da moça
que ficou chorando,
que pecado que ela leva quando morrer....
Saracura Jongo de Serrinha
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Jongo: A Voz Ancestral que Pulsa nos Tambores e Ginga na Roda do Sudeste!
“Tava dormindo quando Quingoma me chamou Tava dormindo, Quingoma me chamou Levanta, nego, cativeiro se acabou Levanta, nego, cativeiro se acabou!” – Ponto de Jongo
Prepare-se para sentir a força da ancestralidade e a batida que ecoa a liberdade!
O Jongo, também conhecido como tambu, batuque, tambor ou caxambu, é uma das mais profundas e emocionantes manifestações da cultura afro-brasileira.
Considerado um dos ritmos precursores do samba, o Jongo é uma forma de reverência e louvação aos antepassados, lembrando profundamente de suas raízes negras e exaltando suas histórias em suas canções.
A Origem no Cativeiro e a Voz da Resistência
O Jongo foi trazido para o Brasil pelos escravos angolanos, sendo uma expressão rítmica da mesma família do tambor de crioula, do samba de roda e do coco. Ele integra a percussão de tambores, as danças coletivas em roda, o bater das palmas e a umbigada – elementos comuns a essas danças de matriz africana.
Consolidou-se entre os escravos nas lavouras de café e cana-de-açúcar do Vale do Paraíba, no Sudeste brasileiro. Nos tempos da escravidão, o Jongo era uma forma de comunicação secreta e resistência. A poesia metafórica dos "pontos" (cantigas) permitia que os praticantes da dança se comunicassem por meio de enigmas que os capatazes e senhores não compreendiam . Era nos quintais das senzalas, à noite, que eles cantavam seus pontos de reclamação, de dor e de amor, encontrando força e consolo na comunidade.
Patrimônio Imaterial: Um Legado de Luta e Cultura!
A importância histórica e cultural do Jongo foi oficialmente reconhecida: o Jongo do Sudeste foi inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em dezembro de 2005. Este reconhecimento celebra a relevância dessa expressão para a formação da multifacetada identidade cultural brasileira.
Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Jongo é um exemplo potente de como a dança, o canto, a fé e a memória moldam a identidade de um povo e se tornam um legado de luta e resistência para o país.
O Jongo é praticado nos quintais das casas de periferias urbanas e de comunidades rurais do Sudeste brasileiro, em estados como Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A dança e o canto acontecem em uma roda, onde a energia flui e a comunidade se conecta:
A Roda: Os dançarinos e cantadores formam um círculo, batendo palmas e respondendo ao solista.
O Solo e o Coro: Um dançarino faz o solo, cantando um "ponto" (cantiga), e os outros respondem em coro, criando um diálogo musical.
A Umbigada: Sozinhos ou em pares, os dançarinos vão até o centro da roda e dançam até serem substituídos por outro par, muitas vezes através da umbigada – um toque de umbigo que simboliza a transmissão de energia e o convite para entrar na dança.
A Dança Livre: Os praticantes dançam como sabem dançar: pulando, arrastando os pés, devagar ou mais rápido e solto. O passo masculino e feminino, embora com a mesma base, é executado com delicadeza pelas mulheres e com mais vigor pelos homens.
Música e Instrumentos: A Batida Sagrada dos Tambores
Para os jongueiros, os tambores são sagrados, pois fazem a conexão com as entidades do mundo espiritual. Seus guardiões são os líderes das próprias comunidades jongueiras. Os instrumentos musicais podem ser diferentes de um grupo para outro, mas o mais comum é terem dois ou três tambores. Em algumas comunidades, pode-se encontrar o chamado tambor de fricção, um tipo de cuíca em formato maior.
Os Pontos: O "ponto" é um dos elementos mais marcantes do Jongo, onde a palavra cantada assume características únicas. São cantigas que narram histórias, expressam sentimentos, transmitem ensinamentos e, antigamente, serviam como mensagens codificadas.
A Força do Tambor: Como ensinava o Mestre Darc, da Serrinha (RJ): "A gente tem que introjetar o tambor para depois tocar. Tambor é coração" .
Sincretismo e Fé: Jongo e o Catolicismo Afro-Brasileiro
Embora não sejam liturgias, os jongos estão associados ao catolicismo afro-brasileiro, em especial ao culto de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. As festas desses santos são momentos importantes para a prática do Jongo, onde a fé católica se mescla com as tradições africanas, em um belo exemplo de sincretismo.
O Jongo é uma tradição que se mantém viva graças à dedicação de mestres e comunidades inteiras. Mestre Darc, da Serrinha, no Rio de Janeiro, é um exemplo de quem ensinou e divulgou o Jongo, uma linha que vem de sua mãe, Dona Maria Joana, e que continua sendo transmitida para as novas gerações .
O inventário Nacional de Referências Culturais pesquisou diversas comunidades jongueiras em atividade, identificando grupos em Madureira (RJ), Valença (RJ), Angra dos Reis (RJ), Guaratinguetá (SP), São José dos Campos (SP), Lagoinha (SP), Conceição da Barra (ES), Linhares (ES), Cachoeiro de Itapemirim (ES), São Mateus (ES), entre outras.
Por que o Jongo é tão importante?
Porque ele é:
Precursor do Samba: Um dos ritmos que pavimentou o caminho para o samba, a maior expressão musical do Brasil.
Memória Viva: Um elo direto com a história dos escravos angolanos e sua luta por liberdade e dignidade.
Resistência Cultural: Uma forma de preservar a herança africana, resistindo à opressão e à invisibilidade.
Arte Total: Uma fusão de dança, música, canto e poesia em um espetáculo de profunda emoção.
Comunidade e Fé: Fortalece os laços sociais, transmite saberes e mantém viva a identidade do povo afro-brasileiro.
O Jongo é a batida do coração da África que pulsa no Sudeste brasileiro, um convite para sentir a força, a fé e a memória de uma cultura que dança e canta sua história com orgulho e resiliência!
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
Explosão de cores, passos acrobáticos e sombrinhas vibrantes que transformam Recife e Olinda em um grande redemoinho de alegria. Um ritmo urbano, irreverente e virtuoso que é símbolo maior do Carnaval pernambucano.
Ilustração "Frevo", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Lua tão linda, lua, lua, lua de Olinda
O sol abraça Recife tá chegando o carnaval, lua, lua linda
Lua nova que vi e fiquei sem dormir quando lembrei dos
olhos dela
Sob os raios de ouro e as estrelas de prata vi teu corpo moreno tremendo de
amor
Lembrei do Marco Zero onde ganhei a gata e da gente se amando no escurinho da
praça
Mergulhei no meu sonho real fantasia quando o sol despertava e a lua dormia
Lembrei do Marco Zero onde ganhei a gata e da gente se amando no escurinho da praça Mergulhei no meu sonho real fantasia quando o sol despertava e a lua dormia
Lua tão linda, lua, lua, lua de Olinda O sol abraça Recife tá chegando o carnaval, lua, lua linda...
Frevo da Lua Composição de Alceu Valença, Maurício Oliveira e Gabriel Moura
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Frevo: A Explosão de Alegria que Faz Pernambuco Dançar!
Prepare-se para sentir a efervescência, a agitação e o rebuliço de um dos ritmos mais vibrantes do Brasil: o Frevo!
Nascido no carnaval de Pernambuco, no final do século XIX, ele se enraizou nas cidades de Recife e Olinda, tornando-se um símbolo de alegria, resistência e pura energia.
Com mais de um século de existência, o Frevo é um dos pilares do carnaval brasileiro, uma das mais significativas manifestações culturais do país.
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A Origem Fervilhante: Onde o Frevo Nasceu
O Frevo é um gênero musical urbano, extremamente acelerado, que tem características de competição desde sua origem. Ele surgiu em um momento de profundas transformações sociais e políticas em Pernambuco, na virada do século XIX para o século XX.
Para estudiosos como José Ramos Tinhorão, o Frevo é criação de músicos brancos e mulatos, muitos deles instrumentistas de bandas militares, tocadores de marchas e dobrados, ou componentes de grupos especialistas em música de dança da época, como polcas, tangos e maxixes.
O bairro de São José, nas áreas próximas ao porto de Recife, é considerado o berço do Frevo de Rua. Ali, as bandas militares e suas rivalidades, junto com os escravos recém libertados e capoeiristas, iam para as ruas em um momento em que as classes populares conquistavam seu espaço nas cidades.
Surgido das classes menos favorecidas da sociedade, o Frevo foi, a princípio, renegado pela elite. Mas sua energia estimulante e a alegria permanente logo seduziram todas as esferas da população.
Frevo: O Nome que Explode em Significado
O nome "Frevo" vem de "ferver", um ritmo que causa efervescência, agitação, rebuliço e uma aura de muita vivacidade aos seus participantes. É a "chaleira que ferve", indicando que a cidade vai ferver para brincar, e não para brigar!
Patrimônio Imaterial: Um Tesouro de Pernambuco para o Mundo!
O Frevo é uma manifestação cultural tão rica e importante que foi reconhecida nacional e internacionalmente:
Em fevereiro de 2007, o Frevo foi inscrito no Livro dos Registros de Bens Imateriais do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), na categoria “Formas de Expressão”. Carmem Lélis, diretora da Casa do Carnaval e importante especialista em Frevo, foi uma das responsáveis pelo dossiê que levou a esse reconhecimento.
Em 2012, a UNESCO reconheceu o Frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Patrimônio Imaterial são as tradições vivas, as expressões, os conhecimentos e as práticas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. O Frevo, com sua música, dança, história e a paixão de seus brincantes, é um exemplo vibrante de como a criatividade e a alegria são transmitidas de geração em geração, moldando a identidade de um povo.
Os Três Tipos de Frevo: Uma Dança de Emoções
Do repertório variado e eclético dessa música ligeira, feita para o carnaval, nasceram os três tipos de Frevo:
Frevo-de-Rua: Não possui letras, feito unicamente para ser dançado. É o "Frevo Rasgado", onde você vai para a rua para extravasar, sem precisar saber passos complexos.
Frevo-de-Bloco: Possivelmente vindo de serenatas feitas por grupos de rapazes munidos de violões, banjos, cavaquinhos e clarinetes. Atualmente, as mulheres também participam, e ele é mais lírico, com um coral feminino e uma orquestra de pau e cordas (com violinos, violões, banjos e pandeiros, e pouco metal).
Frevo-Canção (ou Marcha-Canção): Possui letras e se parece muito com as marchinhas de carnaval, com uma melodia mais cantada.
A Dança do Frevo: Mais de 100 Passos de Pura Agilidade!
A dança do Frevo, conhecida como "passo", é uma das suas maiores riquezas. Com mais de 100 tipos de passos catalogados, ela é um jogo de braços e pernas que exige flexibilidade, agilidade e a destreza de um acrobata.
Origem Capoeirista: Os primeiros passos são atribuídos à ginga dos capoeiristas, que defendiam os blocos e contribuíram na criação dos movimentos. A presença negra no Brasil, que era de luta, passa a ser de alegria e dança no Frevo.
Nomes Criativos: Os nomes dos passos fazem referência ao mundo do trabalho e às profissões dos participantes, como "parafuso", "dobradiça", "locomotiva", "ferrolho", "tesoura", "pontilhado", "ponta de pé", "calcanhar", "Saci-Pererê" e "pernada" (com movimentos fortes da capoeira).
Influências Globais: Além das raízes locais, o Frevo absorveu influências de outras culturas. Da dança eslava vieram os famosos saltos conhecidos como "carpados", e até musicais americanos inspiraram passos como o "passeio na pracinha".
O Frevo pode ser dançado de duas formas: uma com passos complexos e acrobáticos, e outra, mais livre, onde o povo simplesmente se entrega à alegria e participa, sem regras rígidas. Como dizem: "Você pode dançar com os braços, o dedo para cima… qualquer passo que você queira, não precisa ser um bailarino especial para dançar o Frevo!"
A Sombrinha: De Arma de Defesa a Símbolo de Alegria
A sombrinha colorida é parte do tradicional adereço dos dançarinos e um dos principais símbolos do carnaval pernambucano. Mas sua história é fascinante!
Origem como Arma: No início do Frevo, a capoeira era proibida no Brasil. As sombrinhas teriam sido usadas como armas de defesa pelos capoeiristas que protegiam os blocos. Eram guarda-chuvas pretos, velhos e esfarrapados, ou apenas a armação, usados para furar em caso de conflito.
Transformação: Com o tempo, o guarda-chuva foi se modificando, se colorindo, diminuindo e fazendo parte da alegoria da festa, tornando-se um ornamento vibrante que exalta os movimentos dos dançarinos.
A vestimenta característica do Frevo é um espetáculo à parte, com roupas de um colorido vivo e muito brilho, que exaltam os movimentos e se destacam aos olhos dos espectadores:
Homens: Camisas mais curtas, justas ou amarradas na cintura, e calças bem apertadas, variando entre abaixo do joelho e acima do tornozelo.
Mulheres: Saias curtíssimas ou fitas que caem como saias, shorts curtos por baixo e corpetes ou blusas curtas.
A Orquestra do Frevo: A Batida que Contagia
A música é a alma do Frevo, e as orquestras são o coração dessa batida frenética. Elas são compostas principalmente por instrumentos de metal, que dão a sonoridade potente e inconfundível do Frevo de Rua:
Trompetes, Trombones e Saxofones: Os metais são a espinha dorsal da melodia e da harmonia, com suas notas agudas e vibrantes.
Tubas e Bombardinos: Dão a base e a profundidade sonora.
Percussão: Caixas, surdos e outros tambores garantem o ritmo acelerado e contagiante.
No Frevo de Bloco, a orquestra de pau e cordas traz violões, banjos, cavaquinhos, violinos e pandeiros, criando uma sonoridade mais lírica e melódica.
A Comunidade do Frevo: Guardiões de uma Tradição Viva
Por trás de cada passo, cada nota e cada sombrinha colorida, há uma comunidade de artistas, dançarinos, músicos e professores que dedicam suas vidas ao Frevo. Grupos como os Guerreiros do Passo, que dão aulas de danças pernambucanas para a comunidade desde 2006, e a Companhia Trapiá de Dança, que faz do Frevo um espetáculo teatral com muita dança e música, são exemplos vivos dessa paixão.
Ver uma criança como João Lucas, de apenas 8 anos, com "muito Frevo no pé", é a certeza de que essa manifestação cultural jamais morrerá. O Frevo está umbilicalmente ligado ao povo pernambucano; pensar em um é lembrar do outro.
Por que o Frevo é tão grandioso?
Porque ele é:
Ritmo: Que incendeia a alma e faz o corpo vibrar.
Dança: Que expressa a liberdade, a agilidade e a criatividade.
História: Que conta a luta e a resistência de um povo.
Arte: Nas músicas, nos passos, nas fantasias e na sombrinha.
Patrimônio: Que nos lembra da importância de preservar a cultura democrática e libertadora de Pernambuco.
O Frevo é a quentura, a brasa no pé, a vontade de explodir em alegria que faz de Pernambuco o centro da cultura brasileira!
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
Cortejo devoto que percorre casas e estradas, cantando a jornada dos Três Reis Magos até o Menino Jesus. Bandeiras, violas, fitas e promessas tornam a Epifania uma festa de fé, música e comunidade.
Ilustração "Folia de Reis", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Senhor e dono da casa, vai chegando a folia
Vem beijar a nossa bandeira e escutar a cantoria
Vem beijar a nossa bandeira e escutar a cantoria ai ai ai !
Senhor e dono da casa, se não for muito custoso
Vem abrir a sua porta que nóis viemos de pouso
Vem abrir a sua porta que nóis viemos de pouso ai ai ai !
Nosso corpo quer descanso nóis precisamos dum canto
Nossa arma quem vigia é o divino espírito santo
Nossa arma quem vigia é o divino espírito santo ai ai ai !
Senhor e dono da casa, a folia vai saindo
Fica com deus nosso pai e a proteção do divino
Fica com deus nosso pai e a proteção do divino ai ai ai !
Folia de Reis André e Andrade Moda de folia aos santos reis
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Folia de Reis: A Procissão Sagrada que Une Fé, Música e Comunidade!
Prepare-se para mergulhar em uma das mais antigas e sagradas tradições do Brasil: a Folia de Reis, também conhecida como Reisado ou Companhia de Reis. É um auto popular, um teatro do povo, que une fé, música e caminhada em uma jornada que se repete todos os anos, entre o Natal e o dia 6 de janeiro — a Festa de Santos Reis. _____
A Origem da Jornada: Uma Viagem que Vem da Europa
A Folia de Reis representa simbolicamente a viagem dos Três Reis Magos — Gaspar, Melchior e Baltazar — à gruta de Belém, para adorar o Menino Deus recém-nascido. Essa tradição tem raízes europeias, possivelmente relacionada às “Jornadas de Pastorinhas” e outras procissões natalinas, onde grupos percorriam as casas pedindo esmolas e cantando em louvor ao nascimento de Jesus.
No Brasil, a Folia de Reis se enraizou profundamente, especialmente em populações rurais, adaptando-se à realidade local e ganhando contornos únicos de devoção, arte e sociabilidade.
Patrimônio Imaterial: A Tradição que se Renova
Embora a Folia de Reis ainda não tenha um título unificado de Patrimônio Imaterial da Humanidade, ela é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em diversas regiões, sendo um dos rituais mais importantes para a identidade cultural do interior do país.
Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. A Folia de Reis é um exemplo vivo de como a fé, a música e a caminhada coletiva moldam a alma de um povo.
A Chegada na Casa: O Ritual de Porta em Porta
A Folia de Reis é, antes de tudo, uma procissão itinerante. O grupo, chamado de “Companhia”, caminha de casa em casa, cantando, tocando e levando a bandeira com a imagem dos Santos Reis. O ritual é sempre o mesmo, mas cada visita é única:
Canto de Chegada: O mestre ou embaixador pede permissão ao dono da casa para entrar, saudando a família e pedindo acolhida.
Adoração ao Presépio: A Companhia se dirige ao altar, onde está o presépio ou a lapinha, e canta em louvor ao Menino Jesus.
Coleta e Agradecimento: Os foliões recolhem doações (mantimentos, dinheiro, bebidas), que serão usadas para a grande festa do dia 6 de janeiro. Em troca, agradecem com cantos, versos e até danças.
Canto de Despedida: Antes de seguir viagem, a Folia se despede, deixando a bênção dos Santos Reis na casa visitada.
Como relata um folião: “Tem pessoa que chega a chorar quando a companhia chega na casa… Você chega, canta, agradece o mantimento que a gente recebe, e no dia da festa, faz o comes e bebe para todo mundo.”
Os Personagens da Folia: Uma Hierarquia Sagrada
Cada membro da Companhia tem uma função específica, formando uma verdadeira “corte” em movimento:
Mestre ou Embaixador: É o líder, o organizador e o conhecedor dos fundamentos da Folia. É ele quem inicia as cantorias e mantém a coesão do grupo.
Bandeireiro (ou Bandeireira): Conduz a bandeira, o símbolo que legitima a Companhia. É uma figura de grande respeito, responsável por proteger o estandarte sagrado.
Músicos e Cantadores: Divididos em vozes (quinta, contra-tala, tala, requinta), formam o coro que entoa as toadas características. Os instrumentos variam conforme a região, mas geralmente incluem viola, violão, cavaquinho, sanfona, pandeiro e caixa.
Palhaços ou Bastiões: Personagens curiosos e sagrados, vestidos com roupas coloridas e, muitas vezes, máscaras. São os “guerreiros” da Folia, responsáveis por proteger a bandeira, recolher as ofertas, “quebrar os atrapalhos” (desafios e brincadeiras) e anunciar a chegada da Companhia. Nomes como Pai Juão, Catrina, Mocorongo, Mateus e Alferes aparecem em diferentes regiões do Brasil.
Reis Magos: Alguns grupos incluem pessoas caracterizadas como os Três Reis, reforçando o sentido do auto.
Festeiro: Pessoa que organiza a festa de chegada da bandeira em sua casa ou comunidade.
Apontador de Prendas: Anota todas as ofertas recebidas, garantindo a transparência da coleta.
Música, Dança e Instrumentos: A Trilha da Caminhada
A música é a alma da Folia de Reis. As toadas (cantigas) são passadas de geração em geração, e cada região tem seu estilo: a toada baiana, a mineira, a paulista, a goiana… Algumas são idênticas, outras têm variações melódicas e de letra.
Os instrumentos mais comuns são:
Viola e Violão: Enfeitados com fitas coloridas, que carregam simbolismos (fitas azuis, rosa e amarelas para a Virgem Maria; branca para o Divino Espírito Santo).
Sanfona: Traz o calor e a melodia contagiante das toadas.
Pandeiro e Caixa: Marcam o ritmo da caminhada e dos cantos.
Rabeca, Bandolim, Cavaquinho: Comuns em algumas regiões, enriquecendo a sonoridade.
As danças, como a dança-da-jaca, o balanceado, o cateretê e o “meio-dia”, são executadas principalmente pelos palhaços e bastiões, trazendo alegria e energia ao ritual.
VAMOS CONHECER A RABECA?
A Voz Rústica e Encantadora do Brasil Profundo
Muito mais que uma "prima" do violino, a rabeca é a síntese da nossa identidade. Enquanto o violino erudito busca a perfeição cristalina das salas de concerto, a rabeca busca o "chão de barro" — um timbre terroso, visceral e profundamente afetuoso.
A Alma Esculpida à Mão
O que torna a rabeca fascinante é o seu fazer artesanal. Ela é fruto do conhecimento de mestres luthieres que utilizam madeiras nativas e segredos ancestrais. Diferente dos instrumentos industriais, cada rabeca é única: tem corpo, rosto e uma alma própria, moldada pelo carinho de quem a esculpe.
O Olhar dos Mestres
O mestre Luís da Câmara Cascudo, em seu clássico Dicionário do Folclore Brasileiro, já a definia como o instrumento de arco por excelência das nossas festas. Para ele, a rabeca é o fôlego das folias, bailes e procissões, adaptando seu som ao "sotaque" de cada região do país.
Um Patrimônio de Todos Nós
A importância da rabeca é tamanha que o IPHAN a reconhece como elemento vital de bens registrados como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Ela é a protagonista absoluta de celebrações como:
Fandango Caiçara (SP/PR)
Cavalo-Marinho (PE)
Maracatu Rural (PE)
Ouvir uma rabeca não é apenas apreciar uma música; é abraçar um Brasil que canta sua própria história com as mãos e o coração.
Vamos apurar nosso ouvido? Ao ouvir uma rabeca tocando, preste atenção nas "imperfeições" do som, que parecem até "desafinados". É nessa sensação de "imperfeição" que reside a verdadeira humanidade, a beleza e a essência deste instrumento.
A Folia como Missão: “É um Chamado!”
Para muitos foliões, a Folia de Reis não é apenas uma tradição, mas uma missão espiritual. Como diz um mestre de 75 anos, que segue a tradição desde os 7: “É o chamado, é uma missão que a gente tem. Meu pai faleceu, eu assumi. Se não queria, mas o santo rei manda, não tem jeito.”
A Folia de Reis atravessa gerações. Em muitas famílias, pai, avô, bisavô e filhos participam juntos, mantendo viva a chama da devoção e da comunidade. Há relatos de milagres, promessas cumpridas e vidas transformadas pela fé expressa na caminhada dos Santos Reis.
Por que a Folia de Reis é tão rica?
Porque ela é:
Fé em Movimento: Uma procissão que leva a bênção de casa em casa, unindo o sagrado e o cotidiano.
Comunidade: Uma celebração coletiva, onde todos são convidados a participar, doar e compartilhar.
Tradição Viva: Uma herança cultural transmitida de pai para filho, que resiste ao tempo e à modernidade.
Arte Popular: Um auto teatral, musical e dançante, que expressa a criatividade e a alma do povo brasileiro.
Riqueza nos Detalhes: Os ornamentos se modificam pelo Brasil afora, modificando-se conforme cada local.
A Folia de Reis é a jornada dos Reis Magos reencenada pelo povo, uma procissão de esperança, música e fé que faz do Brasil um país ainda mais sagrado e humano.
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro
Teatro de rua que celebra a coroação de reis do Congo, com espadas, bastões e cantos de fé. Mistura de catolicismo e matriz africana que exalta São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e a realeza negra.
Ilustração "Congada", da série "Manifestações da Cultura Brasileira. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.
Benedito Santo De Jesus querido Valha-me Deus Que eu tenho sofrido
Que santo é aquele Que vem no andor É São Benedito Enfeitado de flor
É conga, é conga, é congada Bate marimba e tambor Vou pegar minha espada Que eu também sou lutador....
Congada Romildo e Toninho Nascimento Música e poesia
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Congada: A Realeza Negra que Dança a Fé, a Luta e a Memória no Coração do Brasil!
Prepare-se para testemunhar um espetáculo de fé, resistência e realeza!
Congada, também conhecida por Congo ou Congado, é uma manifestação cultural e religiosa de origem Africana, um folguedo de rua que reúne tradições mouras e cristãs. Os grupos vão cantando, marchando e dançando, batendo suas espadas numa coreografia complexa, trocando de lugar. Vestem-se com roupas características e por pura devoção mantém sua tradição viva. Tradicionalmente o ponto alto é representação da coroação do rei e rainha do Congo.
A congada acontece em várias festividades durante o ano todo,
principalmente em festas de Nossa Senhora do Rosário e em alguns locais, nas
festas do Divino.
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A Origem Real e a Resistência no Cativeiro
A Congada remete às lutas travadas no território africano, principalmente no Congo, onde muitos reis perderam seus tronos e vieram a ser escravos no Brasil, durante a colonização portuguesa no século XV. A devoção de seu povo os mantinha reis mesmo sem nada governarem, uma forma de resgatar o reino que foi perdido em suas terras de origem
No Brasil, a Congada consolidou-se como uma forma de os negros escravizados expressarem sua cultura e fé. Temendo rebeliões, os senhores brancos e a Igreja permitiam que dançassem suas congadas, mas escolheram para isso as datas de devoção dos santos cristãos. Assim, a Congada se tornou uma mistura das peças trazidas pelos negros escravizados com a religiosidade cristã praticada na colônia
Patrimônio Cultural: A Realeza que se Mantém Viva!
A Congada, com sua riqueza e profundidade, é um patrimônio vivo que reflete a identidade do povo afro-brasileiro. Embora não possua um título unificado de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN, diversas manifestações de Congado em estados como Minas Gerais, São Paulo e Goiás são reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial em nível estadual ou municipal. Sua importância para a formação da identidade cultural brasileira é inegável e amplamente valorizada.
Patrimônio Imaterial são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas que uma comunidade reconhece como parte de sua herança cultural. A Congada é um exemplo grandioso de como a fé, a dança, o teatro e a música se entrelaçam para manter viva a memória de uma realeza perdida e a esperança de um povo.
O Cortejo da Congada: Teatro, Dança e Devoção
A Congada é uma espécie de teatro de rua, um bailado dramático que relembra a história de lutas e conquistas de forma simbólica, não deixando morrer a lembrança do poder do povo negro
Os grupos vão cantando, marchando e dançando, batendo suas espadas ou bastões em uma coreografia complexa, trocando de lugar
Coroação dos Reis: O ponto central da festa é a representação da coroação do rei e da rainha do Congo, um ritual de grande pompa e significado. Embora em muitos lugares essa tradição esteja se perdendo, restando apenas os "ternos" e suas danças compassadas
Ternos ou Guardas: Os cortejos são acompanhados por grupos denominados "ternos" ou "guardas", cada um com seu líder, o capitão .
Embaixadas: Em alguns locais, há uma encenação dramática chamada "embaixada", que representa as lutas entre mouros e cristãos, ou pagãos e batizados, em forma de coreografias .
Rituais: Durante as festas, há levantamento de mastros, muita música, dança, batuque de zabumba, canto, louvação e animação.
Personagens e Indumentária: A Hierarquia em Cores e Brilho
As roupas são muito importantes na Congada, pois representam a hierarquia e os personagens, identificando os diferentes grupos do cortejo pelas características das cores e adereços .
Reis e Rainhas: Vestem trajes majestosos, com coroas, mantos e adereços que simbolizam a realeza africana.
Guerreiros/Dançarinos: Usam camisas, capas, chapéus, espadas e lenços, feitos de tecidos confortáveis para não inibir os movimentos. Há uma série de fitas e bandeiras coloridas que trazem a imagem dos santos .
Santos Negros: Os santos cultuados nas congadas, presentes em seus estandartes, são normalmente santos negros como São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário
. A Princesa Isabel também é saudada, cruzando a tradição da monarquia africana com a brasileira .
Chico Rei: A lenda de Chico Rei, um monarca do Congo que foi escravizado, comprou sua alforria e a de mais de 200 escravizados, e levantou a Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto, faz parte das tradições orais e da memória dos congadeiros .
Música e Instrumentos: A Batida que Chama a Energia Ancestral
A música é o coração da Congada, com cantos que são puxados por uma pessoa e a multidão acompanha o refrão . As letras falam do sofrimento da escravidão, dos lamentos de um povo arrancado de sua terra, mas também são cantos de esperança e redenção, na espera de uma vida melhor .
Os instrumentos musicais utilizados são diversos e conferem a sonoridade única da Congada:
Tambores: Cuíca, caixa, pandeiro, tamborim, surdo, tarol, zabumba. Os tambores são a força da Congada, chamando a energia positiva dos antepassados .
Cordas: Cavaquinho, viola, violão, rabeca ou violino popular.
Outros: Reco-reco, sanfona, acordeão, agogô.
O canto é entoado com letras em português, mas também com palavras do idioma banto, na melhor tradição oral . Há um sincretismo musical, onde se cantam músicas públicas como benditos aos santos católicos e, em terreiros, saúda-se marinheiros, pretos velhos, orixás como Iansã e Xangô .
Fé e Espiritualidade: A Devoção que Move a Congada
A Congada acontece em várias festividades durante o ano todo, principalmente em festas de Nossa Senhora do Rosário e, em alguns locais, nas festas do Divino
É uma manifestação que envolve o canto, a dança, o teatro e a espiritualidade cristã e de matriz africana .
Para os congadeiros, a Congada é uma questão de devoção e fé. É uma forma de receber as energias dos antepassados, dos espíritos de luz que protegem o grupo. A vibração dos tambores e a dança sem canseira, mesmo suando, são a prova de que estão recebendo o axé dos que já se foram . É uma missão que exige preparo espiritual e muita dedicação.
Por que a Congada é tão importante para o Brasil?
Porque ela é:
Memória Viva: Um elo direto com a história da realeza africana e a resistência dos negros escravizados no Brasil.
Sincretismo Profundo: Uma fusão única de fé católica e matriz africana, que celebra a diversidade religiosa do Brasil.
Arte Total: Uma expressão completa de dança, música, canto, teatro e artes visuais em um espetáculo de profunda emoção.
Comunidade e Fé: Fortalece os laços sociais, transmite saberes e mantém viva a identidade do povo afro-brasileiro.
Energia Contagiante: Um ritmo que faz o corpo vibrar e a alma se conectar com a força da ancestralidade.
A Congada é a batida do coração da África que pulsa no Brasil, um convite para sentir a força, a fé e a memória de uma cultura que dança e canta sua história com orgulho e resiliência!
A série "Brasis em Traços" é uma coleção de ilustrações autorais da artista brasileira Lu Paternostro, focada na representação da cultura típica, tradicional e imaterial do Brasil. Com estilo colorido e detalhado, a série retrata festas, danças, tipos populares, lendas e a diversidade étnica brasileira, baseada em vasta pesquisa sobre o folclore e a identidade nacional.
Uma pequena lembrança para você:
Cada festa, folguedo, dança ou manifestação genuína de um povo não é algo fixo — é um organismo vivo, enraizado em um território e em constante transformação. Tudo é fluxo. Tudo é vivo, dinâmico. Como um rio, que corre sem nunca se deixar apreender por inteiro: não se captura um instante sem que ele já tenha se transformado.
É justamente aí que reside sua maior riqueza — nesse movimento contínuo, que existe no tempo e no corpo dos brincantes, despertando uma alegria difícil de nomear, mas impossível de não sentir.
Esta é apenas uma breve introdução ao tema, acompanhada de desenhos que buscam revelar um fragmento desse movimento. Lu Paternostro